O melhor ano da minha vida

Publicado: 16 de dezembro de 2019 por Kzuza em Sem categoria

Era dia 17 de janeiro de 2019. 5h30 da manhã. Eu já tinha visto a Fabiana levantando e indo ao banheiro, mas voltei a dormir. Acordei com ela entrando no quarto. Ela me disse: eu sei que você não gosta que te acorde cedo assim, mas acho que você vai gostar disso. Na mão trêmula dela, o resultado positivo do teste de gravidez.

Desde então, eu tenho um sorriso idiota no rosto.

2019 foi assim, o melhor ano da minha vida. O acompanhamento dos quase 9 meses de gestação, cheio de desafios. Primeiro o enjôo, depois a descoberta da diabetes gestacional, depois as dores abdominais que fizeram a Fabiana sofrer bastante esse ano. Aprendi termos que eu nunca soube existir antes. Aprendi o preço de fraldas, de roupinhas de bebê, de móveis para o quarto, e de todos os penduricalhos possíveis para uma bebê que estava pra chegar.

Em 9/9/19, às 9h e pouco da noite, com 3,535kg, no quarto 111, a virginiana com a maior quantidade de números cabalísticos da história veio ao mundo. A Letícia veio para trazer a maior felicidade que alguém pode experimentar na vida, e tem sido assim desde então.

Antes de escrever esse post, estava relendo o do final do ano passado. Tudo o que eu falei sobre a Fabiana continua sendo verdade, com a adição de que é ela é uma mãezona da porra! Eu tinha certeza de que não seria diferente, e a Letícia deu uma sorte tremenda de nascer deste ventre!

Eu podia resumir 2019 a isso, mas teve muito mais. Teve minha despedida da Dock, após pouco mais de um ano do trabalho mais intenso da minha vida, e o aceite ao novo desafio da Creditas. Teve novos bebês também chegando ao mundo: o Theo, filho dos meus afilhados Douglas e Dani, que chegou um dia após a notícia da gravidez da Fabi; e os gêmeos Julia e Miguel, dos amigos Fabi e Rodrigo, sobrinhos da minha amigona meninona!

Tive também dois acidentes de trânsito, com dois carros diferentes, em 3 meses, coisa que não ocorria há uns 15 anos comigo. Teve bike nova para vir trabalhar. Teve amigos indo morar fora do país e já dando tempo de voltar para uma breve visita para conhecer a Lelê.

O ano acabou rápido demais, mas completo demais. E assim espero que sejam as festas de vocês: completa! Que vocês e suas famílias sintam exatamente o que eu sinto quando olho para a Letícia. Desejo que vocês se amem como eu amo a Fabiana. E que o ano de 2020 seja, como sempre, o melhor ano de nossas vidas!

Letícia

E 2018 tá acabando!

Publicado: 21 de dezembro de 2018 por Kzuza em Sem categoria

Eu iria achar muito estranho mesmo se esse ano eu conseguisse escrever essa tradicional retrospectiva com a antecedência necessária que a situação requer. Sim, porque votos de boas festas devem vir com uma certa antecipação, até para ter tempo dos atrasadinhos conseguirem ler e das réplicas serem publicadas. Mas é óbvio que como 2018 foi o ano mais turbulento e delicioso da minha vida, não haveria de ser agora, às vésperas do Natal, que tudo seria diferente.

Para ser sincero, eu estou há um bom tempo tentando lembrar como eu era no início desse ano. Queria lembrar o que eu fazia, onde eu morava, com o que eu trabalhava, quais eram as músicas que eu ouvia (tá, isso não mudou nada, admito!)… mas não lembro! Janeiro é um mês que está há séculos de distância. A pessoa que eu era lá simplesmente não existe mais. E, para falar a verdade, eu não sinto falta alguma.

2018 foi literalmente o ano das mudanças. Em tudo!

Minha transformação pessoal e minhas escolhas me colocaram no caminho certo para (re)encontrar a minha parceira de alma. Não há absolutamente nada que seja capaz de explicar o que a Fabiana representou esse ano para mim e irá representar para sempre. Apenas quem conhece sabe o que eu estou dizendo. Eu nunca serei capaz de agradecer por esse encontro. E havia de ser com ela.

