Quem é John Galt?

Publicado: 28 de abril de 2017 por Kzuza em comunismo, liberalismo
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Não sei, mas achei que o dia de hoje merecia essa camiseta.

Em A Revolta de Atlas (SPOILER ALERT!!!!), Ayn Rand descreve uma sociedade autônoma que é formada em um vale. Essa sociedade é fundada por John Galt, um engenheiro de mente brilhante que desiste de ser explorado por pessoas que não fazem nada por merecer e decide parar o motor do mundo. Ele começa a convencer outras mentes brilhantes, principalmente empreendedores, a não mais se curvarem às exigências de um Estado parasita que quer apenas sugar os frutos de seus trabalhos e os leva a viver no Vale de Galt.

Quem lê o livro nunca mais é o mesmo. É justamente por isso que, para mim, o dia de hoje demonstra muito a crise moral que vivemos.

A pergunta que sempre faço é: se houvesse a possibilidade de criar uma nação nova, em um território isolado, onde você pudesse escolher quem seriam os habitantes, você preferiria um mundo onde estivessem só os apoiadores do movimento de hoje, ou só os opositores ao movimento de hoje? Se pudéssemos criar um Vale de Galt, você preferiria que ele fosse habitado por indivíduos que preferem submeter suas decisões e vontades a um poder central (sindicatos ou um Estado gordo e poderoso), ou por indivíduos que preferem fazer suas próprias escolhas livremente e realizar trocas de maneira voluntária? Nessa decisão completamente hipotética, lembre-se: sua escolha é excludente, ou seja, você não pode levar os dois lados para o mesmo lugar.

Para facilitar, imagine um mundo sem patrões. Sem empresários malvadões. Sem grandes fazendeiros. Sem exploradores. Um mundo onde reinam apenas os apoiadores do PSOL, do PT, do PC do B, do PSTU, do PCO, do MST, da CUT e da UNE. Imagine esse mundo. Como seria viver nele? De quem essas pessoas reivindicariam dinheiro? Terras? Propriedades? Direitos? Trabalho? Imagine todas essas pessoas tendo que depender umas das outras, somente.

Se essa é a sociedade que você quer viver, leia A Revolta de Atlas e entenda onde é que ela vai parar. Se isso não fizer sentido para você, eu não sei mais o que pode te ajudar.

Sindicatos/Movimentos Sociais ou PCC?

Publicado: 27 de abril de 2017 por Mathias em Política, violência
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Boato de toque de recolher afeta 4 bairros de Santo André
Leia a transcrição deste áudio:
_ Pessoal, estão anunciando que vão liberar o UBER com desconto na cidade, é o seguinte, se tiver um UBER rodando a gente vai quebrar tudo hein irmão.
_ Avisa a galera ai porque se não parar o país sexta-feira nóis vai quebrar é tudo esses carros aí com celular no painel, é pra aderir a greve geral hein.
_ Não é pra levar um trabalhador… uma manicure, uma cabeleireira, não é pra levar ninguém ao trabalho, e todos os trabalhadores tem que ficar em casa tranquilo aí, que a mobilização é geral.
_ É o seguinte, vamo quebrar tudo, se tiver 1 uber rodando no Brasil nóis vai quebrar.
Áudio aqui:
Você sabe se isso é uma intimidação do PCC sobre a população ou de sindicalistas sobre trabalhadores?
O áudio circula em grupos de whatsapp de “motoristas de app” como Uber, devido a uma parceria dá prefeitura com a empresa, para garantir mobilidade urbana na cidade.
Escolas privadas estão com medo de funcionar amanhã com medo de represálias, sindicatos já compareceram nos locais para alertar.
Pequenos comércios locais já estão cogitando não abrirem devido aos inúmeros boatos.
A atuação dos sindicatos se assemelha ao terrorismo das organizações criminosas como PCC. Armado com pelegos que se sustentam pela suor dos trabalhadores, arrancando 1 dia de trabalho por ano de forma compulsória, os sindicatos e demais movimentos que existem em função da sua sanha por poder e dinheiro organizam para sexta-feira (28/04) uma greve geral.
As pautas são vagas e basicamente faz oposição as reformas estruturais da previdência e do trabalho, reformas essas que prejudicam justamente os próprios sindicatos, que roubam a autonomia do indivíduo.
Mas dessa vez, para garantir uma paralisação que não tem apoio popular as centrais sindicais estão usando do terror característico das utilizadas pelo crime organizado.
Tudo começa com um burburinho, o que antes se alastrava no boca a boca, na rádio-peão de intervalo do almoço hoje está a apenas 2 cliques, em poucas horas cria-se um factoide baseado em boatos e a merda já está feita. Daí para a histeria coletiva é um passo:
– Você recebe em todos os grupos um áudio alertando a não sair de casa que vão “tacar fogo” em quem estiver na rua.
– Você recebe aquela mensagem reciclada de que passaram de moto fazendo toque de recolher.
– Nos terminais o boato é que tudo vai parar.
– Nas ruas o olhar atento revela um terror cujo inimigo não tem rosto.
– Tem aquele famoso fulano irmão do sargento da rota que tem notícias quentes também, que fala da mobilização dos quartéis sobre o acontecido.
– E o clássico áudio com voz sinistra com 90% de gírias fazendo o mesmo alerta em tom ameaçador.
Essas ameaças são usadas pelo crime, que usa do terror quando querem demonstrar seu poder perante o poder público e a ordem social da cidade, normalmente quando sua estrutura criminosa sofre baixas ou perda financeira. Hoje vemos estas mesmas táticas de terrorismo sendo utilizada pelas centrais sindicais e por supostos movimentos sociais como MST, MTST, UNE ou qualquer outro grupo que diz representar parcelas da sociedade, mas não conseguem se manter financeiramente por seus associados e barganham recursos do estado, recurso que deveria ser devolvido a sociedade em forma de serviços essenciais como a proteção e a garantia da vida, liberdade e propriedade de todo pagador de impostos.
Essa greve visa defender a permanência das gordas verbas pagas obrigatoriamente por trabalhadores e pelo estado, articulada pelos tentáculos da extrema-esquerda totalitária que não conseguem aceitar a autonomia do indivíduo, tratando todos como imbecis incapazes de buscar seus próprios arranjos de trabalho, e nomeando de forma autoritária pessoas que agem em conluio com as figuras políticas já conhecidas por todos nós.
Fui!
Mathias

