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Rodrigo Hilbert. Marido da Fernanda Lima. Famoso. Bonitão. Pai exemplar. Apresentador de TV. Cozinheiro de mão cheia. Ídolo de 11 entre 10 mulheres do país. Não faltam adjetivos para descrever o cara.

Como pessoa pública, seus passos são acompanhados diariamente por um mutirão de paparazzis e de pseudo-jornalistas órfãos do site EGO. Qualquer coisa que ele faça é divulgada nos portais da internet. Há um mutirão de comentaristas de Instagram prontos para analisar e (quase invariavelmente) elogiar tudo o que ele faz.

Mas Rodrigo Hilbert também virou um ícone do politicamente incorreto. Nem mesmo suas ações de bom moço são páreo para a horda dos SJW (Social Justice Warriors, ou guerreiros da justiça social). Se ele mata um animal em seu programa de TV para depois cozinhá-lo e preparar uma refeição suculenta, é porque ele não ama os animais (como se uma coisa tivesse que ter, necessariamente, relação com a outra). Se os homens comuns, anônimos, resolvem fazer piadas ironizando o quanto o cara é um verdadeiro ‘homão da porra’, é porque esses homens comuns são machistas e não querem se dar ao trabalho de cuidar dos seus filhos (seja construindo uma casa na árvore ou meditando com eles), preparar o jantar ou limpar a casa. Teve gente que chegou até a comentar que o Lázaro Ramos é bem melhor que ele, inclusive; só não tem o mesmo destaque pelo fato de ser negro (o fato de Lázaro ser um cara muito mais reservado, fugindo dos holofotes, parece nem ser muito importante para essa gente).


Nota básica do autor: homens comuns fazem piada muito mais pelo fato de Rodrigo Hilbert ser um galã do que propriamente pelas suas atitudes. Lázaro Ramos, convenhamos, de galã, não tem nada.


By the way, brincadeiras à parte e também desconsiderando todo esse mimimi dos SJWs, o fato é que Rodrigo não passa de um homem comum como outro qualquer. A diferença é que os holofotes mostram apenas o que é bacana. É pouco provável que ele poste em suas redes sociais fotos dando broncas nos filhos, ou dos filhos fazendo birra com ele, chorando pedindo um chocolate, ou de uma briga com sua esposa. É pouco provável também que paparazzis tirem fotos dele acordando com remela nos olhos, ou fazendo cocô de porta aberta, ou batendo uma punhetinha no banho (também conhecida vulgarmente por banheta).

Eu posso dizer por mim, e acredito que o leitor também possa: conheço um punhado de homens muito mais fodas que Rodrigo Hilbert. Eles não têm um programa de televisão e nem um fotógrafo registrando tudo o que fazem, muito menos publicam seus grandes feitos no Facebook ou em fotos photoshopadas no Instagram. No entanto, são (ou foram) tão bons ou melhores que ele em muita coisa.

Meu avô nunca teve internet. Também nunca teve nenhum paparazzi cobrindo as entregas de alimentos e produtos de limpeza para as comunidades carentes de Carapicuíba. Naquela época, também não havia Instagram para registrar todas fotos lindinhas dele paparicando os netos, tampouco foi notícia nos portais de internet quando ele buscava os netos na escola e os levava pra casa, ou quando ele saiu correndo para socorrer minha irmã que havia enfiado um brinquedo no nariz.

Não houve cobertura de imprensa quando meu pai, já perto dos 60 anos, formou-se na faculdade. Também não saiu no Facebook quando meu tio Eliseu ensinou a gente, ainda pequenininho, a fazer pipa, rabiola e cortante. Não vi também nenhuma notinha quando o Mathias lutou de todas as formas pela saúde da Isadorinha.

Então, eu sinceramente acho que a jogada de marketing pessoal do Rodrigo é excepcional! O cara está sempre em evidência, mesmo sendo um homem como vários outros (talvez apenas com um rostinho mais bonitinho e uma mulher bonita e famosa). No mais, fico mesmo com meus ídolos de carne e osso, anônimos e imperfeitos, mas também politicamente incorretos.

Os palpiteiros do amanhã

Publicado: 13 de julho de 2017 por Kzuza em Comportamento
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Um comportamento que tem me chamado muito a atenção ultimamente é o do comentarista de acontecimentos ruins. Ou melhor, talvez devesse chamá-lo de palpiteiro do amanhã: aquele que sempre aparece com um ótimo palpite, mas só depois que a merda já aconteceu.

