Original do blog http://carmenmigueles.blogspot.com.br/

Eu fui convidada para falar para um grupo de jovens e crianças na Igreja da Ressureição, em Copacabana. A maioria delas da comunidade do Pavão Pavãozinho.  Perguntei: vocês são livres? Todos concordaram que não. A razão pela qual acreditavam não ser livres era porque não podiam ter e fazer tudo o que queriam. Não era esse o entendimento de liberdade que me interessava. Porque não é possível para o ser humano esse tipo de liberdade. Eu gostaria de voar. Sonho antigo da humanidade. Mas não posso. Isso não reduz a minha liberdade.

Mudei a estratégia. Falei sobre vários líderes empresariais brasileiros que quando começaram a sua história eram tão pobres quanto eles. Não é difícil achar. Esses são muitos em um país de imigração e industrialização recentes. Perguntei: o que vocês acham que eles fizeram para conseguir tanto sucesso? Eles responderam: deram sorte, roubaram ou enganaram alguém ou alguém ajudou; Eu estava tentando demonstrar que é possível mudar a própria vida se a pessoa se organiza para isso e persevera nas suas intenções…. Estava difícil.

Tive uma ideia: recorri à antiga metáfora do anjinho falando em um ouvido e o diabinho falando no outro. Perguntei: o que o anjinho fala em uma orelha? Um menininho de uns 9 anos disse: ele diz para eu tomar banho.

– Você toma?

– Não….

– O que o diabinho diz?

– Ninguém vai me cheirar mesmo….

– Mas quem quer seu bem?

– O anjinho…. Se eu não tomo banho fico cheio de pereba….. Mas eu não gosto muito de banho……

Quem mais quer contar uma história? Outro menino, agora com uns 14 anos, começa:

– O anjinho diz para eu ler e estudar.

– Você lê e estuda?

– Não.

– Mas porquê? O que o diabinho diz?

– Não é diabinho não…. é um diabão desse tamanhão…. É meu game…. vou estudar ele diz: você está quase passando da fase….. Meu pai grita: menino, desliga esse negócio e vai estudar….. o diabão diz: nem liga…. daqui a pouco ele tá babando no sofá…..

Falamos sobre a liberdade como a capacidade humana de escolher entre coisas melhores e piores…. Eles acharam esse exercício muito difícil. Não estão sozinhos. O peso da liberdade é mesmo difícil de carregar…. Ser livre é ser dono das próprias escolhas e responsável pelas consequências…daí a sua importância. Essa era a razão pela qual estávamos ali. Em um grupo chamado, não sem razão, grupo da Perseverança. O objetivo é apoiar-nos uns aos outros nessa difícil tarefa. Pois embora difícil, tentar escapar dela é sempre pior….

Mudamos o exercício. Propus um teatro. Contei essa estória:

–  Eu sou um trabalhador ali da comunidade. Trabalhei minha vida toda e agora perdi o emprego. Recebi meu fundo de garantia e tinha algum dinheiro na poupança. Pensei: o que posso fazer? Pensei nas crianças da comunidade, em como era difícil descer para tudo, até para comprar um lápis. Decidi abrir uma pequena papelaria na varanda da minha casa. Trabalhei duro. Com o dinheiro que ganhava sustentava minha família. Aos poucos minha papelaria ficava conhecida e eu vendia mais. Procurava ter o melhor preço possível. As crianças não tinham muito. Ganhava meu dinheirinho, mas era sempre pouco e apertado. Mas como eu sabia o que elas precisavam e tinha um preço bom, comecei a prosperar. Nessa hora decidi colocar uma placa na porta: “Precisa-se de ajudante”. Disse para eles:

– Vocês precisam vir para a entrevista de emprego e me convencer a contrata-los.

O primeiro disse:

– Moço, sei que o senhor está procurando ajudante…. Que preciso de emprego. Minha mãe está doente, os remédios são caros… eu disse não.

O segundo disse:

– Eu tenho cinco filhos… minha mulher está gravida do sexto…. Não tenho como comprar comida. O senhor me dá esse emprego?

Eu disse não, infelizmente eu não poderia dar o emprego para ele.

O terceiro contou uma história pior, de doença e fome….

Eu disse não.

Então o menino disse: mas a senhora é ruim que é o cão, hein? O que eu preciso dizer para a senhora me dar o emprego?

– Que você é muito bom de matemática, pode me ajudar muito a melhorar o meu negócio. Seria melhor se você disse: – gostaria muito de trabalhar aqui. Sou muito bom de vendas. Tenho uma serie de ideias de como podemos crescer. Se eu conseguir fazer o seu negócio crescer, digamos, 50%, o senhor me dá uma sociedade?

Os meninos disseram: – Não, isso não pode dizer! O dono vai achar que você quer tirar vantagem dele!!!!

De onde veio essa crença? De que ser necessitado, dependente e sem ambições seria melhor do que ser capaz, altivo e propositivo? O que essa crença tem a ver com a falta de valor que o jovem dá para escola?

Ela vem de uma profunda visão de desigualdade e de que o interesse do pequeno empresário é diferente e oposto ao do seu funcionário. Essa crença está por trás da ideia de que trabalhar para ajudar o patrão a prosperar é uma forma de aceitar a própria exploração. É a visão de que numa sociedade de desiguais, em que para um ganhar outro tem que perder.

O pequeno empresário, se tivesse gasto seu dinheiro ao invés de investir, por medo do risco de fazê-lo, seria um igual. A coragem de correr riscos, trabalhar duro e tentar vencer parece colocá-lo em um outro lugar: no lugar dos fortes e poderosos que, por falta de escrúpulos, emprega alguém para enriquecer às suas custas. Ao não se ver como igual, o jovem não vê valor em unir forças e aproveitar que o outro acumulou algum dinheiro para partir de uma posição de maior vantagem em seu próprio esforço por empreender para construir algo melhor.