A crença no Poder da Caneta!

Publicado: 26 de abril de 2017 por Kzuza em Política
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Temos uma greve geral (que aposto que não terá mais de 100 mil adeptos no Brasil todo) agendada para o dia 28 de Abril, sexta-feira. Dentre as reivindicações, a luta contra as reformas trabalhista e previdenciária propostas pelo atual governo.

É desnecessário constatar que essa greve se trata de um mero movimento político da extrema-esquerda brasileira, órfã desde o desmascaramento do PT e dos seus líderes. Qualquer ser humano minimamente consciente tem noção disso. Basta olhar quem está por trás do movimento: movimentos sindicais, partidos de esquerda, movimentos de sem-terra e movimentos estudantis. Ou seja, de voz popular mesmo, não temos absolutamente nada.

Também é completamente inútil dizer que toda a histeria contra tais reformas não tem absolutamente nenhuma relação com o conteúdo da mesmas, mas sim contra seus autores. Dilma e o PT já sinalizavam há tempos a necessidade e o desejo de se realizar a flexibilização da CLT e a reforma previdenciária, sem nenhum pio a respeito vindo dessas mesmas entidades que hoje apoiam uma greve geral.

Mas o que realmente me surpreende nas informações divulgadas por esses organizadores é o tal mantra do “Nenhum direito a menos!”. Espalham aos quatro cantos que o governo está querendo acabar com os direitos dos trabalhadores, inclusive com o direito à aposentadoria.

Esses movimentos possuem uma crença fortíssima que costumo chamar de “Crença no Poder da Caneta”. Eles crêem que basta uma boa vontade de políticos bem intencionados em criar algumas leis, aprová-las e pronto, tudo será realizado. É como se todos os empregos e todo dinheiro do mundo estivessem lá, guardados em um cofre, e que bastasse alguém determinar um lei para que eles fossem destinados aos lugares certos.

Essa gente adora se dizer contra a desigualdade social, mas paradoxalmente apoia uma CLT (por exemplo) que concede privilégios a uma parcela da população (aquela que está empregada formalmente), mas joga para a informalidade e para o desemprego uma outra grande parte. Hoje já são mais de 13 milhões de desempregados. Devemos considerar também jovens que não possuem nenhuma experiência profissional e que tentam entrar no mercado de trabalho e não conseguem, devido às barreiras impostas à contratação deles (como o salário mínimo, por exemplo).

Não há hoje nada mais excludente do que a CLT. Privilegia os que já estão trabalhando e fode com a vida de quem precisa trabalhar. Simples dessa forma. E mesmo assim, há gente defendendo que as coisas continuem assim, e sabe-se lá porquê (eu já tentei entender a mente dessa gente, mas definitivamente não consigo).