Esse tipo de gente é o oposto daquele que diz “eu bem que avisei”. Em alguns casos, ele é até capaz de usar essa frase, mesmo que nunca sequer tenha imaginado que a cagada poderia acontecer (ou então até tenha levantado a hipótese, mas preferiu ficar calado).

Sabe aquele jornalista que, depois do fatídico 7×1 nas semifinais da Copa de 2014, resolveu colocar o dedo na ferida, apontando tudo o que havia de errado no futebol brasileiro, mas que antes da Copa estava lambendo as bolas do David Luiz, do Thiago Silva e do Fred?

Ou então aquele seu colega de trabalho que chega no final do projeto, quando um erro é descoberto, e sai murmurando pelos cantos que tudo foi mal projetado, mesmo que ele não tenha a mínima noção de tudo o que já se passou ao longo da execução do projeto?

E aquele funcionário preguiçoso e displicente que, quando a empresa afunda, sabe dizer todos os pontos em que os gerentes e diretores falharam?

Tem também aquele seu amigão que incentiva quando você quer comprar um carro novo, mas na primeira vez que o carro dá problema, sempre tem um carro melhor para sugerir que você deveria ter comprado?

Mas o pior mesmo é aquele tipo que terceiriza a tarefa. Pede para você ou para um amigo fazer algo que ele mesmo poderia ter feito. No final, se qualquer coisa der errado, ele é o primeiro a dizer que você deveria ter feito de outra maneira. Não importa o que você faça, ele sempre vai ter uma maneira de fazer melhor.

Acredito que esse tipo de comportamento tem duas causas modernas:

  1. A preguiça ou a incapacidade de se analisar cenários previamente. Claro, não há como antecipar tudo o que pode acontecer, mas me parece óbvio que existem tragédias anunciadas e meras fatalidades. É necessário separar o joio do trigo. Um Aston Martin com problema de câmbio não é uma regra, é uma fatalidade. Uma equipe que demite seu treinador e vende metade do seu elenco no início do campeonato chegar ao rebaixamento para a segunda divisão ao final já é algo bastante provável de acontecer. Deixar para comentar o fato apenas após ele já ter ocorrido é bastante fácil e quase indolor, mas aparentemente sem mérito algum.
  2. A aversão à responsabilidade. É cada vez mais difícil encontrar gente capaz de assumir responsabilidades e arcar com os louros ou com as perdas de suas ações. Pouca gente é aberta a assumir riscos. O resultado disso é uma quase completa estagnação mental e social, transferindo para terceiros a responsabilidade pelos resultados de qualquer ação que venha a ser tomada. É aparentemente confortável e, portanto, tentador; no entanto, é pouco (ou quase nada) edificante.

Precisamos, portanto, de cada vez menos palpiteiros do amanhã e de cada vez mais pessoas atuantes hoje. Precisamos de gente que se antecipe, que ajude, que te coloque para cima! Não precisamos de mais gente que só sabe criticar. Não faça parte desse time.

Raul tinha razão?

Publicado: 5 de julho de 2017 por Kzuza em Comportamento
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Então vá
Faça o que tu queres pois é tudo da lei

“Sociedade Alternativa” é, sem muita contestação, um clássico da música brasileira, goste você ou não. O trecho acima, baseado na Lei de Thelema, representa um postulado filosófico elaborado por ninguém menos Aleister Crowley, famoso ocultista britânico do século XX.

Não vou entrar no mérito aqui da loucura de Mr. Crowley, tampouco da “alternatividade” de Raul Seixas. Vou me ater apenas ao sentido literal da frase do início deste texto.

Tenho a impressão que isso tem se tornado um mantra moderno, repetido aos quatro ventos, simbolizando uma evolução humana natural, um progresso rumo a uma sociedade definitivamente livre e aberta.

Devo confessar que soa até bonitinha essa ideia de sermos livres para fazer o que quisermos, “pois é tudo da lei”. Posso ser quem eu quiser, posso fazer o que eu quiser, posso me comportar como eu quiser.

No entanto, há uma questão não abordada por Raul em sua canção que deixa muita gente ainda de cabelo em pé: liberdade traz consigo responsabilidade. É aí que mora um grande problema moderno. A geração mimada, principalmente os nascidos após os anos 90, tem uma dificuldade imensa em entender esse tipo de coisa, mas o fato é que ninguém está livre de julgamentos, sejam eles jurídicos, morais ou estéticos.

