omisteriodoCapital

Hernando de Soto é um economista peruano e conselheiro de diversos chefes de estado. Em seu livro “O Mistério do Capital”, ele explica a importância da propriedade privada para o sucesso das nações. Ainda não encontrei o livro para comprar aqui no Brasil, mas li muito sobre ele pela internet.

O melhor artigo que li a respeito foi do Rodrigo Constantino, o qual você pode ler aqui.

Uma das citações importantes:

As dificuldades que o Terceiro Mundo encontra hoje para integrar seus setores ilegais à formalidade são similares ao que viveu o Ocidente no século XIX. É crucial para se construir esta ponte que as elites e os governos compreendam que as leis devem ser criadas de baixo para cima, ou seja, precisam atender às realidades do povo. Não adianta colocar em papel coisas que ninguém irá seguir. A grande maioria das pessoas prefere seguir na legalidade, mas estará sempre comparando as vantagens e desvantagens disso. Quando os custos de permanecer na legalidade ultrapassarem os benefícios, um novo contrato social será estabelecido naturalmente em diversas localidades, fugindo assim das regras estabelecidas.

Outra, que eu gostei bastante e que explica também como a humanidade evoluiu tanto no último século:

Outro exemplo que mostra o abismo existente entre o Terceiro Mundo e mundo civilizado está na propriedade intelectual. No Brasil, praticamente não existem pesquisas sérias que tragam significativos avanços tecnológicos. Isso ocorre pois não há uma regra clara e confiável para as patentes, para proteger os direitos de propriedade intelectual. O Brasil é mestre na direção contrária, de quebra de patentes, e ainda se orgulha disso. Já nos Estados Unidos, se respeita tal direito, e isso incentiva o ramo de pesquisas. Da mesma forma que o direito à propriedade física é crucial para a criação de capital num país, a preservação da propriedade intelectual é condição sine qua non para o avanço tecnológico. Imaginem se Bill Gates vivesse no Brasil: será que o mundo teria tido acesso ao progresso que a Microsoft possibilitou? Na mesma linha, diversas curas e avanços na medicina só foram possíveis pois os laboratórios tinham a garantia de patentes, possibilitando um bom retorno sobre seus investimentos em pesquisa. Tais avanços não foram obtidos através do altruísmo de alguns cientistas, mas sim pela busca do lucro, protegido pela lei.

E mais:

Os governos e elites precisam entender que são as regras do jogo que estão inadequadas, impossibilitando a integração de todos dentro do mesmo modelo. As leis não podem ser criadas sem levar em conta a realidade do povo e nação. Quando o governo estende direitos incríveis para os trabalhadores, não pode ignorar as leis naturais entre oferta e demanda de trabalho. Afinal, são exatamente todas as regalias garantidas aos trabalhadores que fizeram com que mais de 50% da mão-de-obra nacional fosse parar na informalidade.

Além de algo bem importante:

Se as leis escritas estão em conflito com as leis as quais os cidadãos vivem, descontentamento, corrupção, miséria e violência serão conseqüências inevitáveis. As leis oficiais precisam estar em acordo com a realidade dos fatos, pois papel e caneta não são capazes de alterar a natureza dos homens.

Para concluir, algo que muita gente tem asco só de pensar:

Enquanto o capital não chegar às massas, o sentimento de inveja, exploração e até luta de classes irá existir. A revolta contra a globalização cresce pois cada vez mais uma parcela maior da população se sente à margem deste processo. Podem comer no McDonald’s e usar Nike, mas estão fora do processo formal de propriedade.

E fechando:

Não foi o capitalismo que falhou no Terceiro Mundo, pois este nunca existiu de facto. A falha está na não adoção de um modelo correto que possibilite o acesso e acúmulo de capital da nação. O inimigo não é o capitalismo, mas sim o Estado inchado, que impossibilita o capitalismo de chegar às massas.

Direita ou esquerda: de que lado você está?

Publicado: 24 de março de 2015 por Kzuza em Política
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Há algum tempo venho me perguntando por qual motivo eu me tornei um cara de direita.

Amigos ou críticos esquerdistas diriam que eu sofro de Síndrome de Estocolmo, ou que por eu sempre ter tido tudo na vida (o que não é verdade, mas sempre funciona para a esquerda quando você é branco e nunca passou fome) , eu não tenho simpatia pelos mais necessitados. Também dirão que eu nunca sofri na vida, tampouco faço ideia de quão cruel é a vida daqueles que sofrem (seja por doença, miséria, preconceito ou outros infortúnios da vida). Ou podem dizer também que eu sou um cara extremamente egoísta, que não se preocupa com os outros, muito menos com quem mais precisa.