Enfim, vida que segue…

Crise moral

Publicado: 18 de abril de 2017 por Kzuza em Comportamento
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Palmeiras x Corinthians. Jogo válido pela primeira fase do campeonato paulista de 2017. O jogador Keno, do Palmeiras, sofre uma falta por trás cometida pelo volante Maycon, do Corinthians. O outro volante, o jogador Gabriel, que vinha acompanhando a jogada, já tinha cartão amarelo. Ao se levantar após a falta, Keno aponta imediatamente para Gabriel, e o árbitro aplica o segundo cartão amarelo e, consequentemente, o vermelho no jogador errado. Muita confusão. Jogadores do Corinthians em peso tentam alertar o árbitro do equívoco, mas ele não muda de opinião. Nenhum jogador do Palmeiras se manifestou.

São Paulo x Corinthians. Jogo válido pelas semifinais do mesmo campeonato paulista de 2017. Em uma bola no ataque do Corinthians, o atacante corinthiano Jô e o zagueiro Rodrigo Caio disputam a bola, que estava muito mais próxima do goleiro Renan Ribeiro, que fica com ela. No lance, Rodrigo Caio se choca com o goleiro do próprio time, que fica no chão. O árbitro, de longe, aplica o cartão amarelo no atacante Jô. Imediatamente, Rodrigo Caio comunica o juiz da partida que foi ele quem se chocou contra o goleiro, e que o cartão é injusto. O árbitro volta atrás e aplaude o jogador tricolor.

As situações relatadas acima são completamente antagônicas. Uso-as propositalmente nesse artigo para demonstrar uma crise moral pela qual passamos aqui no país.

No primeiro episódio, o foco foi colocado apenas no juiz da partida, que de fato cometeu um erro crasso. Ele acabou sendo punido, como de fato deveria ser. No entanto, pouco ou praticamente nada se comentou sobre o fato de nenhum jogador, nem o treinador e nem ninguém da comissão técnica do Palmeiras terem se manifestado. Não houve um mísero ser humano digno de um pingo de honestidade para poder safar o juiz, a partida e, principalmente, sua própria honra de homem.

Já agora no segundo episódio, apesar de felizmente muita gente estar comentando favoravelmente a atitude de extrema hombridade de Rodrigo Caio, inclusive os próprios adversários corinthianos, ainda somos obrigados a ver gente imbecil como o jornalista Juca Kfouri comentando: Não fez nada mais do que a obrigação. Sério, Juca?

Na minha opinião, a honestidade não é uma virtude. Ela é apenas uma característica moral que deveria passar desapercebida por aí. É algo como o fato de não se matar ninguém. Não é uma grande qualidade, apenas a obediência a um princípio moral universal. Acontece que aqui no Brasil desenvolvemos algo que vai além disso, a tal “Lei de Gerson”. A honestidade por aqui é vista com maus olhos, é coisa de gente tola. E acho que, justamente por isso, é extremamente necessário louvar atitudes como a do jogador sãopaulino de pé, exaltá-la aos quatro cantos, principalmente pela mídia formadora de opinião. É algo para se mostrar nas escolas para as crianças mais novas. É algo para se incentivar, vibrar. É digno de uma estátua no estádio do Morumbi. E sabe por quê? Para que possamos um dia tentar colocar fim à Lei de Gerson. Para que um dia não precisemos mais ficarmos maravilhados e atônitos diante de um gesto que deveria ser, como Juca disse, mera obrigação.

Esse desvio moral vai muito além do futebol. Recentemente, em uma entrevista no programa Pânico no rádio, os fundadores do site Ranking Políticos respondiam a uma pergunta do apresentador Emílio Surita: mas político não é tudo igual? Eles mencionavam que existiam atitudes que mostravam se um político era pior ou melhor que outro. Citaram o exemplo do senador José Reguffe que abriu mão de uma série de benefícios como parlamentar e reduziu o número de assessores, tudo em caráter irrevogável, economizando assim uma quantia absurda de dinheiro ao longo dos 4 anos de mandato. Tanto o apresentador quando outros integrantes da bancada do programa disseram que isso era mera propaganda, marketing, demagogia. Uma das integrantes do programa chegou até a criticar o prefeito João Dória por doar seu salário para entidades filantrópicas do terceiro setor e mostrar isso na internet.

Veja até que ponto vai a mente doentia das pessoas. As atitudes dignas desses políticos, por mais corretas que possam ser, são minimizadas porque são apenas objeto de propaganda. Sério? Eu quero é que se dane. Não me importa! O mais importante é que façam o que é certo. Se for para mostrar na internet, se for para ganhar votos, se for para deixar a mamãe feliz, eu não me importo, desde que seja o correto a fazer e que sirva de exemplo aos demais.

Se você anda relativizando boas atitudes por aí só porque não foram realizadas por seus amigos, por pessoas do seu partido político ou por jogadores do seu time de futebol, tenha muito cuidado. Você certamente já foi contagiado por essa crise moral avassaladora que passamos aqui no país.