A visão de igualdade o ajudaria a perceber que se o outro está buscando ajuda é porque há mais trabalho do que ele consegue fazer sozinho. De que para um pequeno empresário como esse em uma comunidade, não deve ser fácil sustentar a família e pagar as contas. E que mérito está em ajudar o outro a ganhar ajudando-o a gerar mais valor para as pessoas que são clientes do seu negócio, nesse caso as crianças da comunidade. E que o estudo ajuda nesse esforço de prosperidade. Que liberdade, nesse caso, é a capacidade de enxergar alternativas e fazer as melhores escolhas para si mesmo, pois a soma das melhores escolhas individuais produz resultados melhores para todos, colabora para que juntos todos se beneficiem do esforço de cada um.

A visão de desigualdade faz com que o jovem ache que emprego é caridade. Que o empregador, já sobrecarregado com a tarefa de cuidar da própria família e do próprio negócio deveria dar emprego para alguém que colocaria mais peso sobre os seus ombros. Nesse contexto ele não consegue enxergar o valor da sua contribuição. E não consegue fazer as melhores escolhas. Ele não entende o que queremos dizer quando afirmamos que o indivíduo é o único gerador de riquezas. Que o livre mercado é a maneira mais fácil de fazê-lo prosperar. E de que todos se beneficiam quando ele usa o máximo das suas competências. Temos muito trabalho a fazer. Precisamos da sua inteligência e da sua vontade para estarmos melhor no futuro. E ele não sabe do valor que tem.

Igualdade, liberdade e meritocracia pressupõe o esforço da subsidiariedade. Dessa capacidade de ajudar o outro a desvelar todo o seu potencial. Essa é a solidariedade que nos fará melhores. Se todos tentarem, será muito mais fácil cuidar de quem precisa. Eles serão em muito menor número e o conjunto dos cidadãos será muito mais prospero.

hidra

Hidra de Lerna

Se tem alguém que entende de multas de trânsito, tirando a máfia dos despachantes que agem como intermediários/facilitadores dos corruptos do setor, esse alguém sou EU!

Em 2015 eu praticamente gastei o valor do seguro do meu carro (que não fiz) + o valor da minha “jabiraca” (moto) com pagamentos de multas e atravessadores resolvendo problemas criados pelo próprio DETRAN-SP.

A burocratização, a corrupção e a celeuma desta Hidra cria um rio cheio de presas fáceis diariamente na Av. do Estado, n° 900, pessoas perdendo tempo produtivo para:

a) indicar condutores das multas recebidas,
b) emitir/renovar CNH,
c) recuperar veículos apreendidos,
d) resolver problemas de taxas/tributos antigos.

E acredite, obter informações que muitas vezes são incompletas, mais dúzias de outros procedimentos para resolver problemas criado pelo próprio departamento estatal.

Atenção! Se você pretende ir a algum departamento público vá preparado com no mínimo 2 cópias de seus documentos, boletos bancários, carteirinhas, certidões e comprovantes… alguns autenticados!!

Hoje, além de caro, é demorado resolver qualquer problema relacionado a veículos/trânsito em SP. Todo jovem – principalmente o mais pobre – que sonha em comprar uma moto ou um carro para ganhar horas preciosas do seu dia, ou ganhar um dinheiro como motorista/motoboy não consegue faze-lo sem perder muito tempo e dinheiro.

Uma CNH não sai por menos do que R$ 1800,00 e despende praticamente 3 meses (otimista) de tempo!

R$1800,00 motherfuck mangos… Porra! Minha “jabiraca” vale isso!!!

Quem tem grana paga um despachante, quem não tem vira escravo do transporte público, além de ficar fora de algumas opções do mercado de trabalho, e se perpetua nos tentáculos de programas sociais do estado.

Transitar em SP é uma tarefa quase criminosa. A cada 100 metros o olho vai instintivamente ao velocímetro, pois as velocidades permitidas não são mais compatíveis com a capacidade das vias. A cotidiana sensação de insegurança ao dirigir nas vias da cidade colide com a necessidade de obedecer regras que potencializam essa sensação.

Vivemos no dilema entre manter-se vivo e com a nossa propriedade… ou SER ROUBADO PELO ESTADO.

O que mais me espanta é a incapacidade das autoridades do estado – e da grande maioria da população brasileira – de perceber que quanto mais regras e leis moralmente questionáveis, mais se burla estas leis!

Quando as únicas leis são aquelas que todos consideram como corretas e válidas, elas tem uma grande força moral, quando se tem leis que as pessoas separadamente não consideram como corretas e válidas, elas perdem sua força moral.

Por exemplo:

Qual a objeção moral ao excesso de velocidade? Não estou dizendo que se possa ter uma objeção “prudencial” ao excesso de velocidade, você pode ter medo de ser pego. Mas parece ser imoral o ato de acelerar? Se for, é uma pequena minoria!

Qual a objeção moral ao transitar sem uso do cinto de segurança?

Perceba que da noite para o dia, aqui em São Paulo, milhares de motoristas tornaram-se foras-da-lei por transitar nas vias das marginais em velocidade superior a estabelecida, permitidas até então.

Hoje (04/2016) está aprovada uma nova regra de trânsito obrigando que se trafegue sempre com os faróis do veiculo acesos em rodovias. Será mais alguns milhares de contribuintes punidos por não cumprir tal regra.