É fácil entender que toda ação é, ao menos em uma sociedade minimamente organizada, objeto de análise perante às leis estabelecidas. Esse talvez seja o primeiro bloqueio que temos, conscientemente, para não fazer tudo o que queremos. Fica simples até para o mais ignorante dos seres entender que, por exemplo, roubar algo de outra pessoa poderá levá-lo à prisão após um julgamento jurídico.

Mas o ponto de divergência está mesmo no âmbito da moral. A moral é o conjunto de hábitos e comportamentos que são considerados aceitos ou reprovados por uma sociedade. A moral toma forma através da cultura e da educação. É claro que a moral não é única em uma sociedade, principalmente em uma tão diversa quanto a nossa brasileira. No entanto, uma série de valores morais são compartilhados, senão por todos, pela grande maioria da nossa população.

Acontece que as pessoas que vão contra algum valor moral estão cada vez mais barulhentas. Elas procuram se reunir com outras que possuem a mesma opinião (e, veja bem, ter uma opinião não quer dizer ter razão!) e se organizam para fazer grandes barulhos. Nessa tentativa de reformar valores morais que, como disse, são frutos de anos e anos de sobrevivência (pois são frutos da educação e cultura de um povo, sobrevivendo a gerações), essas pessoas estão sempre exigindo leis que imponham ao restante da população a modificação desses valores. Ou seja, há uma tentativa (e quase sempre bem sucedida) de se transformar valores morais desejados em leis.

O último tipo de julgamento é o julgamento estético. Querendo ou não, também estamos invariavelmente sujeito a ele. Para usar um exemplo didático, pense o seguinte: por qual motivo não enfiamos o dedo no nariz em público? Há alguma lei que estipule isso? É algo juridicamente proibido, ou apenas algo esteticamente condenável, porque causa asco?

Agora imagine que alguém seja a favor de se limpar o salão em público. Há pessoas que fazem isso, sem sombra de dúvidas, mas são poucas. Agora imagine que essas pessoas se reúnam e criem um movimento “Limpe seu salão também”, e passem a promover “enfiadões” ou “cutucadões” públicos em grandes centros, mobilizando algumas dezenas de participantes enfiando seus dedos no nariz e tirando catotas para promover uma ‘quebra de tabu’. De que lado você estaria: seria um dos apoiadores, ou simplesmente acharia aquilo nojento e repudiante, mesmo que não haja nenhuma lei proibindo isso?

A questão principal é que, cada vez mais, as pessoas estão acreditando que: aquilo que não me é proibido por lei é, portanto, permitido. E caso você reprove um comportamento ou alguma imagem com base em seus valores morais ou estéticos, você é simplesmente um monstro abjeto que precisa ser exterminado.

Será mesmo que esse é o caminho?

Uma questão de mindset

Publicado: 22 de junho de 2017 por Kzuza em Sem categoria

Mindset_Master_System

Essa semana participei de um treinamento onde foi apresentado um vídeo sobre a cultura de engenharia de software do Spotify. Para simplificar para o leitor (caso você não seja da área, não entenda inglês ou apenas esteja com preguiça de assistir ao vídeo completo que tem 25 minutos), basicamente a empresa funciona com base em alguns valores principais como confiança e autonomia. Alguns pontos importantes mencionados no vídeo:

  1. Community > Structure: para eles, mais importante do que uma estrutura organizacional rígida e hierárquica é a comunidade criada pelos seus funcionários.
  2. Fail Fast -> Learn Fast -> Improve Fast: a empresa é altamente tolerante a falhas. Falhas, segundo a filosofia deles, são o combustível para o aprendizado. Se é para falhar, que cada um falhe rápido e aprenda rapidamente com seus erros, conseguindo evoluir de forma também rápida.
  3. Fail Recovery > Fail Avoidance: ter um comportamento positivo e uma resposta rápida e eficaz às falhas é mais importante do que tentar evitar que as falhas aconteçam.
  4. If you need to know who’s making decisions, you’re in the wrong place: se você precisa saber quem está tomando as decisões, você está no lugar errado. Em outras palavras, você deve tomar suas próprias decisões.