Por mais Rodrigos Caios!

O que está na moda?

Publicado: 17 de abril de 2017 por Kzuza em Comportamento
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Hoje abri uma página na internet e me deparei com a notícia: “Sereias deixam o mundo da fantasia e viram moda“. Outro dia mesmo também tinha lido uma reportagem de um “sereio” do Rio de Janeiro, adepto de um novo movimento chamado “sereismo”. Fui procurar entender do que se tratava e descobri que a Rede Globo agora está com uma nova novela onde uma das personagens é uma sereia, então isso diz muito sobre as diferentes reportagens sobre o mesmo assunto que estão surgindo.

Mas enfim, a última reportagem diz que as sereias estão na moda. A pergunta que eu faço é: moda de quem, cara pálida?

Tenho reparado que constantemente reportagens nessa mesma linha têm aparecido em portais da internet com cunho progressista. Já li sobre a moda dos homens que usam saia, das mulheres que não se depilam, das barbas coloridas, do “largar tudo para ser feliz”, entre outras. E mais uma vez me pergunto: quantas pessoas você conhece que são adeptas dessas novas “modas”?

Eu tenho uma vizinha que pinta o cabelo de lilás. Se eu fosse pseudo-jornalista cool de um desses canais da internet, logo escreveria uma manchete: “A moda agora é usar cabelo lilás”.

Não que não existam pessoas que se enquadrem nessas novas modinhas, mas parece-me que cravar que esses comportamentos tenham se tornado moda é um pouco exagerado, e muito provavelmente tem uma segunda intenção (ou várias).

A minha suspeita é a de que tais movimentos não são uma realidade, mas são assim retratados por uma imprensa (e nem sei se pode ser chamada assim) comprometida com a implantação de uma agenda cultural progressista. Essa agenda é voltada para a desconstrução (palavrinha boa essa!) de valores conservadores e da moral existente. Não importa que não seja legal, não importa que a maioria das pessoas não gostem ou torçam o nariz para as novas “modas”, o importante é a pós-verdade: fazer acreditar que algo é real.

Sugiro, e o leitor pode não seguir meu conselho, que tenham muito cuidado com isso. Principalmente crianças e jovens são altamente sugestionáveis a esse tipo de comunicação, e os resultados podem não ser satisfatórios.

Sobre boas ideias

Publicado: 15 de abril de 2017 por Kzuza em liberalismo
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Ontem tive uma conversa bastante proveitosa com um grande amigo. Um cara que sequer concorda com a maioria das minhas ideias, mas chegamos a um ponto em comum e que gostaria muito de compartilhar.

A conversa começou com o caso da United Airlines, onde um passageiro foi retirado à força de um avião. Ele comentou que já há muitas pessoas organizando um boicote à companhia aérea, negando-se a voar com uma empresa que é capaz de tratar os seus clientes dessa maneira. Eu concordei, adicionando que sou favorável a esse tipo de atitude, onde pessoas se reúnem voluntariamente para protestar em defesa de uma causa, e que tentam convencer outras a fazerem o mesmo.

Veja, não é preciso que haja um esforço muito grande para se convencer as pessoas de que a atitude da companhia aérea, personificada nesse caso em seus profissionais que faziam parte da tripulação, foi errada. Talvez seja mais complicado convencer as outras pessoas de que o boicote seja a melhor forma de se protestar ou de que isso tenha algum resultado prático (e aqui a discussão realmente se estenderia por horas e horas). De qualquer forma, desde que não seja algo arbitrário e imposto, acho a iniciativa bem bacana.

Mas o cerne da questão aqui não é nem o protesto contra a United Airlines.

O ponto no qual concordamos é que qualquer boa ideia é capaz de resistir e prevalecer sobre as piores ideias sem que ninguém precise apontar uma arma e ameaçar as outras pessoas a concordarem. De maneira análoga, ideias estapafúrdias também estão fadadas a serem imediatamente rejeitadas pela maioria das pessoas sem que ninguém precise alertá-las sobre o seu perigo.

Eu acredito (e já devo ter escrito isso aqui ou em algum outro lugar) que a livre associação de indivíduos que concordam com uma mesma ideia e a colocam em prática possui muito mais resultados (e muito melhores!) do que quando tentam impor essas ideias através de leis e decretos a toda uma população.

Eu acredito que boas ideias atraem naturalmente o apoio de muitos indivíduos. No entanto, quando essas ideias tentam ser empurradas goela abaixo das pessoas, mesmo que essas sejam boas ideias, o resultado passa a ser o contrário. Seres humanos tendem a ter aversão àquilo que lhes é imposto como bom, justo e necessário. Por exemplo, um indivíduo não começa a ir a uma igreja quando um testemunha de Jeová bate à sua porta no domingo de manhã para lhe obrigar a isso; esse indivíduo o faria no caso de se identificar com a palavra pregada, com as boas energias trazidas pelo ambiente, com a comunhão da sua comunidade.