Além disso, no início do ano eu estabeleci dois grandes objetivos pessoais: o primeiro, seria me mudar de São Caetano para algum lugar mais próximo do meu trabalho e da minha família; o segundo, seria ser contratado pela Elo, que era para quem eu trabalhava como terceirizado. O primeiro objetivo consegui facinho, e de quebra ainda com uma baita companhia, a melhor que existe. O segundo serviu para provar que a gente nem sempre sabe o que é melhor para nós. Entre encontros e desencontros, acabei nem sendo contratado por eles, nem permaneci onde estava. Aceitei o maior desafio profissional da minha vida e estou completamente realizado com o que venho fazendo, pela primeira vez em toda minha carreira profissional.

Também aproveitei as férias e fui pra Nova York pela segunda vez, desta vez no verão. Uma viagem completamente diferente da primeira. Muita coisa bacana, desta vez na companhia da minha fiel escudeira e minha guia na minha primeira viagem ao exterior em 2006: tia Fran “Stella”.

Talvez a única coisa difícil (e bota difícil nisso!) deste ano tenha sido mesmo a perda do Sr. Nicola. Eu nunca imaginei que pudesse sentir uma dor desse tamanho, muito menos por um senhor que eu conhecia há tão pouco tempo. Conheci poucas pessoas na vida com tamanha luz e sabedoria, mas a minha fé e o apoio que toda a família Moreno tem se dado facilitam muito a superação da perda. Mais que isso, a certeza de que agora ganhamos mais um protetor.

Enfim, quanta coisa junta! Se isso é transformação, estamos no caminho certo. E talvez esse seja o caminho para 2019. Vamos nos revolucionar! Porque é bom demais chegar no fim do ano e saber que você está muito diferente do que estava lá no início. É bom demais saber o tanto de coisa que a gente é capaz de construir! Então desejo que você e sua família sejam capazes de experimentar isso no próximo ano. Eu comprovo: depende apenas de vocês!

Ótimas festas a todos!

Nos 45 do segundo tempo

Publicado: 20 de dezembro de 2017 por Kzuza em Geral
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É, aposto que você estava pensando que este ano eu não iria fazer minha retrospectiva, né? Pois é, quase você acertou!

Ultimamente não tem me sobrado tempo para muita coisa. A rotina do trabalho tem sido árdua, mas não há luta que eu não consiga vencer. E nesse ponto, esse ano foi fundamental para que eu me convencesse ainda mais disso.

Descobri nos meados desse ano o budismo de Nichiren Daishonin, como muitos sabem, e pela primeira vez encontrei uma religião que ia exatamente ao encontro de tudo o que eu sempre acreditei. Isso tem me deixado cada dia mais forte e mais feliz. Não no sentido do “tontão” que dá risada de tudo, alienado do mundo e sem preocupações, mas sim no sentido de estar sempre pronto para qualquer parada e vencendo qualquer obstáculo.

Tudo bem que 2017 não foi nem de longe o que 2016 foi em termos de perdas e frustrações. Pelo contrário.

Comecei o ano trabalhando por conta própria, fiz vários trabalhos legais, mas como a gente não vive apenas de coisas legais e dinheiro é sempre necessário, voltei ao mercado de trabalho. Eu me ofereci para trabalhar com grandes amigos meus de muitos anos, eles toparam, e lá estou eu até hoje. Não esperava muita coisa, para ser sincero, mas tudo correu muito melhor do que eu esperava. Reencontrei várias (e bota várias nisso) pessoas que eu não via há muito tempo. Trabalhei pela primeira vez para com meu primo Carlos, um dos caras mais competentes e inteligentes que já conheci. Descobri em mim habilidades que eu nunca imaginei ter. Enfim, desenvolvi-me profissionalmente de uma forma absurda. O reconhecimento veio naturalmente.

Entrei e saí de relacionamentos. Conheci gente bacana, compartilhei ótimos momentos, briguei mais do que eu desejava. Frustrei e me frustrei algumas vezes.

Perdi duas vovós postiças esse ano (já que minhas vovós mesmo já eram!), mas com a certeza que agora Dona Vanir e Dona Maria estão fazendo a alegria de muitas outras pessoas, seja lá onde elas estão.

Não ganhei um sobrinho (de novo!), mas ainda tenho esperanças. Mas sinto que me aproximei muito mais da minha família do que vinha fazendo. Mesmo sem tempo, mesmo morando longe, mas sinto que meus encontros com tanta gente que eu gosto aumentaram em quantidade e em intensidade nesse ano, o que é muito bom.

