Taxa do que?

Publicado: 4 de dezembro de 2010 por Kzuza em Geral, Música
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O próximo ano vai ser bem movimentado nos meses de Março e Abril aqui no Brasil. Vários shows prometem arrebentar por aqui. Falo dos principais, como Iron Maiden, Ozzy Osbourne, Muse e U2, além do agora confirmado Slash. É bom se preparar para tantos eventos.

Mas a preparação de fato está na paciência e principalmente no bolso. Sim, porque tais shows tem demonstrado, pelo menos aqui em São Paulo, que o brasileiro está cada vez mais rico e besta. Os últimos espetáculos em terras paulistas provam isso. Basta ver o show do Paul McCartney, por exemplo. Ingressos caríssimos e vendidos em tempo recorde. Assim como foi o Metallica. Ou o SWU, Coldplay, Aerosmith, e outros menos cotados nesse ano.

O público ficou nas mãos de empresas nada sérias, usurpadoras e exploradoras como LivePass, Ticket4Fun, Ticketmaster, e outras. Enfim, nem sei se são uma mesma empresa. Mas os sites que vendem os ingressos para esses shows se aproveitam da tal economia favorável e da burrice do povo para enriquecerem.

Não existem mais ingressos abaixo dos R$150. Criaram nos últimos tempos a tal “Área Vip”, ou também conhecido como Apartheid econômico, que separa os mais favorecidos financeiramente dos demais. Ingressos que custam o dobro dos demais e que possibilitam somente os mais ricos a ficarem próximo aos artistas. Aquele negócio de ser fã somente não basta. Sabe aquela história de acampar na fila para garantir um lugar próximo ao palco? Esquece. Isso só faz sentido agora se você puder pagar rios de dinheiro para tal.

Sem contar o absurdo maior da história que é chamado de “Taxa de Conveniência”. Taxa é a puta que pariu! Se fosse taxa, o valor seria o mesmo para qualquer ingresso comprado. Mas não. É estabelecido uma tarifa de 20% sobre o valor do ingresso adquirido, que já é absurdo. Eu pergunto: se todos acessam o mesmo site ou vão à mesma loja para comprar o ingresso, por que a taxa é diferente dependendo do preço ingresso? O serviço de venda não é exatamente o mesmo? Não faria sentido a tal taxa ter um mesmo valor?

Se você não quiser pagar a tal taxa, em alguns casos é possível. Sim, normalmente existe 1 ponto de venda na cidade inteira onde você pode fazer isso. Exato, 1 único ponto de venda em uma cidade do tamanho de São Paulo. Com 14 milhões de habitantes. E normalmente em um lugar de difícil acesso, como o Credicard Hall ou o Estádio do Morumbi. Onde só se chega de carro, e em pontos extremos da cidade (vulgo “na casa do caralho”). E prepare-se para filas gigantes, horários restritos, e um serviço de merda.

Ou seja: o que é a tal “Taxa de Conveniência”? É uma forma de disfarçar uma extorsão. Porque ela não é cobrada só em vendas pela Internet (onde também lhe cobram uma segunda taxa para entrega do ingresso, essa sim fixa para todos os ingressos). Se você procurar os tais pontos de venda dessas empresas filhas da puta, também será obrigado a pagar os 20% sobre o valor do ingresso.

Fiz as contas. Essa semana tentei comprar o ingresso para o show do Iron Maiden. 350 paus o ingresso para o Apartheid econômico. Estava disposto a pagar. Aí vem mais uma taxa de 70 mangos e mais uns 15 paus para entregarem o ingresso. Resultado: mandei a LivePass enfiar esse dinheiro no rabo. Não vou. Se eu não quiser pagar a taxa, basta eu me deslocar até a putaquepariu do shopping Morumbi, e enfrentar uma fila grande para isso. Fácil, não?

Queria lançar uma campanha pedindo preço justos aos ingressos de shows e espetáculos de teatro. Essas empresas que hoje possuem exclusividade para vendas desses ingressos praticam uma extorsão absurda. Isso porque o povo paga. Alguém discorda?

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comentários
  1. pilas disse:

    gosto não se discute

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  2. Rodrigo disse:

    Brother, por isso eu defendo a criaçao do bolsa show, onde todo cidadao brasileiro terá uma verba destinada a ir a shows de seu interesse!!!
    Votem em mim!!!
    Agora… deixando de lado o protesto humoristico, como eu nao cago dinheiro, realmente fica dificil.

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  3. punkdoc disse:

    Por isso que eu desisti dessa vida de ir em mega show. Show agora só frequento no underground. Dos medalhões eu vejo o DVD.

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  4. Arthur Episcopo disse:

    Infelizmente essas empresas tomaram conta do mercado não só aqui no Brasil, pois já li queixas sobre o aumento absurdo do preço dos tais “megashows” no mundo inteiro…
    Aqui ainda juntam ao valor de “primeiro mundo” um serviço da qualidade mais rasteira possível!
    A idéia de boicotar esses shows já me passou pela cabeça, mas o risco que corremos é o de não voltarem mais… Afinal é muito mais barato se deslocar pelas estradas européias ou americanas, sem ter que fretar Jumbos para levar todo o equipamento.

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