Outro exemplo?

a) Um motociclista é penalizado com multa por pilotar com a viseira aberta, não importa se está calor e ele fica sufocado, não importa se está chovendo e a viseira embaça, não importa se ele está com mal-estar e precisa de ar no rosto. Não importa, a regra é clara, será penalizado conforme Resolução 453/13 do CONTRAN (Conselho Nacional de Trânsito), em seu artigo 3º, inclusive com suspensão da sua habilitação.

b) Se a lâmpada do seu farol queimou, não importa se aconteceu a um minuto, uma hora ou um dia, será penalizado com multa e suspensão do direito de dirigir por um determinado período, conforme artigo 244, IV CTB).

c) Se o seu capacete não tem um selinho específico (INMETRO) será penalizado com multa, suspensão e recolhimento da sua habilitação (conforme artigo 244, I CTB).

d)Todos nós, motoristas, somos obrigados a andar com um pedaço de papel como garantia de que os tributos/taxas foram recolhidos, mesmo que as diligências tenha ferramentas para consultar estes dados, nessa questão a prova de inocência é do acusado, uma inversão de justiça, que diz claramente que a prova de culpa é de quem acusa.

?? Quem são as vítimas desses crimes ??

São essas mesmas pessoas que nunca pensaram nem por um segundo em roubar um centavo de seu vizinho, mas não hesitam em passar no sinal vermelho na madrugada de Sampa.

Por quê? Porque enquanto um conjunto de leis tem um valor moral que as pessoas reconhecem, independente do governo ter aprovado essas leis, o outro conjunto de leis não apela ao instinto moral das pessoas.

Penso que seja importante que isso fique claro nas nossas mentes, para não cairmos na narrativa desonesta de que qualquer ato imoral tem o mesmo “valor”, a mesma “força”, pois tal retórica é usada para que criminosos do mais alto grau de periculosidade, e principalmente os mais sujos corruptos do governo, nos culpe pelos delitos cometidos por eles, comparando nossas condutas menores, essas que não tem apelo instintivo de moralidade, com seus próprios atos criminosos.

Por essa razão vemos ministros do Brasil justificando atos de corrupção em seu governo sob alegação “cultural” (Urgh!), comparando o comportamento do cidadão mal-educado que joga papel no chão, ou de um cidadão que para livrar-se de um policial rodoviário corrupto (pois tem poder para corromper) aceita se corromper pois esqueceu aquele papelzinho em casa e está a 500 Km de distância, e essa penalização lhe custará muito mais tempo e dinheiro.

Estamos vivendo em um tempo que para se fazer qualquer coisa deve-se ter permissão do estado, quando o certo seria o inverso

Deveríamos ter um estado que nos garantisse fazer o que quiséssemos, desde que se respeite direitos fundamentais de terceiros, como a VIDA, a LIBERDADE e a PROPRIEDADE!

A constituição deve representar não uma concessão de poder dos governantes aos governados mas uma delegação de poder feita pelo povo ao governo que criou!

 

Este vídeo é exemplar, veja: O que torna um país corrupto? (Milton Friedman)

Fui!

Mathias.

O Golpe dos anti-golpes.

Publicado: 29 de março de 2016 por Mathias em Sem categoria

Entenda de uma vez por todas como funciona a cabeça da esquerda-lulopetista!

Afinal, é ou não é um golpe?

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Não é golpe!

Eles participam das manifestações pró, mas se dizem contra.

Eles justificam tudo que há de ruim no governo petista dizendo que a oposição também é ruim.

Eles desqualificam a PF e a operação lava-jato usando falácias.

Eles se dizem a favor da democracia, mas não aceitam processos democráticos.

Quem são, como vivem, o que pensam…


 

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Vc é contra o governo, a favor da democracia e se diz contra o golpe?
… MAS não aceita o impeachment, um processo político e democrático, assegurado pela constituição, que está de acordo com todas as regras e está seguindo todos os ritos de forma legal.

Vc questiona as intenções do juiz Sérgio Moro e da operação lava-jato?
… MAS ignora o conteúdo, se esgueira sobre as dezenas de prisões, o resgate de alguns bilhões, desdenha por completo os méritos de todo o processo de investigação, ignora listas, áudios, delações. Prefere desqualificar pessoas, argumentum ad hominem primário.

Vc acusa a operação de “politizar” o judiciário?
… MAS silencia sobre advogados e acadêmicos petistas no STF e na AGU, não comenta sobre Lula cobrar gratidão pela nomeação do procurador-geral Rodrigo Janot, e ignora a nomeação de Lula como ministro, afim de obter foro privilegiado.
Ignora que o governo use como “ferramenta político” sindicatos, em detrimento dos interesses da classe trabalhadora que deveria representar.

Vc acusa a operação de “fins partidários”?
… MAS esconde os partidos por trás de todos sindicatos, organizações e movimentos sociais financiados para defender um governo corrupto que os financia.

Repudia que “os fins justificam os meios”?
… MAS, cala sobre o baixo calão, o machismo, o autoritarismo, o totalitarismo e a tentativa explícita de interferência nas instâncias independentes dos três poderes por Lula e demais envolvidos, tudo provado, gravado dentro da lei, vc participa de uma manifestação para ouvir e aplaudir Lula em palanque, tudo isso pra que? Para não negar a ideologia que acredita.
Não opina, não mostra indignação, não acha estranho, não se permite nem mesmo questionar fatos concretos de ocultação de patrimônio e de tudo mais que foi revelado aos quatro cantos.

Exalta os números, a grandeza da manifestação que participou, uma manifestação partidária com discurso de ódio, enquanto acusa a todos de golpistas, fascistas e tantos outros “istas” ao seu bel prazer.