Ontem pela manhã, assisti a uma reportagem em um jornal matutino falando sobre o abandono da prefeitura em relação ao cuidado com as praças públicas em diferentes bairros da cidade de São Paulo. Uma repórter mostrou ao vivo a situação de uma pracinha em algum bairro da periferia que estava com lixo amontoado e mato alto. Os brinquedos para as crianças ainda estavam em boas condições. Os moradores reclamavam que a funcionária da prefeitura que cuidava do local havia sido demitida há algumas semanas e desde então não havia mais nenhum cuidado com a praça.


Engraçado perceber como duas coisas aparentemente tão distintas entre si me fizeram pensar a respeito de como a mentalidade e a atitude das pessoas são capazes de influenciar tão diretamente o ambiente em que vivem.

Conversei com um primo meu sobre o modelo do Spotify. Parece-me bastante intuitivo e sem muita novidade que a abordagem de desenvolvimento de software adotada por eles seja muito mais eficaz do que tudo o que havia sendo feito antes dos anos 2000. Também soa muito positivo que todo o comportamento valorizado pela organização seja altamente motivador para os profissionais envolvidos. Mas então conversávamos sobre o quanto isso tudo parece inviável de ser implementado hoje nas empresas em que trabalhamos. Há uma série de fatores que vão desde o tamanho das empresas (o Spotify tem 1200 funcionários; a empresa na qual trabalho tem mais de 20 mil, sendo mais de 600 apenas no cliente para o qual atuo) até o alto grau de regulamentação do mercado em que atuamos. Mas o principal fator sobre o qual concordamos foi: como convencer as pessoas (contando com profissionais de mais de 20 ou 30 anos de experiência) que a forma como elas sempre trabalharam estava errada e que a melhor forma de trabalhar é essa agora?

Pareceu-nos bastante razoável que explicar a tal cultura do Spotify para alguém novo, sem vícios, não deve ser algo difícil pois, como disse, é algo bastante intuitivo. Não é de se espantar que uma empresa criada no final dos anos 2000 com sede na Inglaterra, um país com valores bem diferentes dos nossos, conseguisse implantar algo tão inovador (apenas aparentemente, pois na verdade só procura valorizar comportamentos próximos ao que as pessoas escolheriam ter de uma forma voluntária).

A adoção de um modelo próximo ao que o Spotify utiliza passa, portanto, muito mais por uma mudança de mentalidade do que propriamente por altos conhecimentos técnicos e tecnológicos. Não se trata de educar alguém formalmente para que ele descubra como as coisas funcionam, mas sim abrir-lhe os olhos para algo perfeitamente intuitivo (sei que estou sendo repetitivo com a palavra, mas é justamente esse o objetivo).

Mas o que isso tem a ver com as condições da praças de São Paulo?

Todos nós sabemos que a responsabilidade da prefeitura da cidade é, entre outras coisas, cuidar do patrimônio público. Uma boa fatia do que ganhamos com o suor do nosso trabalho é destinada na forma de impostos à prefeitura. Ela então é responsável por administrar esse dinheiro e contratar pessoas ou empresas para realizar o trabalho de zeladoria das áreas públicas. Cabe a nós, portanto, fiscalizar se o trabalho que está sendo feito, pago com o nosso próprio dinheiro, está sendo realizado a contento. Caso não esteja, é perfeitamente correto cobrar para que isso seja cumprido.

Mas a pergunta que me ficou, vendo a tal pracinha abandonada da reportagem, que nem era tão grande assim, foi: e por que os moradores não estão fazendo nada? Uma ação simples de meia dúzia de moradores vizinhos à praça em um final de semana qualquer seria capaz de reverter a situação. Um ou dois com uma enxada para retirar os matos crescendo fora do lugar; outros 2 com luvas e sacos recolhendo o lixo acumulado; outros 2 com uma bacia com areia e cimento e uma pequena lata de tinta, para tapar alguns buracos na calçada e dar um toque a mais para embelezar o local. Aposto que não gastariam mais de 8 horas de trabalho nisso e devolveriam à região uma pracinha linda de se ver.

Alguns bradariam: Mas isso não é de minha responsabilidade!, e é aqui mesmo onde eu gostaria de chegar.


Excuse note: Peço licença para usar nesse post algumas referências a artigos que possuem referências políticas (Ela, sempre ela, e mesmo que eu queria fugir, ela está em todo lugar!).