Consegui manter minhas grandes amizades, fazer várias outras novas (principalmente a turma do buda!), mas principalmente, consegui fazer as pazes aos 45 minutos do segundo tempo com gente que realmente importava. Ajudei amigos a encontrarem emprego num ano tão difícil para isso. Passei a me importar mais com as angústias e sofrimentos dos outros (o que para um ser egoísta como eu é um baita avanço!).

E sim, voltei a tocar violão! Mas continuo cantando pior que o Pablo Vittar… 😦

Mas enfim, o ano acabou e eu quase nem vi passar. E o que eu espero desse Natal e do Ano que está por vir? Eu espero que vocês, meus amigos, sejam felizes! Eu quero que vocês sejam cada vez mais pacientes. Espero que passem a vestir mais as sandálias dos que estão ao seu redor, vivam as experiências deles, se importem com eles e sejam o apoio de quem vocês puderem ser. Sejam solidários, sem esperar nada em troca, porque o retorno sempre vem. E que façam sempre o bem e mantenham-se positivos em tudo! Espero que todos façam sua própria revolução humana, que se reinventem, que sejam melhores e modifiquem o futuro de vocês e dos seus próximos. Todos temos um potencial incrível e só depende de nós fazer a diferença.

Façam de 2018 o melhor ano de suas vidas, de nossas vidas!

Em defesa da liberdade

Publicado: 31 de agosto de 2017 por Kzuza em liberalismo
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O blog Estado da Arte do Estadão tem publicado recentemente uma série de artigos em um chamado Especial Liberdade. Há muito tempo tenho vontade de escrever algo a respeito, mas hoje me deparei com um texto sensacional do doutor Eduardo Wolf que serviu para me incentivar a escrever essas linhas.

Nesse texto, o filósofo explica, de maneira detalhada e fundamentada, o porquê do politicamente correto ser uma grande ameaça à liberdade. Um dos pontos importantes ressaltados por ele é:

Não seria uma demasia dizer que, mais do que a corriqueira troca de administradores públicos e do que novos rumos políticos expressos por partidos e coalizões de governo, é a peculiar tendência de corrosão e esfacelamento de nossa compreensão do conceito de liberdade que emerge, penso eu, como dilema político contemporâneo desafiador. Se a liberdade deixa de ser central aos arranjos democráticos contemporâneos, ou, ainda, se a noção de liberdade que vai se tornando cara às sociedades contemporâneas opera com outro conceito de liberdade que não aquele que habitualmente concebemos, é por que estamos passando por uma dessas mudanças que ainda mobilizarão historiadores, filósofos e intérpretes vários nas décadas por vir.

De fato, como ele explica mais adiante no texto, há um esfacelamento da nossa compreensão moderna do conceito de liberdade. Já postei aqui alguns capítulos do livro do Dalrymple Em Defesa do Preconceito, onde ele explica um pouco sobre isso também.

Adiciono ao texto do autor aqui um ponto de vista meu em particular. Encaro como um dos grandes dilemas do nosso país atualmente a imensa dificuldade que as pessoas têm quando o assunto é civilidade. Vejo, de forma triste, que as pessoas têm cada vez mais dificuldade em se viver em sociedade. É cada vez mais raro, apesar de que não seja ao meu ver a maioria dos casos, encontrar pessoas que se preocupem com o próximo. E quando eu digo se preocupar não estou apenas me referindo a esferas altamente nobres, como amparar e ajudar os necessitados, participar de ações voluntárias, contribuir com atividades filantrópicas ou coisas assim. Eu estou me referindo a atitudes cotidianas banais, como segurar a porta do elevador para alguém que está se aproximando, ceder lugar na fila a um idoso ou ouvir sua música predileta em um volume que não incomode o seu vizinho.

Acontece que cada vez mais as pessoas estão recorrendo à falsa ideia de que ‘tudo aquilo que não me é proibido é, automaticamente, permitido’. Há uma diminuição constante do sentimento de que ‘não devo fazer isso porque não acho correto’ e, consequentemente, um aumento da noção do ‘eu posso fazer isso porque não há nenhuma lei dizendo que é proibido’.

Esse tipo de comportamento tem levado a cada vez mais pessoas solicitarem a intervenção de algum poder superior (invariavelmente, o Estado) para agir de maneira autoritária de forma a proibir tudo o que não lhe é agradável através de leis, impondo sanções e penas aos que as infringem.