Menospreza todos que pedem impeachment, que vaiam políticos da oposição, na maior de que todas as manifestações do Brasil, uma demonstração de que não tem CORRUPTOS DE ESTIMAÇÃO. (Collor, Maluf, Renan Calheiros, Jader Barbalho e alguns condenados… ovacionados como heróis)

USA RÓTULOS!

ELITE, gente ignorante, gente alienada, o anti-povo.

Não você… Você está do lado do povo, os 6 milhões, ou 5, ou 4 milhões que saíram no dia 13 são o anti-povo.
Você sim, pensa no bem da nação, enquanto os que batem panela só querem manter o status quo, são reaças-conservadores-preconceituosos-fascistas.

Não defende o governo… mas apóia manifestação pró.
Não defende o governo… mas todos os atores que apoiam o governo participam da mesma manifestação.
Não defende o governo… apenas se manifesta “em favor da democracia”.

Acusa tudo de fascista, mas pede estado em tudo.

TODOS SÃO GOLPISTAS!

As revistas são golpistas (menos CartaCapital, Caros amigos, Brasileiros)

Os blogs são golpistas (menos DCM, brasil247, Conversa fiada, o cafezinho, viomundo, revista fórum…)

As emissoras de TV são golpistas (menos a TV Brasil)

A Globo é golpista (menos o Zé de Abreu, Jô, Paulo Betti, Cristiana Lobo, Burnier, Arthur Xexeu, Mário Sérgio Conti, Pontual, Barbara Gancia, …)

A mídia em geral é golpista (menos aqueles que defendem o governo).

Humoristas são golpistas (menos Adnet, CQC, Greg Duvivier)

Jornalistas são golpistas (menos Safatle, Mino Carta, PHA, Luís Fernando Veríssimo, Mônica Bergamo, Nassif, Miguel do Rosário, Leonardo Attuch, Renato Rovai, Leonardo Sakamoto, Laura capiglione, Anselmo Góes, … )

Acadêmicos são golpistas (menos Cortella, Renato Janine, Marilena Chauí…)

O judiciário é golpista (menos aqueles que julgam em favor dos interesses do governo).

A oposição é golpista (menos o PSOL, PCdoB, PSTU e PMDB “por enquanto”).

O povo é golpista (Menos “eu”… e meus companheiros, nós defendemos o governo, mas falamos que defendemos a democracia). Quem bate panela e quem vai as ruas contra o governo é golpista, não é povo é o “ANTI-POVO”.

Economistas são golpistas (menos os desenvolvimentistas e keynesianos da Unicamp)

Delcídio é golpista (hoje, antes era o líder do governo).

Renan Calheiros é golpista (após 28/03, antes era aliado).

OAB é golpista (após 26/03, antes era aliada).

Empresários são golpistas (menos aqueles que se beneficiam dos subsídios do governo e contribuem legalmente com nossas campanhas com os excedente de contratos superfaturados).

Jovens estudantes são golpistas (menos os da UNE e UJS).

O Fernando Holiday é golpista (menos os demais negros dos movimentos negros que apoiam e buscam privilégios do governo).

As mulheres são golpistas (menos aquelas ‘grelo duro’, que aceitam nos servir para destruir reputações e criar fanfics). Já quem nos trai, como Marta Suplicy, deve ser xingada pra “aprender o que é bom”.

Os pobres são golpistas (menos os que aceitam participar das nossas manifestações por R$30,00). O resto não sabe que é explorado.

O impeachment é golpista (menos o do Collor e do FHC)

A direita é golpista (menos o Maluf, Collor, Sarney, Renan Calheiros, Jader Barbalho e os demais que estão do meu lado).

Todos são golpistas!

Menos aqueles que me servem para continuar no poder e implementar experiências sociais totalitárias através das regras democráticas, não me importo que essas experiências causaram milhões de mortes pelo mundo, pois eu acredito que dará certo agora.
Não me importo com o passado, apenas me importo com o futuro, por isso mesmo não tenho compromisso com nada nem com ninguém, nem mesmo com a minha consciência. Posso vender sonhos cheios de boas intenções e a humanidade futura que sofra com meus devaneios.
Sou um revolucionário!

SE TUDO É GOLPE, ENTÃO…

Não é golpe… Nomear para o ministério da justiça pessoas com o intuito de travar operações da PF.

Não é golpe… Incitar no palanque o confronto aberto entre as pessoas composição política contrária.

Não é golpe… Cobrar postura conivente de procuradores nomeados no seu governo.

Não é golpe… Dizer que ministros do supremo são frouxos.

Não é golpe… Chantagear familiares de senadores presos para que o mesmo recue nas delações.

Não é golpe… Articular a pauta jornalistica com redatores de revistas pagas por publicidade do governo.

Não é golpe… Dizer que afastará toda equipe policial se houver cheiro de “vazamento” mesmo sem provas

Não é golpe… Emitir um documento assinado para servir de arma contra prisão.

Não é golpe… Usar o espaço público do planalto para reuniões com pessoas que tem viés ideológico totalmente parcial, cujo objetivo é somente manipular a opinião pública.

Não é golpe… Financiar artistas em troca de apoio político.

Não é golpe… Incitar mulheres a combater opositores pelo simples fato de ser oposição.

Não é golpe… Criar neologismo para termos chulos e machistas, manipulando a língua e enganando incautos.

Não é golpe… Usar sindicatos como instrumento político, em detrimento aos interesses da classe que deveria representar.

NADA É GOLPE!

FUI!

Mathias.