Já amigos ou adeptos do pensamento de direita podem dizer que é porque sou um cara muito inteligente e que estudou bastante para chegar nessa situação. Também diriam que eu finalmente acabei enxergando o quanto sempre fui manipulado pela doutrina esquerdopata praticada pelo nosso sistema de educação há mais de 60 anos. Alguns ainda dirão que isso se deve ao fato de eu ser um cara conservador, que preza pela moral e pelos bons costumes. Ou quem sabe porque eu sempre fui um cara muito trabalhador e estudioso, que mostrou que é possível “chegar lá” mesmo vindo do nada.

Mas enfim, como pode a opinião das pessoas ser tão diferente sobre um mesmo ser humano, somente baseada nas convicções políticas de cada um? É possível haver assim uma divergência tão grande da percepção da realidade somente por conta do viés político de cada um?

É óbvio que, por ter certeza das minhas convicções políticas, eu acredito que tenha escolhido um caminho certo a seguir. Estou convicto das minhas ideias liberais e para mim não há bem maior no mundo do que a liberdade individual.

E foi então que eu comecei a pensar melhor no que leva cada indivíduo a seguir uma ou outra vertente política. Sim, todos, querendo ou não, politizados ou não, possuem uma inclinação para um dos dois lados, mesmo que inconscientemente. Isso acaba refletindo nas suas ações no dia-a-dia, no seu relacionamento com as pessoas, no seu comportamento social e, no final de tudo, nas suas escolhas políticas.

Mas o que difere um esquerdista de um liberal de direita?

Antes de qualquer coisa, é preciso entender que existem princípios éticos que são comuns a todos os seres humanos (ou ao menos deveriam ser). Se você entende isso, já é um bom ponto de partida.

Mario Sergio Cortella define ética assim:

Ética é o conjunto de valores e princípios que usamos para responder a três grandes questões da vida: (1) quero?; (2) devo?; (3) posso?
Nem tudo que eu quero eu posso; nem tudo que eu posso eu devo; e nem tudo que eu devo eu quero. Você tem paz de espírito quando aquilo que você quer é ao mesmo tempo o que você pode e o que você deve.

O mesmo Cortella então conclui:

Ética é a concepção dos princípios que eu escolho, Moral é a sua prática.

Para mim é claro que cada um é livre para escolher os princípios éticos que serão seguidos. Isso vem conforme sua educação familiar e sua cultura. O conjunto de princípios que cada um escolhe seguir na vida formam a sua moral.

É justamente aqui que residem, para mim, as principais diferenças entre os dois lados políticos existentes. Direitistas tendem muito mais a respeitar princípios éticos universais do que os esquerdistas. Sim, isso é duro de ser dito, mas é um ponto importante. Eu vou detalhar mais isso durante esse texto, então aconselho você a ler tudo até o final antes de tirar conclusões precipitadas.

Há um ponto extremamente crítico onde direita e esquerda começam a se dividir. Esse ponto é denominado por muitos Justiça Social. É bem aqui que as pessoas se separam.

Em primeiro lugar, é muito importante entender o que é justiça. Eu gosto da definição de John Rawls (aliás, um autor sobre o qual eu preciso conhecer mais) em A Theory of Justice, onde ele afirma que uma sociedade justa deve respeitar três princípios:

  1. garantia das liberdades fundamentais para todos;
  2. igualdade equitativa de oportunidades;
  3. manutenção de desigualdades apenas para favorecer os mais desfavorecidos.

Não há discussão entre seres humanos com o mínimo de dignidade e ética sobre esses três princípios, independente de serem de direita ou esquerda. Embora a esquerda reivindique para si unicamente a virtude da luta pela justiça social, isso não passa de mera propaganda (ou o tal puxar a sardinha para o seu lado). O fato é que qualquer ser humano minimamente digno é capaz de defender os três princípios de justiça defendidos por Rawls. E, ao contrário do que muita gente pensa, isso independe do viés político de cada um. Assumir que as pessoas de esquerda são as únicas que lutam por justiça social é a mesma coisa que assumir que os crentes em Deus são os únicos seres honestos do planeta.