Vamos pensar. O programa Teleton, em 2016, arrecadou 27 milhões de reais que foram destinados à AACD. A campanha foi liderada pelo SBT. Diversos artistas fizeram campanha, pediram doações, mostraram onde o dinheiro era aplicado, as crianças que dependiam do tratamento especial, etc. Centenas de milhares (ou até milhões) de brasileiros se mobilizaram e doaram dinheiro em prol da causa. Veja só, não é muito difícil convencer alguém de que uma criança que nasceu com alguma necessidade especial precisa de atenção especial, profissionais capacitados para o tratamento e medicamentos. As pessoas imediatamente se sentem tocadas com isso.

Agora, imagine que um presidente da república aprovasse uma lei que criasse um imposto a ser pago obrigatoriamente por todo cidadão comum com renda mensal superior a dois salários mínimos. A receita obtida por esse imposto (estimada em R$27 milhões) seria revertida integralmente à AACD. O que você acharia disso?

Vamos analisar. O resultado final para o destinatário seria efetivamente o mesmo. Porém, qual a moralidade de um arranjo como esse? Fatalmente, isso iria obrigar pessoas que não contribuem com a AACD (independente do motivo) ou que contribuíam com quantias menores a desembolsar compulsoriamente uma quantia com a qual não estão de acordo. Isso também faria com que pessoas com renda mensal inferior a dois salários mínimos e que, por ventura, tenham doado voluntariamente alguma quantia pelo Teleton não consigam mais contribuir (ou ao menos, não com a facilidade que tinham anteriormente).

Portanto, convido você a pensar sobre isso quando estiver requisitando algum serviço público ou alguma lei em especial que obrigue uma ideia ou uma causa as quais você defende serem impostas a todo o restante da comunidade na qual você vive. Isso parece bastante tentador quando é algo com o qual você concorda, mas tenha certeza de que na maioria das vezes será algo com o qual você está contra. Depois não adianta reclamar.

 

Mulheres, sejam bem vindas ao liberalismo!

Publicado: 10 de abril de 2017 por Kzuza em liberalismo
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Recentemente, no dia internacional da mulher, li uma série de textos clamando por direitos iguais para homens e mulheres. Essa seria, em suma, a principal pauta do movimento feminista. Então resolvi pesquisar um pouco a respeito.

A primeira coisa que descobri é que o feminismo em si não é um movimento. Na verdade, ele é uma bandeira atrás da qual um monte de gente se esconde, cada um bradando por uma coisa diferente, mas sempre com o centro nas mulheres. No geral, qualquer coisa que reclame algo em nome das mulheres hoje é chamada de feminismo. E é justamente esse o motivo pelo qual o feminismo não é levado à sério.

Eu explico. As mulheres estão cada vez mais em alta, cada vez mais em evidência, cada vez com mais voz ativa. Pode se dizer, sem muito medo de errar, que as mulheres hoje são cada vez mais levadas à sério, ao contrário do suposto movimento que dizem representá-las. Ou seja, o indivíduo está se sobressaindo ao coletivo, para desespero daqueles que acreditam no contrário.

O mais incrível é que aquelas que se dizem feministas atribuem essa ascensão da mulher como uma vitória de um suposto movimento coletivista, sem se dar conta de que na verdade essa ascensão é resultado da própria capacidade individual de cada mulherão da porra que temos por aí.

No que diz respeito aos direitos propriamente ditos, homens e mulheres hoje gozam, legalmente falando, basicamente dos mesmos direitos. Claro, considerando a diferença biológica existente entre os sexos, que mostra homens fisicamente mais fortes que as mulheres, há algumas diferenciações. Mulheres gozam de benefícios não concedidos aos homens a fim de equiparar as condições de ambos os sexos. Mulheres não prestam serviço militar obrigatório, possuem delegacias próprias para investigação e combate a crimes, têm direito (pelo menos até agora) a se aposentarem antes dos homens, entre outros.

Então o que as pessoas querem dizer quando clamam por direitos iguais? É aí que está a chave: mentes mais pensantes pedem para que os direitos iguais garantidos por leis sejam cumpridos efetivamente para as mulheres. Em linhas gerais, não basta escrever as regras do jogo, é preciso que elas sejam cumpridas.

Mas se as leis não estão sendo cumpridas, é necessário identificar primeiro o porquê disso, a fim de eliminar (ou minimizar) a causa do problema. Nesse ponto, assim como em vários assuntos polêmicos, os progressistas da esquerda falham miseravelmente. Na preguiça ou na incapacidade de pensar, apontam para qualquer direção e miram em seres imaginários ou em coisas impessoais. E quando não se há algo concreto a ser combatido, a guerra nunca tem fim e continua somente alimentando discursos demagógicos.