Hoje me chamou a atenção um texto com o título: “Você quer melhorar o mundo? Esqueça o governo. Estude, trabalhe e tente criar alguma coisa de valor“. Apesar do título ser bastante autoexplicativo, recomendo a leitura. Esse texto faz referência a um artigo do economista americano Don Boudreaux também excelente, entitulado “Let’s change the ‘Change the World’ obsession” (Vamos mudar a obsessão de ‘mudar o mundo’). Talvez a frase mais emblemática de Boudreaux seja:

Esforços benéficos para mudar o mundo quase sempre são pequenos, graduais, e efetuados naquele setor voluntário da sociedade — nas transações comerciais, nas famílias, na sociedade civil.

De certa forma, o autor está cutucando o leitor. É algo como: FAÇA A SUA PARTE! Não é necessário que você seja formalmente responsável por algo para que você se sinta engajado em fazer essa coisa.

Em outro excelente artigo, Boudreaux expõe um conceito chamado “A piscina da prosperidade“. Para ele, a humanidade evolui constantemente através de contribuições individuais pequeninas, praticamente inidentificáveis isoladamente. No entanto, é a soma delas que faz com que nossa sociedade possa evoluir. A analogia usada por ele é que a prosperidade da humanidade é como se fosse uma enorme piscina que nunca está cheia. À borda da piscina, estamos todos nós, cada um com um conta-gotas, contribuindo com pequenas gotinhas para encher a piscina. Ele diz que é raríssimo, ao longo da história da humanidade, contribuições de alta escala que afetem o nível da piscina de forma perceptível a todos (como a invenção da vacina contra a poliomelite ou da penicilina). Segundo ele, em todas as vezes que pessoas ou organizações tentaram deliberadamente encher a piscina com uma grande volume de água de uma só vez, a onda foi tão grande que deixou a piscina mais vazia do que anteriormente (como o nazismo, por exemplo).

Essa visão de mundo certamente é compartilhada pelo Spotify: cada qual contribuindo um pouquinho, aprendendo uns com os outros, evoluindo, compartilhando informações, fazendo com que a comunidade cresça.


Essa sempre foi a minha visão de mundo: não esperar que ninguém faça as coisas por mim, ir atrás, trabalhar, ajudar. Mesmo que não seja formalmente minha responsabilidade. Não consigo, por exemplo, ficar com a bunda sentada na cadeira esperando por algo apenas porque não é da minha responsabilidade, é do outro. Eu sempre vou até o outro, vejo no que eu posso ajudá-lo a concluir a parte dele para que eu então possa fazer a minha. Isso acaba invariavelmente criando uma espécie de corrente do bem, uma corrente de ajuda mútua.

O fato do budismo pregar esse tipo de filosofia foi uma das coisas que fez com que eu me aproximasse da religião. Não me parece apenas uma questão de fé, pois é algo facilmente perceptível no nosso dia-a-dia. As coisas que acontecem ao nosso redor, as pessoas que estão próximas, tudo é um reflexo de quem somos. Como disse Gandhi: “Seja a mudança que você quer ver no mundo”.

A economia do nosso dia-a-dia

Publicado: 19 de junho de 2017 por Kzuza em Economia
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Nada é mais revelador em nossas vidas do que observar atentamente a realidade. Não há estudos nem especialistas capazes de nos provar algo mais do que quando notamos, pelos nossos próprios sentidos, como é que as coisas funcionam.

Fui almoçar mais tarde hoje, no horário em que a praça de alimentação do shopping começa a dar uma esvaziada. Reparei algo que já havia notado de relance em outros dias, em horários de maior movimento. Hoje, com menos pessoas, ficou mais fácil observar. A praça de alimentação, pequena, possui entre 10 e 15 estabelecimentos, entre lanchonetes e restaurantes, sejam eles de redes franquiadas ou lojas próprias. Basicamente, com exceção ao McDonald’s, apenas um dos restaurantes se mantém com altíssimo movimento durante todo o almoço. Outros 3 ou 4 mantêm um movimento muito bom, e os demais apresentam um movimento (na minha visão) muito fraco.

Enfim, acho que nada mais fácil para explicar economia de mercado do que observar a movimentação das pessoas em uma praça de alimentação no shopping. Ali, ninguém é obrigado a consumir nada. Não existem leis que digam qual o limite máximo de clientes que uma loja possa atender. Não há quotas mínimas ou máximas de vendas para cada restaurante. Não há determinação do que cada lojista pode vender, por exemplo, obrigando cada refeição a ter uma quantidade máxima de calorias ou de sal.