Chegou a hora de mudar – Parte 4

Publicado: 28 de março de 2016 por Kzuza em Política
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Como vocês devem se lembrar, na parte 3 desta série de posts eu havia dito que a origem da maioria dos problemas reside em nós mesmos. Porém, antes de assumir qualquer coisa, eu resolvi criar uma enquete que pudesse, de alguma forma, comprovar a minha tese. Sim, eu sei que essa enquete não possui valor científico e uma amostragem relevante, mas mesmo assim ela diz bastante coisa. E vocês, amigos, familiares e conhecidos, que responderam a essa enquete, não decepcionaram. Eu tinha a previsão de ter umas 50 respostas no máximo, mas chegamos à 78! Um número relevante para este blog, cuja média de visitas é de 15 por dia. Chegamos à quase 200 visitas desde que a enquete foi publicada, o que mostra que aparentemente algumas pessoas preferiram não responder à enquete.

Vamos ao que interessa. Abaixo, o resultado da enquete:

pesquisa


Análise do Zuza

O resultado é exatamente o que eu já previa inicialmente. Educação é, disparado, a preferência nacional! Mas o que mais me chamou a atenção, de verdade, é:

1 – As pessoas se preocupam mais com a desigualdade do que com a pobreza. Apenas 1 indivíduo, apenas uma única boa alma acha que reduzir a pobreza é mais importante do que reduzir a desigualdade! Ou seja, para 18 pessoas, uma nação onde todos fossem pobres, sem ter o que comer, mas que todos fossem iguais, seria melhor do que uma nação com pobres e ricos, mesmo que os pobres tivessem condições de vida melhores que as de hoje. Essa é uma leitura pessoal, e eu tenho certeza de que muitas pessoas que responderam que a desigualdade deveria ser prioridade não se dão conta desse equívoco. Lembrei de uma frase que li outro dia: “Nunca vi ninguém morrer de desigualdade, mas já vi muita gente morrer de pobreza”.

2 – Ninguém considera que garantir moradia e terra aos mais necessitados seja uma prioridade. Isso mostra que, teoricamente, as causas do MST e de outros movimentos sociais que lutam por moradia não possuem um apoio social assim tão relevante. Você então já parou para se perguntar o porquê desses movimentos possuírem força política tão grande com o atual governo?

3 – As pessoas priorizam os direitos positivos. 48 pessoas, ou cerca de 62% da nossa amostragem, escolheram os tópicos educação, saúde e transporte público. Talvez muito devido à nossa constituição, de 1988, as pessoas tenham a impressão de que esses três serviços sejam, naturalmente, um direito do cidadão e um dever do Estado. Não, eles não são naturalmente um direito. Eles tornaram-se um direito graças a uma constituição, graças a leis que alguém criou para que eles nos fossem fornecidos pelo Estado. Eles não nascem do nada, não são criados do nada. Alguém precisa nos fornecer isso. Alguém precisa criar essa oferta. Esses serviços deverão ser prestados por pessoas comuns, como eu e você. Ou seja, alguém irá precisar trabalhar e se esforçar para nos oferecer esses serviços. Isso é chamado de direito positivo, ou seja, demanda o esforço, tempo e dinheiro de alguém para que me seja oferecido de alguma forma. Direitos positivos são o oposto de direitos negativos, que são aqueles naturais, e que nos são garantidos pelo simples fato de alguém não fazer absolutamente NADA. Quer um exemplo? “Todo cidadão tem o direito à vida”. Quer outro? “Todo cidadão tem o direito de ir e vir”. Esses direitos são garantidos simplesmente se ninguém nos impedir de nada. Se ninguém atentar contra a minha vida, meu direito à vida está garantido. Se ninguém impedir meu acesso e minha locomoção deliberadamente, meu direito de ir e vir está garantido. É simples assim. Guardem bem essa lição para os próximos posts.


Agora, o principal de todos, e o que demonstra (de forma simplista, eu sei) que minha teoria (a qual será elaborada em mais detalhes nos posts seguintes) está correta:

4 – Apenas 14% considera a vida, a propriedade e a liberdade como mais importantes! Sim, meus amigos, em números absolutos, apenas 11 indivíduos acham que a prioridade do governo é garantir a vida do cidadão (um direito negativo, lembra?), sua propriedade (e aqui estão inclusas as propriedades materiais – bens, poupança, etc. – e intelectuais – ideias, opiniões, etc.) e, não menos importante, sua liberdade. Eu poderia ser radical ao ponto de entender que a maioria das pessoas (86%) seria capaz de abrir mão da sua vida e/ou da sua liberdade em prol do seu fator de prioridade escolhido (educação, saúde, transporte, redução da desigualdade ou da pobreza), mas a pergunta da enquete não foi: “Se você tivesse que escolher um único tópico abaixo, qual escolheria para ser atendido?”.


Isso mostra um ponto extremamente importante que é abordado por pouquíssima gente, seja no meio acadêmico, seja nas mídias, seja nas redes sociais. A maioria esmagadora da nossa população enxerga o governo, em primeiro lugar, como provedor de serviços e benefícios à população, e não como um garantidor dos direitos básicos e naturais dos seres humanos. E minha tese reside exatamente nesse ponto: quanto mais serviços e benefícios (direitos positivos) exigimos de um governo, mais demandamos dinheiro e pessoas sob responsabilidade do governo para nos oferecer isso tudo. Se você é um pouquinho espertinho, já chegou à conclusão onde eu quero chegar: quanto mais dinheiro na mão do Estado, maiores as possibilidades de corrupção. Quanto mais pessoas necessárias para prestar serviços que exigimos do Estado, mais funcionários públicos amparados por uma burocracia estratosférica e estabilidade de emprego (fatores que fatalmente implicam em baixa produtividade) estamos exigindo. Ou seja, quanto mais exigimos, menos temos.