O que difere a direita da esquerda é justamente o terceiro princípio de Rawls. Quando se trata de “favorecer os mais desfavorecidos”, há duas formas de se fazer isso:

  1. Oferecendo-lhes proteção contra agressores mais fortes e provendo-lhes igualdade de tratamento jurídico;
  2. Atacando os mais fortes e tomando-lhes à força o que possuem para distribuir entre os mais fracos.

A direita luta pela primeira alternativa. A esquerda, pela segunda, independente se isso é moral ou não. É justamente aqui, onde os fins justificam os meios, que eu passo a repudiar completamente as ideias da esquerda. Digo isso porque a ânsia de se fazer justiça pelas próprias mãos acaba passando por cima de princípios éticos e do que os liberais adoram chamar de princípio de não-agressão. Ou seja, independentemente da forma como alguém chegou a ter sucesso na vida, ela deve ser forçada por alguém a dividir o que tem com os mais fracos. Normalmente esse alguém é o Estado, personificado como entidade máxima capaz de julgar esse equilíbrio.

Em um excelente artigo de João Cesar de Melo sobre justiça social, ele diz:

Quem, diante de uma favela, consegue apontar quais de seus moradores são bons filhos e quais são os bons pais, quais são os honestos e os desonestos, quais são os serenos e os violentos?

Quem, diante de um bairro nobre, consegue apontar quais de seus moradores são os bons filhos e quais são os bons pais, quais são os honestos e os desonestos, quais são os serenos e os violentos?

A partir do que alguém olha para um mendigo e afirma que seu caráter o torna merecedor de ajuda?

A partir do que alguém olha para um empresário e afirma que seu caráter o torna merecedor de repúdio?

A partir do que alguém olha para um mendigo e diz que sua pobreza é resultado da falta de oportunidade?

A partir do que alguém olha para um empresário e diz que sua riqueza não lhe exigiu esforços?

O que nenhum esquerdista é capaz de explicar (e olha que eu não conheço poucos!) é: qual o limite a ser ultrapassado para que um indivíduo ou família passe a ser considerado como “tendo mais do que precisa”? Veja só o caso do imposto sobre grandes fortunas. Pergunto a você: o que é uma grande fortuna? Você vai me dizer facilmente que o Roberto Justus possui uma grande fortuna, e nós dois vamos concordar. Mas e uma família de 4 pessoas, que mora em um sobrado grande na Zona Norte de São Paulo com 3 quartos e um grande quintal, e que possui um apartamento na Praia Grande e um terreno em um condomínio em Cotia: isso é uma grande fortuna? Provavelmente você dirá que não, mas pense com a cabeça de uma família que mora em uma favela, ou então em uma família integrante do MST. O que eles diriam?

Para todos os grandes dilemas que envolvem princípios morais, a esquerda sempre tem um argumento: precisamos ter bom senso. Oras, mas sem parâmetros, qual seria o bom senso?

O que eu tenho reparado é que há uma uniformidade no pensamento da maioria das pessoas e que fatalmente foi causado por uma enorme doutrinação educacional no nosso país. Não é à toa que as manifestações políticas recentes no país estão frequentemente fadadas ao fracasso. Há uma monopolização do pensamento esquerdista e que pouca gente percebe.

Vejam só o exemplo de polarização na política brasileira. Temos como adversários políticos um partido de esquerda, com certo viés comunista, e um partido social democrata, de centro esquerda. Temos um Fernando Henrique Cardoso vociferando quando é denominado direitista, ou neo-liberal. Isso porque ele realmente não o é (leia aqui sobre isso)! Engana-se quem ainda acredita que o PSDB é um partido de direita, e isso me assusta muito! Nem vou me estender muito aqui porque isso seria assunto para um post inteiro novo, mas essa associação é fruto de uma demência política extrema!

O problema maior de se enganar acreditando que a esquerda é quem mais luta por justiça social é exatamente depositar suas esperanças em um mundo melhor nas mãos das pessoas erradas. O discurso é extremamente bonito, as promessas são ótimas (apesar de vagas), mas as consequências são realmente terríveis. Basta você estudar um pouco a história e verá que as grandes matanças da humanidade ocorreram em consequência de um grupo esquerdista que tinha a intenção de promover um mundo melhor e mais justo. Leia sobre Pol Pot no Cambodja, ou sobre Fidel Castro e Che Guevara em Cuba, ou sobre Hitler na Alemanha, ou sobre Lenin na União Soviética, e entenderá o que estou a dizer.