E como as pessoas escolhem? Bem, cada um escolhe de acordo com o seu gosto, com o dia da semana, com o seu humor, com o seu hábito alimentar, com a sua grana ou com o que quer que ele queira usar como critério. Basicamente, cada um é livre para comer o que quiser, desde de que possa pagar.

No fim das contas, no geral cada um sai de lá satisfeito (com exceção dos reclamões, para quem nada é suficiente). Essa é a beleza da coisa.

E o que acontece se um restaurante não vender o suficiente e não gerar lucro? Simples: ele fecha e dá lugar a outro. Esse outro, então, tem a missão de não fracassar, de oferecer produtos de qualidade, com um preço acessível e com bom atendimento aos seus clientes. E a roda continua a girar.

Parece meio besta, mas é assim que o mundo funciona, evolui e melhora. Maus restaurantes dão lugares a restaurantes melhores, e a mesma lógica pode se aplicar a qualquer outro tipo de negócio. A economia funciona (ou deveria funcionar) dessa forma. Será que é complicado demais entender?


Outra lição ótima de economia com base no dia-a-dia aconteceu essa semana. Os ingressos para o show da banda irlandesa U2 na capital paulistana no segundo semestre esgotaram-se em 2 horas. Foi, então, aberto um segundo show (certamente já previsto desde o início).

Vi muita gente reclamando dos preços dos ingressos, dizendo que estavam caros demais. Fica a pergunta: caro para quem, camarada? Não vi os preços, mas duvido muito que se o preço fosse tão mais alto do que as pessoas se dispõem a pagar os ingressos teriam acabado assim em tão pouco tempo.

Oras, o fato de você não ter dinheiro suficiente para pagar (ou não estar disposto a gastar o valor necessário para o ingresso) não quer dizer que o mesmo esteja, necessariamente, caro. Talvez, simplesmente, o show não seja feito para você, caro mortal (como é a minha situação). Pura questão econômica, fazer o quê?!

Nam Myoho Renge Kyo

Publicado: 19 de junho de 2017 por Kzuza em Religiões
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Sempre acreditei que tudo o que acontece nas nossas vidas é reflexo das nossas próprias atitudes, seja em nossas vidas atuais ou passadas. Isso nunca teve nada a ver com religião. Nunca acreditei em milagres, em dádivas, em acontecimentos inexplicáveis. Para mim, sempre havia uma explicação racional para tudo. Algo como: o acontecimento X é consequência da atitude Y.

Sei que esse meu pensamento pode parecer bastante superficial e pouco ortodoxo. De qualquer forma, sempre foi muito útil a mim e àqueles que estão ao meu redor. Se algo deveria funcionar bem, eu é que tinha que trabalhar para isso. Se algo doloroso acontecia, eu era o responsável por conseguir forças para enfrentar. Se alguém querido precisava de ajuda, era eu quem deveria estar disposto a ajudá-lo. E por aí vai.

Muita gente eu sei que olha para mim hoje e pode pensar: esse daí é um cara de sorte. Não vou negar: sempre tive muita sorte na vida. Primeiro por ter a família que tenho. Isso eu não escolhi, eu não planejei, simplesmente caiu no meu colo (ou eu no colo deles). Daí para frente, tudo foram escolhas minhas. Algumas certas, algumas erradas, mas talvez a mais importante tenha sido me aproximar das pessoas boas e corretas.

Não sei explicar direito, mas pode ser que um certo grau (elevado) de interesse próprio tenha me trazido até onde estou hoje. Nunca fui de dar muita bola para o que os outros diziam. Nunca fui “Maria vai com as outras”. Nunca importou para mim ser o CDF, o cara que respeitava a minha mãe e o meu pai, o cara que não andava com roupa de marca, ou aquele que não pegava ninguém na balada. Sei lá, na minha cabeça, meus objetivos de vida sempre estiveram claros e sempre separei o principal do supérfluo. É claro que é bacana cometer extravagâncias, fazer loucuras, andar na moda, sentir-se parte de um grupo, divertir-se com coisas fúteis. No entanto, isso para mim sempre foi meio que válvula de escape, um passatempo, o tipo de coisa que nunca me fez falta.