E é aqui que mora o problema. Estamos retornando ao passado, na época da Grécia antiga. Como cita o autor:

Soberano em todas as matérias públicas, escravo em todas as relações privadas – eis, em uma fórmula feliz de Benjamin Constant, a síntese algo trágica dessa liberdade dos antigos. Tal experiência somente foi possível, digo eu agora, porque vida pública e privada no mundo clássico vinham de par, cimentadas por relação indissociável que lhes fornecia, a uma e a outra forma de vida, a existência comunitária e a cultura que lhe animava. O fato de que os antigos viviam a cultura, a religião e os costumes como uma experiência partilhada com relativa homogeneidade permitia não apenas o ímpeto comunitarista de sua vida política e de sua concepção de liberdade como, e sobretudo, franqueava o coletivismo em matéria privada, com a intrusão que hoje nos parece absurda, nos costumes mais recônditos da vida dos indivíduos.

Ele ainda adiciona:

O que poderia ser mais estranho ao ideal de liberdade dos modernos, que é o nosso, do que a convicção de que o político, o homem de estado, deva nos ensinar a virtude? O que poderia ser mais intruso e agressivo para o indivíduo do que esse poder do político e do Estado para determinar, para o indivíduo, que valores ele deve cultivar? Nossa sensibilidade liberal moderna sai ofendida com a essa intromissão, e a razão para isso é que, durante quase 400 anos, o Ocidente – e somente o Ocidente – caminhou para uma concepção de Estado e de vida comum em que nenhum corpo social pudesse impor a outros ou a indivíduos isoladamente suas concepções abrangentes do Bem.

Convido ao leitor deste pobre blog a acompanhar todos os textos que vêm sendo publicados no blog do Estadão. Há muita coisa interessante por lá.

 

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Rodrigo Hilbert. Marido da Fernanda Lima. Famoso. Bonitão. Pai exemplar. Apresentador de TV. Cozinheiro de mão cheia. Ídolo de 11 entre 10 mulheres do país. Não faltam adjetivos para descrever o cara.

Como pessoa pública, seus passos são acompanhados diariamente por um mutirão de paparazzis e de pseudo-jornalistas órfãos do site EGO. Qualquer coisa que ele faça é divulgada nos portais da internet. Há um mutirão de comentaristas de Instagram prontos para analisar e (quase invariavelmente) elogiar tudo o que ele faz.

Mas Rodrigo Hilbert também virou um ícone do politicamente incorreto. Nem mesmo suas ações de bom moço são páreo para a horda dos SJW (Social Justice Warriors, ou guerreiros da justiça social). Se ele mata um animal em seu programa de TV para depois cozinhá-lo e preparar uma refeição suculenta, é porque ele não ama os animais (como se uma coisa tivesse que ter, necessariamente, relação com a outra). Se os homens comuns, anônimos, resolvem fazer piadas ironizando o quanto o cara é um verdadeiro ‘homão da porra’, é porque esses homens comuns são machistas e não querem se dar ao trabalho de cuidar dos seus filhos (seja construindo uma casa na árvore ou meditando com eles), preparar o jantar ou limpar a casa. Teve gente que chegou até a comentar que o Lázaro Ramos é bem melhor que ele, inclusive; só não tem o mesmo destaque pelo fato de ser negro (o fato de Lázaro ser um cara muito mais reservado, fugindo dos holofotes, parece nem ser muito importante para essa gente).


Nota básica do autor: homens comuns fazem piada muito mais pelo fato de Rodrigo Hilbert ser um galã do que propriamente pelas suas atitudes. Lázaro Ramos, convenhamos, de galã, não tem nada.


By the way, brincadeiras à parte e também desconsiderando todo esse mimimi dos SJWs, o fato é que Rodrigo não passa de um homem comum como outro qualquer. A diferença é que os holofotes mostram apenas o que é bacana. É pouco provável que ele poste em suas redes sociais fotos dando broncas nos filhos, ou dos filhos fazendo birra com ele, chorando pedindo um chocolate, ou de uma briga com sua esposa. É pouco provável também que paparazzis tirem fotos dele acordando com remela nos olhos, ou fazendo cocô de porta aberta, ou batendo uma punhetinha no banho (também conhecida vulgarmente por banheta).

Eu posso dizer por mim, e acredito que o leitor também possa: conheço um punhado de homens muito mais fodas que Rodrigo Hilbert. Eles não têm um programa de televisão e nem um fotógrafo registrando tudo o que fazem, muito menos publicam seus grandes feitos no Facebook ou em fotos photoshopadas no Instagram. No entanto, são (ou foram) tão bons ou melhores que ele em muita coisa.

