Pobre São Paulo!

Publicado: 24 de março de 2010 por Kzuza em Cotidiano, Política
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Quem vive em SP (entenda-se região metropolitana, ou Grande SP) sempre teve a impressão de que a cidade era um paraíso para se trabalhar, mesmo que não se fosse um excelente local para se viver.

Acontece que, com o passar do tempo, SP não tem se mostrado mais um bom lugar para se trabalhar, mas sim um bom local para ganhar dinheiro. Isso porque cada dia está mais difícil de se trabalhar aqui. Aliás, qualquer coisa que se tenha que fazer fora da sua casa tem sido um tormento.

O trânsito te impede de ir rápido (leia-se: em menos de meia-hora) a qualquer lugar que fique a mais de 1 km da sua casa. E não, isso não é força de expressão.

Se você necessita de transporte público, ou então prefere o coletivo a ficar parado sentado ao volante do carro, é melhor começar a rezar. Primeiro, reze para que exista uma estação de metrô próxima à sua casa ou ao local de destino. Já é um alento, porque esse ainda é o meio de transporte menos terrível da cidade. Caso contrário, reze para morar em algum lugar atendido por boas linhas de ônibus, o que é cada vez mais raro em toda a região metropolitana. Quem mora fora da cidade de SP sabe bem o que estou falando.

E aí o governo inaugura novas estações de metrô. A linha toda fica mais extensa, contemplando novas regiões da cidade. Mas o número de trens na linha não aumenta proporcionalmente, o que faz com que os intervalos entre trens fiquem maiores e…. bem, você pode imaginar. Ah, você achava que esses trens novos seriam adicionados ao já existentes? Não, estão substituindo os antigos. Pelo menos é alguma coisa.

Então criam-se novas faixas de rolamento na Marginal Tietê. Mais espaço para o congestionamentos. Mais espaço para a tuma ficar ali paradinha, lado a lado. Quem sabe agora sobre espaço até para a galera montar uma mesinha de truco.

Você sai mais cedo de casa e volta mais tarde a cada dia. Pense nisso.

E tem gente que se orgulha de SP ter de tudo, 24 horas por dia. Bem, do jeito que as coisas andam, essa é a única forma de sobrevivência. Porque se uma loja ou um serviço fecha às 19h, e você precisa dele, não conseguirá chegar até lá, a menos que trabalhe do lado.

Porque a cidade não tem mais como crescer. E ninguém se preocupa com isso. Ninguém está nem aí para o crescimento populacional e para a migração de pessoas para cá. São Paulo tem cada vez mais gente e cada vez menos paulistanos. Inflando a cidade. Que perde a identidade a cada dia. Um povo sem cara, com todas as caras. Que se orgulha de… de… de que mesmo?

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comentários
  1. Eu não moro na cidade de São Paulo, moro no ABC paulista. Mas trabalho aqui e tenho de cruzar a cidade todos os dias. É terrível. Não existe mais horário tranquilo, todos os horários são horários de pico. A cidade está inchada demais, tem gente demais. Gente que não sabe de onde veio nem pra onde vai. Apenas nômades que pouco se importam se essa cidade vai quebrar amanhã ou daqui a 100 anos. Enquanto a grana der pra cachaça e pro forró, vão levando a vida. O caso é mais ou menos assim: imagina que eu sou de “Kuvaslândia” e lá os costumes são diferentes. Lá as pessoas têm tempo de sobra para curtir seu dia, não precisam correr. Lá todos gostam de música alta, o trânsito não tem muitas regras nem muitos carros. Kuvaslandia é um lugar de festa e gente feliz. Mas Kuvaslandia tem seus problemas e eu resolvo sair de lá. Resolvo ir pra “Zuzapolis”. Em Zuzapolis a vida é bem diferente. O trânsito é intenso, as pessoas são mais sérias e a vida é muito corrida. Não sobra tempo pra festas, mas, em compensação, o povo é bem organizado e respeita o direito e a privacidade do outro. Sabe que sua liberdade começa onde acaba a do próximo. E eu, que tenho costumes completamente contrários aos de “Zuzapolis”, quando chego na cidade, não me preocupo nem um instante em seguir a cultura local. Continuo vivendo minha vida como sempre fiz e a cidade que se adapte a mim. Obviamente, sofrerei preconceito, serei hostilizado e mal visto. Mas, e daí? Melhor assim e com a grana pro forró e pra cachaça do que em minha terra feliz mas sem ter o que comer. Sofro por algum tempo, mas aviso aos meus conterrâneos sobre as boas condições de Zuzapolis e convido-os a morarem em minha pequena casa, que aluguei com o pouco que me sobra. Mas, como meus conterrâneos morarão comigo, o aluguel ficará mais barato. Depois de mais um tempo e minha casa já muito cheia, outros conterrâneos começam a chegar a Zuzapolis e vão alugando outras pequenas casas para dividirem entre eles. Logo, temos em Zuzapolis uma nova Kuvaslândia, pronta para nos servir até que esgotemos seus recursos.

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  2. Rodrigo disse:

    Vivo em Sao Paulo desde que me conheço por gente e aprendi algumas regrinhas basicas para que o transito nao consuma minha alma, e vou compartilhar com voces:
    -Nunca ir em shoppings ou arredores em vespera de natal e nem tentar descer a serra nesse periodo (no feriado pode descer, pois a maior parte da muvuca ja desceu)
    -Morar perto de metro e usa-lo para tudo
    -Evitar passar na frente de escolas no dia da eleiçao
    -Procurar nao sair de casa em dia de chuva, etc

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  3. Mathias disse:

    Compre uma moto! rs
    Claro, calcule o seu risco!
    Mas parado em trânsito você não fica mais.

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  4. pilas disse:

    Belo texto! Estacionar na rua, é impossivel também, e também não é força de expressão. Cresceu demais, tem gente demais. Basta um fds que vc passe em outra cidade “comum” como Campinas (só um exemplo), que não é pequena. Existe vida normal; uma cidade com numero de habitantes aceitável, vc consegue ir em um lugar longe, em 10 minutos de carro, pq tudo flui. Aqui já não mais. Mesmo se vc depender só de metro, está complicado, muita gente, muita fila. tá foda,

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