Mas voltando à questão inicial, eu acredito que princípios éticos são invioláveis e, portanto, devem ser seguidos acima de qualquer coisa. Independente do seu viés político, se você não acredita nisso, você para mim não presta. Não é porque uma lei está promulgada, ou porque a constituição do seu país prega alguma coisa, que esse fator será moralmente justificado. Há na Bíblia, em Coríntios 6:12:

Tudo me é permitido, mas nem tudo convém. Tudo me é permitido, mas eu não deixarei que nada domine.

Portanto, para mim, nada promove mais justiça social do que prover liberdade à todos para decidirem quais caminhos seguir, e permitir a todos terem acesso às suas escolhas, protegendo-os contra a agressão de quem quer que seja. Cada um deve ser livre para escolher o que fazer, mas também estar sujeito às consequências de sua escolha. Todos devem ter acesso igualitário aos meios (saúde, educação e justiça) para desenvolver suas atividades em paz. Eu não preciso tirar nada de ninguém à força para isso. Esse é meu princípio fundamental.

A canalhice sem limites

Publicado: 13 de março de 2015 por Kzuza em Política
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Estamos próximos de um dia que pode vir a mudar o rumo da história desse país. No dia 15 de Março, em várias cidades brasileiras, ocorrerá uma manifestação popular contra o governo petista e pedindo o impeachment da presidAnta Dilma.

Ainda tem quem considere o pedido de impeachment como um golpe ou um oportunismo da direita. Então, para não deixar dúvidas, deixo com vocês aqui um texto inconstestável de Arthur Dutra para o site Crítica Política, onde ele explica alguns (vários) fundamentos jurídicos para o pedido de impeachment. Em resumo:

  • Dilma atenta contra o livre exercício do poder legislativo por subornar, através do Petrolão, políticos da base aliada em troca de apoio político;
  • Dilma atenta contra a existência da União ao submeter o país a uma organização estrangeira (Foro de São Paulo);
  • Dilma atenta contra a segurança interna do país ao financiar e apoiar as atitudes criminosas do MST contra a propriedade privada;
  • Dilma atenta contra a probidade administrativa, ao não se responsabilizar por seus subordinados quando os mesmos cometem delitos funcionais ou praticam atos contra a Constituição (ou o famoso “Eu não sabia de nada”).

Eu gostaria de acrescentar outros dois pontos aqui:

  • Dilma atentou contra a Lei Orçamentária no ano passado, quando estourou o orçamento e causou um rombo bilionário nas contas públicas. A manobra do governo, na época, foi de modificar a lei para não incorrer em crime de responsabilidade fiscal. Para isso, condicionou um repasse maior de verbas para os parlamentares à aprovação da mudança da lei pelo Congresso.
  • Dilma também admitiu crime de prevaricação ao não aplicar a lei anticorrupção no caso da Petrobrás, além de assumir culpa ao dizer que isso começou na época do governo FHC (embora os depoimentos de Pedro Barusco vão de encontro a isso) e que deveria ser investigado lá atrás. Ou seja, durante 12 anos de mandato, o PT também não fez nada para investigar por quê?

Mesmo assim, há quem ainda não defenda a saída do partido do poder, embora não consiga mencionar um, apenas um motivo para apoiar o atual governo sem cair nas falácias que eu já mencionei aqui. Meu desafio continua mantido.

Ontem mesmo Ricardo Chapola publicou um texto no Estadão criticando quem pede o impeachment, mas não sem cair em uma das falácias que eu mencionei. A opinião dele é, infelizmente, a mesma opinião que pude observar em alguns amigos meus: a reforma política é mais importante que o impeachment.

Bem, então cabe a mim fazer uma outra pergunta: como é possível aprovar uma reforma política em um país dominado por um governo totalitário? É como pedir liberdade para um ditador. Não acredito que Ricardo Chapola (que eu não faço ideia de quem seja) seja um cara inocente ou ignorante, então acho que ele é vigarista mesmo. Querer que alguém acredite ser possível o PT aprovar uma reforma política que possa, de alguma forma, enfraquecer o seu projeto de poder totalitário é a mesma coisa do Gugu querer que nós acreditemos no arrependimento de Suzane von Richtofen.