Adendo 1: se você é um dos que escolheu EDUCAÇÃO PÚBLICA DE QUALIDADE como prioridade, eu entendo perfeitamente o que você pensa. Educação é o primeiro passo para formarmos uma sociedade melhor, não é mesmo? Sem educação e a formação de bons profissionais, não temos como progredir, certo? Um povo bem educado não elegeria maus políticos, não faz sentido? Talvez você só não tenha entendido a pegadinha: a palavra PÚBLICA. Se você, no entanto, entendeu e mesmo assim mantém a mesma opinião, haverá um post nesta série dedicado a isso.


Adendo 2: na minha opinião (e eu não respondi à enquete por razões óbvias), todos os pontos elencados são importantes (com ressalva aos serviços “públicos”). Porém, para mim é mais que óbvio que os outros 6 tópicos dependem, única e exclusivamente, da garantia à vida, à propriedade e à liberdade dos cidadãos. Se a vida, a propriedade intelectual e a liberdade dos cidadãos não puder ser garantida, nenhum dos outros itens pode ser atendido. Faz sentido para você?

 

 

 

Chegou a hora de mudar – ENQUETE

Publicado: 24 de março de 2016 por Kzuza em Política
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Esta é a enquete mencionada no post anterior. Peço ajuda na divulgação, para termos uma boa amostragem. É rápido, indolor e não faz mal à ninguém. E juro, não há má intenção nas perguntas. Bora responder?

Chegou a hora de mudar – Parte 3

Publicado: 24 de março de 2016 por Kzuza em Política
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liberdade

Uma vez que o governo torna-se fornecedor das necessidades das pessoas, não há nenhum limite para necessidades que irão ser reivindicadas como um direito básico. Lawrence Auster

A terceira parte dessa série de textos que ninguém está lendo (ou porque eu sou um péssimo escritor, ou porque minhas ideias são malucas e sem sentido, ou porque ninguém está nem aí para política mesmo) vai abordar dois assuntos.

Um deles remete à parte 2 dessa série, onde abordei o assunto PODER. Como eu disse, cada vez que esperamos que alguém resolva nossos problemas, precisamos dar poder a esse alguém. E o maior problema está justamente no fato de que estamos dando poder a quem menos confiamos: políticos. Isso me parece bastante insano.

Há um texto muito interessante de Jeffrey Tucker, economista, escritor e diretor do Liberty.me, com o título “It Shouldn’t Matter Who the President Is; And it doesn’t have to“. Em tradução livre, significa: Não deveria importar quem é o presidente; e não tem! Nele, o autor defende que o poder do presidente da república seja tão limitado de forma que, independentemente da sua incompetência, os danos causados por ele sejam insignificantes.

Há duas passagens interessantes nesse texto:

Com o poder sobre a população limitado não pela escolha do “bom menino” que venceu a eleição, mas porque as instituições que ele ou ela controlam não podem ser usadas como ferramenta de opressão. Nós não deveríamos ter que nos preocuparmos sobre o caráter ou ambição da pessoa que elegemos. Um bom sistema de governo é aquele que é protegido contra o controle de pessoas perversas. Deveria inclusive ser protegido contra pessoas boas que querem usar o estado para realizar seus ideais. O governo deveria ser um estrutura impenetrável às ambições pessoais de seus gestores temporários.

(…)

Culpar aqueles que atualmente demandam políticas loucas, assustadoras e destrutivas  é não atingir a raiz do problema. A verdadeira culpa é das gerações que, há um século, derrubaram o sistema de livre mercado e o substituíram por um estado centralizador com o poder de gerenciar nossas vidas, roubar nosso lucros, redistribuir renda, gerenciar o setor industrial, participar de conflitos militares ilimitados, criar bolhas econômicas e salvar indústrias à beira da falência.

Uma vez criado, o poder sempre será usado. A busca por atender interesses especiais e o clamor das massas para que o poder seja usado em seu favor é um resultado inevitável. Com o poder também há uma divisão da população, com pessoas fervendo de ódio contra aqueles que ficar em seu caminho e grupos de interesses consumidos pelo ódio contra qualquer pessoa com uma chance de usar o poder para sua própria vantagem. A existência do poder em si, e não a das pessoas que querem usá-lo em seu proveito, é a fonte do conflito. E esse conflito ameaça destruir amizades e até mesmo a própria sociedade. É a própria arrogância governamental a razão pela qual todos não podem se entender.

Talvez isso explique, de uma forma resumida, a situação que encontramos hoje em nosso país. O autor do texto é americano e o escreveu para tentar explicar alguns aspectos da corrida eleitoral para a presidência do seu país nesse ano. Porém, filosofia política não tem nacionalidade, e por isso pode facilmente se aplicar por aqui.


O segundo assunto diz respeito a uma observação pessoal.

A julgar por tudo o que leio por aí (seja na mídia ou em redes sociais), ou pelo que eu vejo na televisão, ou pelo que ouço de amigos, parentes e conhecidos, tenho a impressão de pouca gente se dá conta de que a origem da maioria dos problemas que temos está em nós mesmos. E olha que não estou falando daquele texto do Mark Manson que causou furor por aqui tempos atrás. E nem sofro da síndrome de vira-lata. E também não estou me referindo àqueles textões que você lê diariamente no Facebook sobre “pequenas corrupções” ou “a corrupção começa por você”.

Quero tocar em um ponto abordado por pouca gente. Eu não sei dizer se isso é cultural, se é uma lavagem cerebral a qual fomos submetidos durante séculos, se é uma doutrinação política maquinada pela esquerda (como adora escrever Olavo de Carvalho), sei lá. Ainda não tenho condição de informar isso.

