Vencedores e Perdedores

Publicado: 12 de abril de 2010 por Kzuza em Comportamento
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Sábado teve jogo. Aliás, um jogaço. São Caetano contra Rio de Janeiro. Ou Blausiegel contra Unilever, para não deixar os patrocinadores de fora. Semi-final da Superliga Feminina de vôlei. A série estava empatada em 1×1, cada time tinha vencido um jogo em seu domínio, e o desempate seria na cidade maravilhosa, devido à melhor campanha na fase classificatória.

E deu Rio. Com sobra, apesar dos 3×2. Mas jogaram demais e mostraram porque são hexacampeãs, e porque vão à sua sétima final consecutiva, junto com o Sollys Osasco. Ruim para as meninas do São Caetano, e para mim, que torci muito por elas esse ano. Fui a quase todos os jogos em São Caetano esse ano, e gostei muito do que vi. Pena que elas enfrentaram um adversário que foi melhor.

Mas aí você me pergunta: Pô, que papo é esse? Escrevendo sobre um time que perdeu?

Eu explico. Porque o destaque aqui não está para os times, mas para as torcidas. E aí sim posso dizer, porque acompanhei do início ao fim, que São Caetano deu de goleada em cima do Rio de Janeiro. Porque aqui sim a torcida foi muito superior. Talvez não em tamanho, talvez não em barulho, e nem sei se em lealdade com o time (muita gente só apareceu no último jogo). Mas a torcida do ABC paulista foi muito superior em educação e em respeito. Às jogadoras do time local, e a todas as adversárias, pois todas são profissionais.

O que se viu na cidade do Rio de Janeiro foi um total desrespeito às jogadoras da equipe paulista. Insultadas pela torcida. Ofendidas. Para se desestabilizarem. Como se a equipe do Unilever precisasse disso para vencer. Como se não bastasse a qualidade das jogadoras em quadra para ganhar a partida. Mas o povo carioca, que talvez devesse ser um pouco mais receptivo, humilde e solidário, principalmente após as tragédias da semana que se passou, mostrou seu lado mais cruel. Mostrou o que foi o Panamericano de 2007, e o que serão as Olimpíadas de 2016. Ofensas aos adversários. Desrespeito pelo trabalho dos demais, sendo que todos são iguais.

Ao final do jogo, a jogadora Mari disse em entrevista que não sabia porque a torcida estava a tratando daquela forma. Ela, que reagiu às provocações, disse que não tem “sangue de barata”. E se mostrou sensata, perguntando: “E se amanhã eu vier jogar aqui? O que eles vão dizer de mim?”.

As provocações saíram das arquibancadas e invadiram a quadra. A própria levantadora Dani Lins, atual titular da nossa seleção brasileira, também falou o que não devia. E foi filmada. Justo ela, que na sequência irá jogar ao lado de Mari e Sheila, defendendo as cores do país. Então, o que falará?

Mas é isso. O esporte é feito de vencedores e de perdedores. E o voleibol do Rio de Janeiro foi sim vencedor, mas toda sua torcida saiu derrotada. Mais um caso de um time que não tem a torcida à sua altura.

E para fechar, um som que transmite bem isso: Social Distortion – Winners and Losers

[YOUTUBE ahref=http://www.youtube.com/watch?v=f1u5fOJCgh0]

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comentários
  1. Ótimos textos, gostei. Agora que descobri um outro blog que escreve aleatoriamente como o meu e não tem teto de vidro, nem rabo preso com ninguém, vou acompanhar com afinco.
    Boa noite e abraços.

    Meu blog:
    http://muquenapolenta.wordpress.com/

    Curtir

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