Progressistas irão sempre culpar a sociedade misógina e machista por todo e qualquer infortúnio sofrido por uma mulher em particular. Isso jamais resolve o problema, mas pelo menos dá cartaz a grandes demagogos, principalmente na era das redes sociais. A alienação toma conta dos mais sensíveis, gera aquela sensação de fazer parte de uma “revolução”, mas no final das contas tudo continua como antes. E quando ocorrem mudanças graças a indivíduos que combateram inimigos reais, os primeiros clamam para si as glórias.

Vamos a exemplos de alguns absurdos.

Primeiro, tratemos da alienação das feministas mais radicais. Não vou me alongar na discussão sobre todas as supostas “lutas” travadas por elas, mas vou me ater a um único ponto: o tal padrão de beleza. Estas adoram dizer que lutam contra os padrões de beleza “impostos” pela sociedade. Eu particularmente acredito ser meio bizarra a ideia de que alguém acha uma mulher bonita ou feia porque outra pessoa está dizendo isso. Gosto é algo muito pessoal. Se houvesse somente um tipo de beleza ideal, eu diria que 95% das mulheres jamais chamariam a atenção de homem algum, mas nós sabemos que não é isso que acontece. É claro que existem homens e mulheres mais bonitos e mais feios. Há quem goste de gordinhos e gordinhas, embora a maioria prefira os mais magros, por uma questão estética. E não há nada de mal nisso. E também é normal homens gostarem mais de mulheres depiladas do que de mulheres com bigode ou pêlos debaixo dos braços. O problema destas feministas não é apenas lutar para que possam ser como elas bem entenderem (até porque elas podem fazer isso, não há impedimento nenhum), o problema é querer impor que as demais pessoas achem isso legal ou bonito. Não é o fato de fazer cocô de porta aberta que vai tornar isso um ato comum e aceitável.

Outro ponto bastante interessante, compartilhado pela maioria das feministas, é a questão da equiparação entre homens e mulheres no ambiente de trabalho. Os números mostram que há menos mulheres em cargos executivos nas empresas que homens. Os números mostram que a média salarial das mulheres é mais baixa que a dos homens. As mulheres ocupam menos cargos na política que os homens. Há uma desigualdade clara. Mas será que as feministas conseguem identificar o que está acontecendo de verdade e lutar contra isso? Parece-me bastante óbvio que não. Bradam contra a sociedade machista e contra a discriminação sofrida pelas mulheres, como se essas abstrações explicassem os fatos. Sabemos que existem homens machistas e que discriminam as mulheres, mas isso explica? Essa é uma lógica muito utilizada nos dias atuais e que não é exclusividade das feministas: a existência de um comportamento ou a ocorrência de um fato são utilizadas como explicação para um fenômeno específico, mesmo que não exista nenhuma relação de causalidade, mas desde que corrobore com a agenda ideológica desejada.

Em relação ao fato de mulheres ocuparem menos cargos executivos ou na política, eu sugiro assistirem o documentário “O paradoxo da igualdade”, produzido pelo sociólogo e humorista norueguês Harald Eia. Há explicações científicas que demonstram que homens e mulheres são diferentes em vários aspectos, inclusive em suas inclinações profissionais. De qualquer forma, é óbvio que existem mulheres que chegam a esses postos, e isso se dá graças a suas competências, e não como uma forma de reparação e agradecimento da sociedade cis-hétero-machista-misógina a algumas mulheres. Portanto, o discurso feminista erra o alvo ao apontar o dedo para algo abstrato (uma sociedade machista) como culpado, o que não surtirá efeito algum porque nenhum ser abstrato é capaz de dar uma resposta a um estímulo. Se as feministas encorajassem as próprias mulheres, o resultado seria mais rápido e com muito mais assertividade. Exigir cotas de reparação na política ou em altos cargos nas empresas apenas abriria espaço para uma série de oportunistas incapazes assumirem posições para as quais não estão preparadas ou que sequer escolheriam voluntariamente. O que não falta no mundo são mulheres inteligentes e competentes para chegarem lá, basta incentivá-las.

