Coragem

Publicado: 23 de março de 2010 por Kzuza em Divergência de opiniões, Política
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Há algum tempo eu queria escrever um pouco sobre política aqui e alguns novos pontos de vista que passei a ter. Ontem, depois de ter assistido ao programa CQC na Rede Bandeirantes, resolvi que essa era a hora.

Durante muito tempo acreditei que as pessoas mudavam. Acreditei que a mudança das pessoas podia levar a uma mudança na sociedade. Acreditei que existiam pessoas bem intencionadas. Acreditei que todo mundo tinha vontade de estudar, vontade de trabalhar, vontade de fazer o bem.

Tirei meu título de eleitor em 1997. Votei pela primeira vez em 1998, nas eleições para Presidente da República e Governadores. De lá para cá, foram 6 eleições. E eu sempre acreditei que pudesse escolher alguém diferente. Alguém que representasse os meus interesses. Alguém que pensasse parecido comigo. Alguém que estivesse disposto a fazer o bem, sem se preocupar com o retorno.

Sei, fui um idiota durante todo esse tempo. Mesmo que todos me dissessem o contrário, eu acreditei. Acreditei que na política pudesse existir uma ou outra boa alma. Alguém que salvasse a espécie. Eu sei que o nosso povo é uma merda, que ninguém gosta de trabalhar, que brasileiro é preguiçoso por natureza, que adora dar um jeitinho pra tudo, que adora tirar vantagem em tudo, mas tem lá sua meia dúzia que fogem da regra. Então por que não acreditar que 1 dessa meia dúzia pudesse estar na política?

Infelizmente, depois de todo esse tempo dando murro em ponta de faca, cheguei à triste conclusão de que o que me diziam era verdade. Aquele cara que eu achei que pudesse salvar a espécie não existe. Não existe porque a podridão já está instaurada. É tolice achar que um vidro de perfume francês no meio de uma tonelada de bosta possa fazer o cheiro ficar bom. E o tal jogo de interesses, já comentado por mim aqui, é muito grande. Então ninguém se salva. Ninguém.

Esse ano vou votar porque sou obrigado. Mas vou votar nulo. Nulo porque não perco tempo decorando o número de alguém. E esse ano são muitos números para decorar. E não fará diferença. Deixei de acreditar que meu voto pudesse fazer a diferença, porque não faz. Isso é idiotice, papo de piegas, papo daqueles “politicamente corretos” hipócritas. Para fazer você votar no mais bonitinho, no mais cheirosinho, no mais limpo dos frascos. Para se enfiar no monte de bosta. Ou seja, não fará diferença nenhuma.

E é simples. É porque o povo não muda. Porque não querem que mude. E assim fica fácil. Não é você que vai mudar nada, e nem eu. Nem se formos candidatos e se formos eleitos. Não mudaremos nada. Porque o câncer é maior do que tudo. A merda já está toda espalhada, e você aí achando que sua gota de Channel pode ajudar a mudar alguma coisa. Esqueça. Esqueça esse papo de Internet, que tenta sensibilizar todo mundo. Sendo que a Internet só atinge 30% da população brasileira. E que desses que tem acesso, 90% são analfabetos funcionais. Que não entendem. Que não mudam. Que farão com que o esforço daquela meia dúzia seja em vão.

O CQC ontem mostrou ter coragem. Coragem para mostrar que o coronelismo instaurado em Barueri desde que eu me conheço por gente, dominado por Gil e Furlan, parceiros eternos, mostra-se também vulnerável. E não é porque Barueri se tornou o 8o PIB do país, porque hoje é uma cidade limpinha e cheirosinha, que esses políticos se tornaram pessoas boas. O despreparo é visível. O poder está acima de tudo, e não o interesse coletivo. Porque os outros são babacas, como disse o prefeito.

Seria ótimo um país com 30 milhões de Danilos Gentilis, Rafinhas Bastos e Marcelos Tas, que não tem medo da verdade. Que encaram. Que lutam. Mesmo que seja pela audiência, mas o ponto principal é o interesse coletivo. Porque eles não precisam do programa de TV para sobreviver. Mas porque é legal mostrar a podridão. É legal lutar. É legal mostrar que, como diz o Marco Luque, “aqui ninguém tem troxa não”. Aí sim eu tornaria a acreditar. Aí sim eu votaria em alguém. Aí sim o mundo podia ter jeito.

É uma pena que esses daí, assim como eu e alguns leitores desse espaço, façam parte só da meia dúzia.

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comentários
  1. Daniele Gandolfi disse:

    Seu texto é muito bom, mas é também extremamente apocalíptico! Então, vamos todos nos matar? Cada merdinha que faz parte dessa grande privada foi escolhida por nós. Quanto menos pessoas conscientes, como você, votando, menores são as nossas chances. Faz mais sentido votarmos: Votarmos para não reeleger ninguém!

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  2. Mathias disse:

    PORRA, DEMOREI!
    Mas blz, ontem assisti ao programa, nossa, pura frustração.
    É rir para não chorar. Ninguém tem vergonha na cara, esse é o problema da mentira, sustenta-lá é muito difícil.

    “Mentiras são como crianças, dão trabalho, mas o futuro depende delas!”

    Essa frase é dita pelo Dr.House, um seriado da Universal CHannel… EU SOU VICIADO!!!

    Toda Quinta-feira as 23:00

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  3. Rodrigo disse:

    Zuza, nao sei me incluo na meia duzia que vc mencionou pois vez por outra me sinto do lado negro da força. Assim como o amigo “acima”, ja votei no sr. Nulos, no sr. Brancos e infelizmente me faltou criatividade nas 2x que a urna eletronica quebrou para votar na Xuxa ou no Dourado (BBB10 – eu assisto!!!!). Sei que é a forma de protesto mais imbecil do mundo, mas sendo uma forma imbecil de protesto ja me sinto mais situado dentro da populaçao. “Ultimamente” ando sem tesao/paciencia para esse papo de eleiçao.

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  4. eu já votei nulo e já votei em candidato. Procuro fiscalizar o sujeito que eu votei, mas de nada adianta vc não saber o que ele faz enqto ninguém vê. É realmente difícil ser honesto no Brasil. Há quem tente, mas se perde no meio da merda. E, não, eu não acredito que isso vá melhorar um dia, porque está na cultura do brasileiro se dar bem em cima dos outros. A lei do mínimo esforço do comodismo. Mas, mesmo assim, acho que o grande problema está na escola e no berço. Na educação que nossos filhos recebem e que nós recebemos. É tudo um ciclo, uma imensa bola de merda. É mais cômodo deixar que o mundo ensine os filhos, o problema é que o mundo está podre. Eu não assisti o CQC, mas ouvi comentários. Acho que a escola onde ocorreu o fato é bem a imagem do país: dirigido por gente sem dignidade. Lembre-se do nosso presidente do Senado, o coroné Sarney.

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