Se você conseguir me responder à pergunta em negrito acima de forma convincente, sem usar de falácias, eu juro que desisto de ir às ruas domingo.

Pau que bate em Chico não bate em Francisco?

Publicado: 11 de março de 2015 por Kzuza em Política
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dilma pau

A crise sem precedentes da política brasileira abriu também, embora com muito atraso, espaço para discussões políticas abertas entre os cidadãos comuns. Gente que até então pouco se importava com política passou a acompanhar mais, a estudar mais, a se informar mais, e finalmente defender suas posições. É claro que nem todo mundo é assim e continua agindo seguindo a manada, mas felizmente o povo começou a acordar.

Eu acho bacana quem tem suas convicções políticas e consegue defendê-las acima de tudo. A única coisa que me incomoda é gente vigarista e canalha. Aí realmente não dá para ter paciência.

Veja só. Com todas as trapalhadas que o governo petista tem praticado nos últimos 12 anos no país, atualmente é quase impossível encontrar alguém que consiga defender a presidAnta Dilma quando ela abre a boca para falar suas besteiras. Nenhum cidadão de bem, que não receba nenhum centavo do governo para se posicionar a favor dele, é capaz de aceitar o posicionamento da presidAnta após as eleições. Veja bem: NINGUÉM! Com exceção dos militantes pagos pelo PT e todos os demais artistas e intelectuais financiados pelo governo, nenhuma pessoa de bem é capaz de dizer: Concordo com as ações que a presidAnta tem tomado desde que venceu as eleições.

Mas é aí que aparecem os vigaristas e canalhas.

Como ninguém é capaz de defender a atual gestão, mas não querem dar o braço a torcer e assumir que suas convicções políticas não deram certo e fracassaram, elegem então outros espantalhos para atacar, tentando assim desviar as atenções do que é principal.

Abaixo listo uma série de argumentos usados pelos canalhas:


1 – A corrupção não foi inventada pelo PT

É claro que não, caro amigo imbecil! Ninguém nunca disse isso! Mas o homicídio também não foi inventado pelo Alexandre Nardone e nem por isso ele tem direito a jogar a filha pela janela do apartamento. E também a sociedade toda tem direito de se indignar com isso.

A corrupção foi institucionalizada pelo PT. A compra de apoio político através de propina paga através primeiro do mensalão, e agora através do petrolão, é inédita na história brasileira. O assalto escancarado aos cofres da Petrobrás para atender a interesses políticos também. A compra de votos através de medidas populistas, travestidas de programas sociais, que somente mantém os pobres na pobreza, também. A instauração de militância política paga para abafar e sufocar a oposição também.


2 – A população é manipulada pela mídia golpista e acredita em tudo o que vê na TV

Primeiro, acho que generalizar é uma forma ofender boa parte da camada pensante da população. Dá a impressão de que ninguém consegue pensar e discernir o que é fato e o que é mentira, a não ser os canalhas que se utilizam desse argumento.

Em segundo lugar, acho que depois de tantas evidências sentidas no dia-a-dia do povo, fica difícil não acreditar quando a mídia noticia a alta do dólar, o baixo crescimento da economia, o aumento do desemprego, o aumento no preço do combustível e da energia, etc. Está aí para quem quiser provar.


3 – Protestar contra o governo é coisa das elites e dos coxinhas

Sim, porque eles não fazem parte do povo. Somente quem é pobre tem legitimidade ao reclamar. Se eles não reclamam, é sinal de que está tudo bem. A classe média não trabalha, não paga impostos, tem comida na mesa todo dia, então não é válido protestar. Ela não representa o povo!

Soa incoerente ou não?

Você, canalha, talvez me pergunte: Então por que só a classe média protesta? Em primeiro lugar, isso é outra vigarice sua, pois a mesma presidAnta foi vaiada ontem em um evento da construção civil em São Paulo pelas pessoas que trabalhavam no local (“acho” que não haviam ricos por lá…. mas só “acho”). Em segundo lugar, em um país onde a educação é precária há décadas por culpa de todos os péssimos governos que tivemos, seria natural que somente uma parte mais esclarecida da população fosse capaz de se organizar para protestar. O que não necessariamente quer dizer que somente uma pequena parte apoia isso.