Já quanto aos menores salários, o documentário norueguês também explica alguns fatores, mas mudando o foco aqui para a nossa república das bananas, certamente o maior inimigo é outro. Vamos partir de um princípio básico e de fácil compreensão: se as mulheres realmente ganhassem menos que os homens para fazerem exatamente o mesmo trabalho, por que os donos de empresa não contratariam apenas mulheres ao invés de homens? Seria de uma incompetência tremenda não observar essa possível redução de custos, não? Acreditar que os empresários do Brasil são tão burros assim é de uma inocência que beira o ridículo. Mas então, desconsiderando-se o fato de que mulheres tendem (VEJA BEM, IMBECIL: É UMA TENDÊNCIA COMPORTAMENTAL, E NÃO UMA REGRA!) a escolher carreiras profissionais que pagam salários menores, vamos focar nas situações onde homens e mulheres estão em uma mesma carreira, com as mesmas qualificações e o mesmo tempo de experiência. Por que então, nesses casos, mesmo assim homens ganham mais que mulheres? A explicação para esse e inúmeros outros problemas que atingem o trabalhador brasileiro está no mesmo lugar: a famigerada Consolidação das Leis do Trabalho (CLT).

A CLT concede “direitos” aos trabalhadores que infelizmente não são chamados pelo nome correto. Na verdade, a CLT concede benefícios aos trabalhadores em geral. Todos nós sabemos que qualquer benefício ou prêmio é necessariamente pago por alguém, pois nada é gratuito. Quando se trata de Brasil, nós sabemos que são os mais pobres e os mais frágeis que pagam por isso, de uma forma ou de outra. Desta forma, quem acaba pagando pelos próprios benefícios previstos em lei é o próprio trabalhador e não o patrão, como querem que nós pensemos. Mas como? Através de menores salários nominais, quando conseguem entrar no mercado de trabalho formal, ou através da informalidade a qual são submetidos os trabalhadores que não conseguem ser contratados dentro da CLT.

Há claramente uma sensibilização maior quando o custo por algo é cobrado diretamente do indivíduo, de forma explícita, do que quando os custos são diluídos, disfarçados e cobrados de todos, independentemente de quem irá gozar de um benefício. Explico melhor. A CLT obriga os empresários a arcarem com a responsabilidade dos salários dos profissionais no caso de uma série de ausências justificadas e períodos de licenças dos seus funcionários. Algumas dessas ausências são subsidiadas pelo próprio INSS, mas de qualquer forma quem paga pela falta de uma mão-de-obra por esse período é o próprio empregador, que fica sem uma pessoa para executar o trabalho a ser feito e não consegue contratar uma nova pessoa para executar a tarefa, pois aquela que está ausente pode retornar ao trabalho a qualquer momento e não poderá ser desligada.

Dessa forma, os patrões consideram, na hora de calcular a produtividade de um trabalhador ao longo de um ano e, portanto, o quanto pode pagar de salário ao mesmo, uma média de dias trabalhados pelos profissionais. Há uma série de fatores que explicam que mulheres se ausentam (de forma justificada) do trabalho com mais frequência que os homens: quando um filho fica doente, normalmente é a mãe quem o acompanha ao médico (você pode chamar isso de machismo, como quiser, mas é um fato do qual não há como fugir); mulheres (pasmem!) engravidam, e durante a gravidez precisam se ausentar para exames e também devido a implicações que a própria gravidez traz, além do período de licença maternidade que pode chegar a 6 meses no Brasil; mulheres cuidam mais da saúde, previnem-se mais e, assim, ausentam-se mais para consultas médicas; mulheres afastam-se mais frequentemente do trabalho por motivos de saúde (não encontrei nenhuma pesquisa por aqui, mas é um fato facilmente observado – o que não quer dizer que todas as mulheres são assim, nem que não haja homens que também se ausentem muito do trabalho por problemas de saúde, é apenas uma constatação de tendência).

O fato é que devido a tudo isso, engessado pela CLT, o patrão considera que ao longo de um ano, uma mulher trabalha em média menos dias que um homem. Como o patrão precisa necessariamente pagar os mesmos 13 salários que paga para o homem, o salário acaba sendo menor.

Agora vamos pensar de uma forma um pouco diferente. Vamos imaginar que fosse possível contratar um funcionário por hora trabalhada. Que o patrão pudesse acordar com o funcionário um valor/hora fixo e um pacote fixo de N ausências justificadas no ano, e mais um período de férias fixo. O quanto isso seria benéfico para as mulheres? Não tenho a mínima dúvida de que nessas condições homens e mulheres receberiam exatamente o mesmo valor por hora trabalhada (ou, na pior das hipóteses, um valor muito próximo).

Há nessa questão dois pontos polêmicos. O primeiro seria: mas se as empresas não fossem obrigadas a oferecer licença-maternidade, por exemplo, nenhuma empresa ofereceria esse benefício a suas funcionárias. Eu sinceramente duvido muito disso. Há uma série de benefícios hoje em dia, como previdência privada, vale-alimentação ou plano odontológico, que não são obrigatórios por lei mas que mesmo assim são oferecidos por um grande número de empresas, que vêem nesses benefícios uma maneira de atrair e reter melhores profissionais. A lógica seria a mesma.