Meu avô nunca teve internet. Também nunca teve nenhum paparazzi cobrindo as entregas de alimentos e produtos de limpeza para as comunidades carentes de Carapicuíba. Naquela época, também não havia Instagram para registrar todas fotos lindinhas dele paparicando os netos, tampouco foi notícia nos portais de internet quando ele buscava os netos na escola e os levava pra casa, ou quando ele saiu correndo para socorrer minha irmã que havia enfiado um brinquedo no nariz.

Não houve cobertura de imprensa quando meu pai, já perto dos 60 anos, formou-se na faculdade. Também não saiu no Facebook quando meu tio Eliseu ensinou a gente, ainda pequenininho, a fazer pipa, rabiola e cortante. Não vi também nenhuma notinha quando o Mathias lutou de todas as formas pela saúde da Isadorinha.

Então, eu sinceramente acho que a jogada de marketing pessoal do Rodrigo é excepcional! O cara está sempre em evidência, mesmo sendo um homem como vários outros (talvez apenas com um rostinho mais bonitinho e uma mulher bonita e famosa). No mais, fico mesmo com meus ídolos de carne e osso, anônimos e imperfeitos, mas também politicamente incorretos.

Os palpiteiros do amanhã

Publicado: 13 de julho de 2017 por Kzuza em Comportamento
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Um comportamento que tem me chamado muito a atenção ultimamente é o do comentarista de acontecimentos ruins. Ou melhor, talvez devesse chamá-lo de palpiteiro do amanhã: aquele que sempre aparece com um ótimo palpite, mas só depois que a merda já aconteceu.

Esse tipo de gente é o oposto daquele que diz “eu bem que avisei”. Em alguns casos, ele é até capaz de usar essa frase, mesmo que nunca sequer tenha imaginado que a cagada poderia acontecer (ou então até tenha levantado a hipótese, mas preferiu ficar calado).

Sabe aquele jornalista que, depois do fatídico 7×1 nas semifinais da Copa de 2014, resolveu colocar o dedo na ferida, apontando tudo o que havia de errado no futebol brasileiro, mas que antes da Copa estava lambendo as bolas do David Luiz, do Thiago Silva e do Fred?

Ou então aquele seu colega de trabalho que chega no final do projeto, quando um erro é descoberto, e sai murmurando pelos cantos que tudo foi mal projetado, mesmo que ele não tenha a mínima noção de tudo o que já se passou ao longo da execução do projeto?

E aquele funcionário preguiçoso e displicente que, quando a empresa afunda, sabe dizer todos os pontos em que os gerentes e diretores falharam?

Tem também aquele seu amigão que incentiva quando você quer comprar um carro novo, mas na primeira vez que o carro dá problema, sempre tem um carro melhor para sugerir que você deveria ter comprado?

Mas o pior mesmo é aquele tipo que terceiriza a tarefa. Pede para você ou para um amigo fazer algo que ele mesmo poderia ter feito. No final, se qualquer coisa der errado, ele é o primeiro a dizer que você deveria ter feito de outra maneira. Não importa o que você faça, ele sempre vai ter uma maneira de fazer melhor.

Acredito que esse tipo de comportamento tem duas causas modernas:

  1. A preguiça ou a incapacidade de se analisar cenários previamente. Claro, não há como antecipar tudo o que pode acontecer, mas me parece óbvio que existem tragédias anunciadas e meras fatalidades. É necessário separar o joio do trigo. Um Aston Martin com problema de câmbio não é uma regra, é uma fatalidade. Uma equipe que demite seu treinador e vende metade do seu elenco no início do campeonato chegar ao rebaixamento para a segunda divisão ao final já é algo bastante provável de acontecer. Deixar para comentar o fato apenas após ele já ter ocorrido é bastante fácil e quase indolor, mas aparentemente sem mérito algum.
  2. A aversão à responsabilidade. É cada vez mais difícil encontrar gente capaz de assumir responsabilidades e arcar com os louros ou com as perdas de suas ações. Pouca gente é aberta a assumir riscos. O resultado disso é uma quase completa estagnação mental e social, transferindo para terceiros a responsabilidade pelos resultados de qualquer ação que venha a ser tomada. É aparentemente confortável e, portanto, tentador; no entanto, é pouco (ou quase nada) edificante.