(Leia um artigo interessante sobre isso aqui)


4 – São Paulo enfrenta uma crise hídrica e ninguém bate no governador incompetente

A presidAnta vem à público em rede nacional dar um pronunciamento e usa como argumento a falta de chuvas para o aumento no preço da energia elétrica, visto que as hidrelétricas estão operando abaixo da sua capacidade porque o nível dos reservatórios está baixo. O uso das termoelétricas, mais caro, é necessário nesse caso.

Enfim, a culpa é da falta de chuva ou da incompetência do governo? Daria para ser um pouco mais coerente?


5 – A mídia não fala de helicóptero cheio de cocaína, do cartel do metrô de São Paulo e nem da fraude do HSBC

Dessa vez, citei somente 3 dos espantalhos preferidos pelos canalhas.

É óbvio que os 3 casos precisam ser investigados a fundo e os eventuais culpados devem ser punidos. Mas você realmente acha que o impacto dos 3 casos acima citados na vida do cidadão comum é realmente maior do que a alta da inflação, ou do que o aumento do desemprego, ou do que a recessão econômica? Você acha que o impacto nas contas públicas nos casos do metrô paulista ou do HSBC são maiores do que o da Petrobrás, por exemplo, onde um único diretor já se propôs a devolver quase $100 milhões desviados?

Parece-me coerente o povo ser mais sensível a um acidente aéreo que mata 300 pessoas do que a um acidente automobilístico que mata 1 só.


6 – De que adianta tirar o PT do poder se quem vai assumir é pior

Que fosse o Lucifer associado ao Belzebu! É dever moral de qualquer pessoa de bem exigir a mudança. Julgar por antecipação o que está por vir com uma eventual saída da nossa presidAnta do poder é moralmente desonesto! Nem eu, nem você, nem ninguém é capaz de saber se as coisas serão piores do que são hoje. Você pode até acreditar que não será melhor (embora eu esteja convicto que não há como ser pior), mas exigir a mudança é necessário.

Justificar os crimes do partido pelo fato de que “os outros fariam igual” é totalmente desonesto. É vigarice!


7 – Essas manifestações não representam nada. Não ouvi panelaço! As marchas reúnem um pequeno número de pessoas!

Conhecendo o histórico passivo do brasileiro médio, você sinceramente acha insignificante 12 capitais brasileiras terem registrado manifestações contra a presidAnta no último pronunciamento? Você realmente acredita que o crescimento de movimentos organizados independentes como o MBL e o Vem pra Rua não representa nenhum avanço em relação a um povo que sequer se preocupava com política anos atrás?


8 – O Alckmin é um péssimo governador e ninguém pede a saída dele!

Há, na minha cabeça (mas pode ser somente presunção minha), uma diferença enorme entre incompetência e criminalidade. Nem todo ser incompetente é criminoso, assim como nem todo criminoso é incompetente. Só que para mim, cometer crimes é muito mais grave do que ser meramente um ser incompetente.

O que o PT tem feito com o país nos últimos anos é criminoso, por vários aspectos. Nem vou me estender aqui. Somente mencionar que o partido submete-se a uma organização internacional (Foro de São Paulo), atendendo a seus interesses, e que mantém organização paramilitar (convocada por Lula como o “Exército de Stédile”). Esses dois fatores já seriam suficientes para que o partido fosse extinto, conforme leis do Tribunal Superior Eleitoral. E nem seria necessário, portanto, mencionar a violação da Lei de Responsabilidade Fiscal no último ano pela presidAnta, o que já seria suficiente para o seu impeachment. Isso tudo é crime, meu amigo, e não somente má gestão. Deu para entender o grau de gravidade ou quer que eu desenhe?


E se você, caro leitor, apoia o atual governo, eu lhe desafio a comentar o post aqui nesse blog, com os seus argumentos para isso. Mas não vale usar nenhuma das 8 falácias que eu descrevi acima, nem suas variações. Ficou claro?

Sobre privatizações

Publicado: 8 de março de 2015 por Kzuza em liberalismo, Política
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Eu fiz a promessa, e agora estou cumprindo.

Um amigo meu, esquerdista convicto (pero no mucho), colocou a seguinte postagem no Facebook essa semana:

1504961_783136078423328_7525420481368871738_nObviamente, uma boa piada, mas típica de quem está mais preocupado em espalhar a provocação por aí do que propriamente em discutir a fundo o problema.