Porém, acho que seria muita petulância minha assumir algumas coisas por aqui. Então vou lançar uma enquete e assim que tiver umas 50 respostas (que talvez seja o máximo que eu vá conseguir), eu posto a 4ª parte desta série explicando meu ponto de vista.

Sobre armas e desonestidade intelectual

Publicado: 15 de março de 2016 por Kzuza em Divergência de opiniões
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Dia desses eu li em algum lugar um artigo que dizia: “Para a esquerda, não importam os resultados de uma decisão tomada, mas sim a intenção da decisão”. Isso abriu meus olhos para muita coisa, e hoje consigo entender o pensamento de muita gente.

Quantas vezes na nossa vida não fazemos isso? Tomamos uma decisão com uma boa intenção, mas depois os resultados não são satisfatórios? Um fato ocultado na intenção de não magoar alguém, que depois descoberto, acaba trazendo prejuízos para uma amizade? Uma verdade dita em hora errada, que acaba magoando ao invés de ajudar?

Pessoas sérias e honestas avaliam os resultados posteriores e, em muitos casos, são capazes de se arrependerem. Pessoas desonestas, nunca. Procuram justificativas, subterfúgios, desculpas, mas jamais admitem uma decisão errada. Não são capazes (ou simplesmente não querem) avaliar os fatos, mas sentam-se em cima das intenções iniciais para justificar resultados nem sempre positivos.


Essa semana entramos, eu, o Mathias e mais um grande amigo de longas datas, em uma discussão sobre um tema muito polêmico (Desarmamento) com um quarto conhecido.

Para resumir a história: eu, Math e o amigo somos contra o desarmamento civil; o conhecido, a favor.

Há uma coisa a se dizer, antes do que será escrito daqui em diante e que será comprovado através de tudo que foi dito: nem eu, nem Math e nem o amigo teríamos uma arma em casa. Cada um provavelmente por uma razão específica, mas o fato é esse. Eu, e isso digo considerando apenas o meu próprio ponto de vista, sou contra o desarmamento simplesmente pelo fato de que sou contra restringir o direito de qualquer cidadão à sua autodefesa. Não, não acho que o simples aumento de armas em posse de cidadãos de bem seria responsável pela redução da criminalidade (embora hajam indícios disso, é difícil estabelecer causalidade, pelo menos para mim).


 

Aliás, isso me lembrou agora um post antigo do perfil Paródia da Opinião no Facebook:

Não teria uma arma para combater a violência. Isso é função da polícia. Aliás, quando você usa uma blusa, qual sua intenção: se proteger do frio ou combater o inverno?


Bem, a discussão começou com nosso conhecido postando a notícia abaixo:

Ativista pró-armas é atingida por tiro disparado acidentalmente pelo filho de 4 anos

O comentário do autor foi:

Quando eu comento com amigos e familiares sobre ser contra o armamento, é desse tipo de trauma que me refiro.

Sejamos honestos: quem é que deseja um trauma desses para alguém? Ou mesmo: quem é que não se sensibiliza com um fato desse?

Mas o problema começa justamente nesse ponto. Tanto a mídia quanto pessoas a favor do desarmamento adoram esse tipo de notícia. Porque sensibiliza! E quanto mais tocar no lado emotivo, mais propensas as pessoas estarão a concordar com a proibição de armas de fogo. Afinal, quem gostaria de passar por um trauma desses?


Agora vamos lá, onde a discussão começa.

Peguei uma ideia de um post que li em algum lugar e que dizia:

Imaginem que a notícia fosse: Ativista que luta pelo direito das mulheres dirigirem na Arábia Saudita bate o carro e morre.

Usei a mesma lógica com o seguinte comentário:

Quando uma médica, defensora dos direitos das mulheres, comete um erro e mata um paciente, isso quer dizer que não seria justo mulheres trabalharem?


Daqui para a frente, caro leitor, eu sugiro ter estômago e um cérebro honesto funcionando.

Sim, porque a coisa mais normal do mundo é existirem opiniões opostas em assuntos polêmicos. Quando se há debates honestos entre pessoas coerentes, isso é extremamente construtivo. Sugiro, por exemplo, o debate publicado no Spotniks com opiniões pró e contra o aborto. Ambos os autores, Eli Vieira e Francisco Razzo, são completamente honestos e convictos ao defenderem suas opiniões. Eu, como um simples mortal e pouco inteligente que sou, aprendo muito com isso. Faz parte do meu crescimento como ser humano.

Quantas vezes já não entrei em discussões e acabei derrotado por ter argumentos fracos ou não ter uma opinião baseada em fatos? Faz parte, acontece. Mas a única coisa que eu posso dizer é que eu jamais sou desonesto nas minhas narrativas. Posso sim mudar de opinião, e admito que isso acontece comigo com mais frequência do que eu gostaria, mas isso sempre fica às claras.

Porém, o que eu não admito em conversas de alto nível é canalhice (seja ela velada ou descarada) e confusão mental.


Em linhas gerais, o nosso conhecido, autor do post que iniciou nossa discussão, até certo ponto saudável, usa-se de um único argumento para defender o desarmamento civil: evitar traumas nas famílias em caso de acidentes com arma de fogo.

Como eu disse lá na primeira parte desse texto, para o autor, não importa se o desarmamento vai ou não evitar traumas nas famílias, evitando acidentes com armas. O importante para ele é a intenção.

Veja bem: avaliando-se o Mapa da Violência de 2015, é possível se verificar que o número de mortes acidentais causados por arma de fogo no país mantém-se praticamente estável desde o início do Estatuto do Desarmamento, em 2003.