O segundo seria: mas se a empresa ou o Estado não pagarem o salário de uma mulher durante os primeiros meses de maternidade, isso não seria justo. Será? Aqui entra uma questão básica de responsabilidade individual. Quando uma mulher se ausenta do trabalho porque teve um bebê e recebe um pagamento durante esse período, alguém necessariamente estará pagando por isso. Os custos disso estão sendo socializados e pagos por alguém (isso me parece óbvio, mas é sempre bom lembrar). De uma forma mais genérica, o benefício de uma pessoa está sendo pago com algum dinheiro que está sendo retirado de outras pessoas que não estão gozando de nenhum benefício, mas que estão sendo obrigadas a pagar por isso. Você pode estar pensando duas coisas sobre mim nesse momento: primeiro, que eu só penso em dinheiro; segundo, que todo mundo pode um dia precisar desse tipo de “auxílio” também. Quanto ao primeiro ponto, você está correto: tudo no mundo gira em torno de dinheiro, queira você ou não. Sugiro que você leia o trecho de “A Revolta de Atlas”, onde o empresário Francisco D’Anconia explica o que é o dinheiro. Quanto ao segundo ponto, se o seu raciocínio estiver certo (e eu tenho indícios que está), já que todo mundo paga um pouquinho cada mês como uma forma de reserva para se utilizar isso quando necessário, por que então não estimular que cada indivíduo seja responsável por guardar essa quantia cada mês por conta própria e então utilizá-la quando necessário? Seria muito mais justo com toda a sociedade e, no final das contas, teria o mesmo resultado prático para quem necessita.

Você pode estar achando que estou sendo machista ou que quero o mal para as mulheres, mas o fato é que meu raciocínio é aplicado por mim em todas as esferas e para todos os indivíduos. Na minha opinião, a CLT na verdade é uma baita ferramenta socialista (não por acaso, ela é baseada na Carta del Lavoro de Mussolini) que finge oferecer uma série de “direitos” que nada mais são do que “benefícios” individuais custeados por terceiros. Ou seja, há um disfarce sutil que passa desapercebido por grande parte da população e que acaba por prejudicar os trabalhadores no final das contas, e não só as mulheres.

Por último, outro aspecto em voga na corrente feminista moderna é a questão da violência contra a mulher. Nesse ponto, o movimento feminista falha miseravelmente, para desespero das vítimas e para deleite dos algozes. O primeiro ponto falho do movimento é a generalização da violência, transformando qualquer coisa em assédio ou estupro. Quando qualquer coisinha é assédio ou estupro, elas dizem que estupro e assédio são qualquer coisinha. Isso é um desrespeito e uma falta de empatia tremendos com as verdadeiras vítimas desses crimes. Equiparar uma cantada porca de um pedreiro à mulher A com a apalpada na vagina da mulher B é dizer, embora ambas as atitudes sejam desprezíveis e devam ser desencorajadas, que a mulher B não sofreu nada grave. O segundo, e talvez o mais grave, é a complacência com o agressor. Feministas dificilmente incentivam punições severas aos verdadeiros agressores, nem tampouco o direito de defesa das vítimas (apoiando, por exemplo, o desarmamento civil, impossibilitando uma mulher de portar uma arma para se defender de um estuprador). As feministas preferem utilizar hashtags, camisetas e pombas brancas, sites, campanhas educacionais e qualquer outra coisa que possa servir de instrumento para uma reforma social necessária para enfim acabar com esse tipo de crimes, ao invés de combater e punir os criminosos. É como querer combater um exército de guerra com flores.

Espero que tudo isso faça sentido para você. Na verdade, a luta por condições melhores de vida para as mulheres passa invariavelmente pela liberdade individual. O problema, como eu sempre digo, é que a liberdade traz consigo invariavelmente a responsabilidade pelas ações, e por isso tanta gente foge disso e procura apenas exigir recompensas, benefícios e direitos sem contrapartida. Isso, infelizmente, é o que muita gente chama de feminismo.


Nota pós-publicação: quanto ao “padrão de beleza”, cheguei a uma conclusão. Esse padrão existe de mulheres para mulheres. Na minha opinião, mulher não entende de beleza feminina. Mulheres enquadram outras mulheres em um padrão estabelecido. Homem não tem essa frescura. Portanto, o feminismo mais uma vez erra o alvo, mirando nos homens, quando na verdade são as próprias mulheres que exigem um padrão. Dizer, por exemplo, que Grazi Massafera, Gisele Bündchen e Fernanda Lima têm “corpão”, mesmo sendo magras feito uma vareta, só pode ser coisa de mulher. Homens, em sua maioria, acham mulheres com mais carne mais bonitas.