Eu poderia resumir o meu texto com a resposta que um outro amigo dele deixou por lá:

Falta privatizar a Anatel; desregular o mercado; isentar o mercado, para que haja uma enxurrada de empresas pequenas. Isso por si só é um temor para a aristocracia corporativista. A livre concorrência não funciona com a intervenção do estado; por que vira corporativismo o que favorece só os mais ricos.

Corrupção só é ruim para mim se for com o meu dinheiro (dinheiro público), se não for, não é de meu interesse. Corrupção em empresas (públicas e privadas) só favorece o aumento de preço, vide Petrobras – nesse caso o governo vem com nosso dinheiro e cobre o rombo; no caso de uma empresa privada é falência. Em um mercado de livre concorrência o aumento de preço é punido, pois há alguém que oferece o mesmo serviço por um preço menor; sendo sua obrigação procurar a relação custo-beneficio. As empresas pequenas tem o trabalho artesanal, tem uma estrutura menor e por atender consumidores da região podem cobrar um preço menor; o custo de produção é menor.

O negócio é quebrar o monopólio de poder do Estado, que favorece os grandes corporativistas. E deixar que ocorra uma enxurrada de empresas no mercado. Os ricos vão tremer!!!!

OBS: O mercado por si não permite o monopólio e o enriquecimento por uma elevação desmedida do lucro; veja o mercado de artesanato que nunca foi, e jamais será regulado no Brasil.

https://www.youtube.com/watch?v=cmyPDjJ4l7o

O grande problema da liberdade econômica, ao meu ver, é conciliar tudo à sustentabilidade. Mas você sempre terá liberdade de escrever livros, distribuir panfletos, escrever no Facebook, pregar na esquina de casa, enfim, organizar boicotes contra certos setores do mercado. Mas nunca tirar a liberdade de um homem de produzir, consumir, e boicotar o que quiser.

Tirar a liberdade de todos é dar o monopólio a alguns.

Mas vou preferir escrever um pouquinho mais sobre o assunto.

Em primeiro lugar, a privatização SIM incorre em melhores serviços prestados, invariavelmente. Só não enxerga quem não quer. Isso não quer dizer, necessariamente, que ela por si só incorra em serviços excelentes. É o caso das telecomunicações, exemplo citado na piadinha. Mas eu duvido alguém mencionar um único serviço que tenha piorado após a privatização. Meu próprio amigo reconhece:

O princípio de gerar concorrência no liberalismo eu acho interessante. Pensar que isso motivaria produtos de melhor qualidade e com preços competitivos faz muito sentido. Mas não consigo ver isso muito na prática. Vejo uma espécie de nivelamento, sempre por baixo, dos serviços (vide os planos de saúde, por exemplo) e só.

Sim, claro que o serviço é nivelado por baixo quando o mercado não é livre, e sim regulado pelo Estado. Quando há regulação, como por exemplo através de todas as agências criadas pelo governo (ANATEL, ANAC, ANVISA, etc.), é exatamente isso que acontece. Isso porque esses órgãos não estão aí para proteger os consumidores e exigir melhores serviços, como foi vendido para você. Eles simplesmente protegem as empresas, pois são elas que financiam as campanhas dos governantes. São elas que fazem lobby. Você pode ler bastante sobre isso aqui e aqui.

Em segundo lugar, ao tirar do Estado a administração de empresas cujo serviços não sejam essenciais para a população é o primeiro passo para a redução da corrupção. Sem atuação governamental, sem ladrões metendo a mão no meu dinheiro. Simples assim.

Mas meu amigo também fez um comentário infeliz na discussão gerada pelo post:

Mas temos um caso, descoberto, de evasão de divisas através de um órgão privado [HSBC]. Isso deixou de gerar impostos para o Estado e não deixa de ser corrupção.

Em outras palavras, mesmo que o Estado não esteja no controle de “x” ou “y” empresas, a corrupção não vai acabar. Esse é um problema crônico e que gera um puta debate!

Ninguém em sã consciência é capaz de defender o fim total da corrupção como possível. Isso é utopia. Estamos discutindo aqui maneiras de se reduzir isso, através da eliminação da possibilidade de corrupção (retirada do Estado da administração de serviços não vitais) ou através do desestímulo à mesma (mercados mais livres, novas possibilidades de investimento, facilidade de empreendedorismo, etc.). Usar o caso do HSBC, nessa discussão, é a famosa técnica do espantalho.

Enfim, desafio alguém aqui a apontar um caso onde o Estado é capaz de administrar um serviço melhor do que a iniciativa privada, livre das amarras impostas pelo governo.