A discussão se desenrolou em vários aspectos. Primeiramente, o autor focou somente no risco trazido pelas armas de fogo. Tentamos mostrar que, na verdade, se fôssemos proibir tudo o que pode trazer risco à vida das pessoas, teríamos que começar proibindo coisas aparentemente mais inofensivas, como piscinas, por exemplo. Esse artigo aqui mostra bem isso.

Porém, esse fato foi completamente descartado pelo autor, mostrando, a partir daqui, boa parte da sua desonestidade. Primeiro, ele disse:

Há um equívoco em dizer que estou colocando a culpa no objeto. Não disse que o problema é o revólver, mas o risco que ele traz.

Oras, mas se o problema é o risco, então vamos focar no que traz mais risco à vida de pessoas, especialmente de crianças!


Mas o ápice da desonestidade do nosso autor veio a seguir. Confesso que isso me deixou extremamente desapontado, pois o cara é um palestrante que fala para uma quantidade grande de pessoas (eu imagino) e por quem eu até tinha certo respeito.

O Mathias fez um alerta:

Perceba que seu argumento está justamente em impor um proibição baseada em objetos considerados perigosos, como a arma.

O autor respondeu:

Há um equívoco quando você disse que a solução que impor proibição. Não disse isso em momento algum.

E completou:

Você está me acusando de algo que não estou fazendo. Não estou impondo nada nem teria como. Então, pare você de lançar sua frustração com uma determinação que surgir de uma votação popular sobre mim.

Eu, que não sou bobo nem nada, não demorei muito a desmascarar o canalha. Fiz a pergunta direta:

Agora sejamos honestos: em um plebiscito, você seria contra ou à favor da liberação de venda de armas para a população civil (com restrições de avaliação psicológica, antecedentes criminais, etc)?

As respostas dele, caros amigos, é de embrulhar o estômago:

Estou sendo honesto sempre aqui. Já houve o plebiscito e meu voto não mudou de lá pra cá. Sinto te dizer que (a opinião do Matheus) não (está certa sobre mim). Eu não estou tentando proibir nada. Eu exerci meu direito de escolha democraticamente e a maioria venceu. A maioria dos brasileiro é a favor do desarmamento. Por mais que isso caia mal pra você e pro Matheus M da Silva, essa é a realidade e não estou sozinho na minha convicção. Vocês querem achar que armas dão segurança, mas nenhuma arma impede que você tome um tiro nem te defende de um: no máximo, você vai atirar de volta. E se ter armas funciona em países mais evoluídos em termos de leis e educação, como Estados Unidos, Canadá e outros, infelizmente, no Brasil não funciona. Tanto não funciona que prefere-se que as pessoas não tenham armas, pelo menos na atual conjuntura.


Esclarecendo alguns pontos importantes:

1 – “Eu não estou tentando proibir nada”. Claro. Eu voto na Dilma, mas não estou tentando fazer com que ela ganhe. Eu voto pela proibição da venda de armas de fogo, mas não estou tentando proibir nada. Cara, isso é de uma desonestidade imensa! Por que não assume a opinião????

2 – “A maioria venceu. A maioria dos brasileiro (sic) é a favor do desarmamento”. Sério? Vamos refrescar a memória do nosso amigo mentecapto. O referendo sobre o desarmamento ocorreu em 2005. E qual foi o resultado? 63,94% da população respondeu NÃO à pergunta: “O comércio de armas de fogo e munição deve ser proibido no Brasil?”. Vou deixar essa na conta da ignorância do autor do post, na falta de conhecimento mesmo, e não na clara intenção de mentir. Recentes enquetes e pesquisas também mostram que a maioria da população é contra o desarmamento, mas nem vou entrar nesse aspecto aqui. O fato da vontade da maioria não ter sido respeitada após o referendo não muda o fato de que a maioria é contra o desarmamento.

3 – “E se ter armas funciona em países mais evoluídos em termos de leis e educação, como Estados Unidos, Canadá e outros, infelizmente, no Brasil não funciona.”. Sério? Não vou responder essa. Vou deixar esse texto aqui para leitura. Se quiser ignorar, que o faça, mas sugiro que compare pelo menos nossa realidade com a do Paraguai, por exemplo.

4 -“Vocês querem achar que armas dão segurança, mas nenhuma arma impede que você tome um tiro”. Gozado ler isso de um mesmo cara que, em um comentário anterior, disse defender o empoderamento da polícia que usa justamente armas para combater o crime. Isso é um tanto quanto conflitante.


 

Outra pérola da discussão foi a seguinte:

Mas o que não é óbvio é que uma arma guardada em casa traz mais riscos aos moradores do que a um eventual bandido.

Sim, porque armas disparam sozinhas por aí e saem matando sua família à esmo. Bandidos são bonzinhos e só querem uma parte do seu patrimônio material, sem violência.

Nota: OK, fui irônico só nesse ponto, mas não consegui me conter!


A questão desse meu texto não é defender o fim do desarmamento. Não é mostrar que armas trazem mais segurança para os cidadãos (embora nosso amigo discorde, uma simples busca na internet mostra inúmeros casos de assaltos frustrados por vítimas que estavam portando uma arma de fogo, mas isso nosso autor se nega a pesquisar). Também não é a de convencer ninguém a comprar uma arma.

Minha única intenção é mostrar o quanto as pessoas são infectadas por esses pensamentos hoje em dia. Suas convicções e crenças passam por cima dos fatos, que são simplesmente ignorados, para defender determinada opinião.

É uma pena…


Conclusão: não há mal nenhum em você ser contra ter uma arma em casa, caso avalie que o risco disso é maior do que os benefícios trazidos. Faz parte de uma opinião pessoal, mesmo que as evidências mostrem o contrário. Já querer impor sua opinião restringindo o direito das demais pessoas é algo bem diferente.