Precisamos, portanto, de cada vez menos palpiteiros do amanhã e de cada vez mais pessoas atuantes hoje. Precisamos de gente que se antecipe, que ajude, que te coloque para cima! Não precisamos de mais gente que só sabe criticar. Não faça parte desse time.

Raul tinha razão?

Publicado: 5 de julho de 2017 por Kzuza em Comportamento
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Raul-seixas

Então vá
Faça o que tu queres pois é tudo da lei

“Sociedade Alternativa” é, sem muita contestação, um clássico da música brasileira, goste você ou não. O trecho acima, baseado na Lei de Thelema, representa um postulado filosófico elaborado por ninguém menos Aleister Crowley, famoso ocultista britânico do século XX.

Não vou entrar no mérito aqui da loucura de Mr. Crowley, tampouco da “alternatividade” de Raul Seixas. Vou me ater apenas ao sentido literal da frase do início deste texto.

Tenho a impressão que isso tem se tornado um mantra moderno, repetido aos quatro ventos, simbolizando uma evolução humana natural, um progresso rumo a uma sociedade definitivamente livre e aberta.

Devo confessar que soa até bonitinha essa ideia de sermos livres para fazer o que quisermos, “pois é tudo da lei”. Posso ser quem eu quiser, posso fazer o que eu quiser, posso me comportar como eu quiser.

No entanto, há uma questão não abordada por Raul em sua canção que deixa muita gente ainda de cabelo em pé: liberdade traz consigo responsabilidade. É aí que mora um grande problema moderno. A geração mimada, principalmente os nascidos após os anos 90, tem uma dificuldade imensa em entender esse tipo de coisa, mas o fato é que ninguém está livre de julgamentos, sejam eles jurídicos, morais ou estéticos.

É fácil entender que toda ação é, ao menos em uma sociedade minimamente organizada, objeto de análise perante às leis estabelecidas. Esse talvez seja o primeiro bloqueio que temos, conscientemente, para não fazer tudo o que queremos. Fica simples até para o mais ignorante dos seres entender que, por exemplo, roubar algo de outra pessoa poderá levá-lo à prisão após um julgamento jurídico.

Mas o ponto de divergência está mesmo no âmbito da moral. A moral é o conjunto de hábitos e comportamentos que são considerados aceitos ou reprovados por uma sociedade. A moral toma forma através da cultura e da educação. É claro que a moral não é única em uma sociedade, principalmente em uma tão diversa quanto a nossa brasileira. No entanto, uma série de valores morais são compartilhados, senão por todos, pela grande maioria da nossa população.

Acontece que as pessoas que vão contra algum valor moral estão cada vez mais barulhentas. Elas procuram se reunir com outras que possuem a mesma opinião (e, veja bem, ter uma opinião não quer dizer ter razão!) e se organizam para fazer grandes barulhos. Nessa tentativa de reformar valores morais que, como disse, são frutos de anos e anos de sobrevivência (pois são frutos da educação e cultura de um povo, sobrevivendo a gerações), essas pessoas estão sempre exigindo leis que imponham ao restante da população a modificação desses valores. Ou seja, há uma tentativa (e quase sempre bem sucedida) de se transformar valores morais desejados em leis.

O último tipo de julgamento é o julgamento estético. Querendo ou não, também estamos invariavelmente sujeito a ele. Para usar um exemplo didático, pense o seguinte: por qual motivo não enfiamos o dedo no nariz em público? Há alguma lei que estipule isso? É algo juridicamente proibido, ou apenas algo esteticamente condenável, porque causa asco?

Agora imagine que alguém seja a favor de se limpar o salão em público. Há pessoas que fazem isso, sem sombra de dúvidas, mas são poucas. Agora imagine que essas pessoas se reúnam e criem um movimento “Limpe seu salão também”, e passem a promover “enfiadões” ou “cutucadões” públicos em grandes centros, mobilizando algumas dezenas de participantes enfiando seus dedos no nariz e tirando catotas para promover uma ‘quebra de tabu’. De que lado você estaria: seria um dos apoiadores, ou simplesmente acharia aquilo nojento e repudiante, mesmo que não haja nenhuma lei proibindo isso?

A questão principal é que, cada vez mais, as pessoas estão acreditando que: aquilo que não me é proibido por lei é, portanto, permitido. E caso você reprove um comportamento ou alguma imagem com base em seus valores morais ou estéticos, você é simplesmente um monstro abjeto que precisa ser exterminado.

Será mesmo que esse é o caminho?