Crianças

Publicado: 26 de fevereiro de 2010 por Kzuza em Cotidiano, Divergência de opiniões
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Hoje uma amiga minha me contou que comprou um novo tênis para o filho porque ele se recusou a ir a uma festa com o outro tênis dele (também novo, por sinal) que estava fora de moda. Ele queria um da moda, igual ao que todos na escola tinham, senão não iria a festa.

Ela também comentou que não ia contar para o filho que havia esquecido de trocar o jogo de videogame dele que não havia funcionado. Já fazia uma semana que ela estava para fazer isso e não se lembrava. Ela ia mentir para ele, dizendo que havia trocado, porque se contasse a verdade ele ia ficar bravo e chorando.

Aí lembrei desse texto aqui, que meu amigo Paulo Ferreira me encaminhou, e do qual eu desconheço o autor:

Recentemente a Rádio Bandeirantes levou ao ar uma série de reportagens sobre o velho problema das drogas.

Vários profissionais da área foram ouvidos e, infelizmente, pelas considerações feitas, ficou entendido que grande parte da responsabilidade pelo uso de drogas na adolescência, recai sobre os ombros dos pais.

O que geralmente acontece, é que os pais não observam algumas noções básicas para se formar um indivíduo consciente das suas responsabilidades e resistente ao apelo das drogas.

Pensando em fazer o melhor, os pais começam por isentar os filhos de qualquer obrigação.

Para poupá-los, executam as tarefas que lhes dizem respeito.

Quando os filhos são pequenos os pais se desdobram para fazer tudo, providenciar tudo para que nada lhes falte e para que não tenham que enfrentar frustrações nem quaisquer dificuldades.

Se pudessem, os pais os poupariam até mesmo das enfermidades, dos pequenos tombos, das dores, dos arranhões…

Quando a criança começa sua jornada na escola, os pais as acompanham e carregam a sua mochila e, alguns, até fazem as lições de casa para poupar possíveis reprimendas de seus mestres.

E assim a criança vai crescendo num mundo de ilusões, pois essa não é a realidade que terão que enfrentar logo mais, quando tiverem que caminhar com as próprias pernas.

Imaginemos alguém que nunca teve oportunidade de dar alguns passos, que sempre foi carregado no colo, que forças terá para se manter de pé?

É evidente que essa criança, quando chegar na adolescência, não terá estrutura nenhuma.

Diante da primeira dificuldade ficará vulnerável como uma flor de estufa aos primeiros golpes do vento.

Ela não aprendeu a suportar frustrações, pois os pais as evitaram o quanto puderam. Ela nunca teve nenhuma responsabilidade a lhe pesar sobre os ombros.

Jamais sofreu uma decepção e sempre teve a razão a seu favor, até mesmo nas pequenas rixas com os amiguinhos da infância.

Crianças criadas assim, não estão preparadas para pensar, nem para sair de dificuldades, nem para resolver problemas. Sempre esperam que alguém resolva tudo por elas, pois essa foi a lição que receberam dos pais ou responsáveis.

Mas, afinal de contas, quem é que pode passar pelo mundo isento de dificuldades?

Isso é impossível, em se tratando do nosso mundo.

E o problema está justamente quando a criança, agora adolescente, sofre seu primeiro solavanco, que pode até não ser tão grave, mas é suficiente para abalar sua estrutura frágil, agora longe do olhar vigilante dos pais.

Psicólogos e psiquiatras, entre outros profissionais que se pronunciaram na referida reportagem, aconselham que os pais evitem que seus filhos venham a usar drogas, dando-lhes uma educação consciente, que prepara o indivíduo para viver no mundo real e não num mundo ilusório por eles idealizado.

É preciso que os pais repensem essa forma de amor sem raciocínio, esse amor permissivo, bajulador e sem consistência. É preciso permitir que os filhos andem com as próprias pernas, amparando-os sempre, mas deixando-os fortalecer os próprios “músculos”.

É preciso deixá-los enfrentar pequenas frustrações, como não ganhar o brinquedo igual ao do filho do vizinho, por exemplo. Como não ganhar o álbum de figurinhas que todos os colegas da escola têm.

Educar é a arte de formar os caracteres do educando, e não de deformar.

Assim, se você é pai ou mãe e tem interesse em manter seu filho longe das drogas, pense com carinho a respeito das recomendações que lhe chegam.

E, acima de tudo, doe muito amor e atenção aos seus pequenos, pois quem ama, verdadeiramente, ensina a viver e não faz sombra para impedir o crescimento dos seus amores.

Se você quer que seu filho tenha os pés no chão, coloque responsabilidades sobre seus ombros.

Se você quer que seu filho resista aos vendavais da existência e ao convite mortal das drogas, permita que ele firme suas raízes bem fundo, mesmo que para isso tenha que se dobrar de vez em quando, como faz a pequena árvore enquanto seu tronco está em formação.

Não tenho filhos. Não tenho intenção de tê-los porque acho isso muita responsabilidade, e de uma dificuldade tremenda. Só para quem pode. Só para quem tem o dom. Talvez um dia. Por isso é injusto julgar a educação que cada um decide dar para seus filhos. Por isso eu não sei o que é certo e o que é errado nesse tipo de educação.

Mas achei esse um dos melhores textos que já li até hoje. E é examente o que meus pais me ensinaram.

Não posso dizer que tive uma infância fácil, mas também não foi difícil. Minha mãe parou de trabalhar depois que casou. Meu pai não teve curso superior, mas sempre teve empregos razoáveis. Tínhamos condições favoráveis de vida, tomando como base o resto do país. Mas nunca tive luxo. Nunca tive o melhor videogame. Nunca tive um autorama, nem um carrinho de controle remoto, nem tênis de marca, nem roupa de marca. E nem nunca tive ninguém dentro de casa fazendo nada por mim. Meus tombos durante a vida, tive que resolver sozinho. Eles sempre estiveram lá do lado, apoiando, mas nunca me carregando. Com carinho, sem mimos. E acho que isso me preparou para o mundo.

Continuo sendo um bosta. Um cagão. Não sou rico. Não sou um executivo. Não tenho o melhor emprego do mundo. Não sou famoso. Mas se caio, sei me levantar. E acho essa a melhor lição que pude receber dos meus pais.

Update: Atualizando os créditos do texto original:

Enviado por: “Marina Cassino de Almeida” queiroz@dicas-l.com.br rubens_queiroz

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