Feminicídio. ou: Igualdade ou Privilegio?

Publicado: 5 de março de 2015 por Mathias em Comportamento, Política
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igualdadde-de-genero

Câmara dos Deputados aprova tipificação do feminicídio no Código Penal

Eu queria compreender o que é um “homicídio motivado por gênero“. 

Reconheço minha ignorância nos termos legais e jurídicos, mas tento enxergar aonde um homicídio, em contexto doméstico, se encaixa como “crime de gênero” ao invés de “crime passional” ou qualificado por “motivo fútil”.

Em um homicídio em ambiente doméstico como se chega a conclusão da seguinte motivação?

“Ela é mulher, portanto este é o motivo pelo qual eu irei matá-la”

Temos a seguinte situação:

- Homem hétero mata sua esposa por ciúmes = Feminicídio (morte com motivação de gênero)

- Mulher hétero mata seu marido por ciúmes = Homicídio qualificado, motivo fútil.

- Homem homossexual mata seu marido por ciúmes = Homicídio qualificado, motivo fútil

- Mulher homossexual mata sua esposa por ciúmes = Homicídio qualificado, motivo fútil

Viva a “igualdade” de gênero!!!

* Adendo 05/03/2015 – 16:20 – Sobre a aplicabilidade da lei

O que faz uma morte por violência doméstica ou por preconceito de gênero contra a mulher ser moralmente mais grave que qualquer outro tipo de homicídio? O que faz a vida da mulher ter qualidade de fato superior à do homem, ou da criança, ou do idoso, ou do branco, ou do negro, ou do índio, ou do oriental? As qualidades de cor, credo, etnia, idade, classe social, sexo, preferência sexual ou qualquer distinção física inata ou sócio-econômica da vítima justificariam maior ou menor penalidade criminal? Não deveríamos ter todos os mesmos direitos e proteções perante a lei?

Dados sobre violência doméstica/violência feminina:

Igualdade x Privilegio:

Documentário sobre o paradoxo de gênero:

FUI!!

Imbecilidade coletiva

Publicado: 5 de março de 2015 por Kzuza em Comportamento
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Vejam só como são as coisas: esse blog nada mais é do que um espaço para podermos defecar nossas ideias. Já faz 5 anos que está no ar. Não fazemos quase nenhuma divulgação, a não ser por alguns posts que publicamos em nossas páginas no Facebook. Obviamente, nosso número médio de visitações é pífio, cerca de 10 a 15 visualizações diárias.

Mas veja só a nossa surpresa: nos últimos 2 dias, tivemos mais de 750 visualizações!!!! Eita, mas como é possível???

Tudo isso por conta do post que coloquei sobre o Tribunal da Internet. Não pelo post em si, mas pelas palavras-chave. O WordPress nos oferece uma ferramenta de estatísticas que mostra alguns dados de como as pessoas chegaram à nossa página. E das pesquisas efetuadas no Google que trouxeram visitantes à nossa página, todas incluíam referências à menina que cagou na balada Chess.

O Google não é tão inteligente para saber isso, mas eu aposto como uns 90% das pessoas que estavam pesquisando sobre o assunto estavam interessados em ver as fotos do lugar e, principalmente, da menina. Quase ninguém talvez tenha a mesma opinião que eu descrevi no meu texto, e isso é triste. O gosto pela tragédia alheia é, realmente, a prova de que nosso povo é cada vez mais imbecil.


Mas vamos colocar à prova esse lance das palavras-chave.

Muita gente ontem compartilhou, via Facebook ou via Whatsapp, o vídeo do garoto que apanhou da mãe por ter divulgado na internet um vídeo íntimo com sua namorada. (Somente essa frase já vai me render várias visualizações, vou mostrar para vocês em outro post)

Eu acho, como já disse no post anterior, que o tipo de gente que faz esse tipo de coisa merece apanhar na cara mesmo. Mas também acho que a mãe do moleque perdeu uma ótima oportunidade de educar o garoto e acabou fazendo cagada. Totalmente incoerente a mãe reprimir o filho adolescente por ter exposto alguém ao ridículo na Internet e, para demonstrar que isso é errado, fazer exatamente a mesma coisa. Onde é que isso vai parar?

Castigar o moleque está mais do que certo, mas expor a sua situação vergonhosa, assim como ele fez com a namoradinha, é totalmente incoerente.