Assim fui conduzindo minha vida. Ralando. Estudando pacas. Diplomas, certificações, certificados de treinamento. Um montão de livros lidos. Horas e horas de trabalho a fio. Nunca tive medo de nada. Na minha área de atuação, já trabalhei com quase tudo o que você pode imaginar. Enquanto muita gente reclamava de pegar um programa mais difícil em Cobol para codificar, eu estava me desafiando a tocar um projeto em uma tecnologia desconhecida por mim. Enquanto tinha gente com preguiça de fazer um cursinho de inglês, eu estava ralando 7 dias por semana para concluir um curso em 1 ano que me ajudou a conseguir um trabalho em uma multinacional e trabalhar um tempinho nos EUA. Enquanto muitos dos meus colegas de trabalho se esquivavam de posições de liderança e fugiam da responsabilidade, eu fui metendo as caras. Enquanto o povo torrava dinheiro em baladas, carros caros e roupas de marca, eu juntava dinheiro e ia fazer uma viagem de férias para conhecer novas línguas, culturas, comidas, bebidas e pessoas.

Quem me vê hoje, pensa que isso só foi possível porque nunca enfrentei grandes dificuldades. Ou porque eu sou inteligente. Ou porque sou um abençoado. Mas na verdade, eu acho que tudo isso só foi possível porque, como eu disse lá em cima, minha forma de encarar o mundo sempre foi diferente. Nunca encarei meus desafios como dificuldades, ou como um peso nas costas, ou um fardo a ser carregado. Nunca encarei minhas perdas como infortúnios ou maldições. Para mim, tudo isso sempre foi a VIDA. A vida é assim. As coisas simplesmente ACONTECEM. Hoje é A, amanhã é B, mês que vem é C. Esse ciclo só se interrompe quando morremos. Até lá, vai continuar sendo assim: uma topadinha aqui, uma esbarradinha ali, um tropicão acolá… faz parte! Mas eu nunca baixei a cabeça. Nunca deixei de seguir em frente. Porque a tristeza faz parte, assim como a alegria também. E sempre que eu tive boas atitudes e pensamentos, o universo conspirou a favor. As coisas simplesmente davam certo. Então por que motivo então eu deveria ficar mal e para baixo?


Mas por que eu estou escrevendo isso? A história é bem simples. Há muito tempo, como eu já disse, eu não praticava nenhuma religião. Recentemente, uma pessoa muito especial me convidou para uma reunião budista perto de casa. Com a certeza de que isso não me faria nenhum mal, resolvi acompanhá-la.

Fui apresentado ao Budismo de Nitiren Daishonin e foi extremamente gratificante. Em uma hora de reunião (essa aberta para convidados não-convertidos, como eu), ouvi mais coisas a respeito de como eu penso e ajo na minha vida do que eu jamais poderia imaginar. Nem nos textos que escrevo e nem nas minhas reflexões mais profundas cheguei às conclusões expostas de como era a minha filosofia particular de vida. Não, a conversa não era direcionada a mim. Era uma reunião ordinária, um tema escolhido aleatoriamente (no caso: “A importância da religião nos dias atuais”), um bate-papo entre eles; mas ouvi tantas verdades que fiquei de certa forma chocado.

Ainda é muito cedo para que eu possa dizer qualquer coisa por aqui sobre a filosofia budista. Seria completamente precipitado. A única coisa que posso dizer é que tem me feito um bem tremendo. Já foram mais 2 encontros depois do primeiro contato e mais uma visita de um grupo à minha casa. No próximo domingo devo receber meu Gohonzon e dar mais um passo. Prometo postar novidades por aqui.


Para concluir, já que o texto ficou bastante desconexo: acredite em você. Tenha fé. Faça por onde. O resultado sempre vem. Tenha coragem, vá em frente, desafie-se! Você é capaz de fazer a diferença.

É a cultura, estúpido!

Publicado: 12 de junho de 2017 por Kzuza em Comportamento, filosofia
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Vira e mexe, a frase título deste post volta à tona!

A notícia do final de semana foi o tatuador do ABC que flagrou um rapaz de 17 anos tentando roubar uma bicicleta e resolveu tatuar na testa do meliante: “Eu sou ladrão e vacilão”. O tatuador, com a ajuda de um comparsa, filmou o ato em uma cena digna do filme “Os homens que não amavam as mulheres”, quando Lizbeth Salander (magistralmente interpretada por Rooney Mara, diga-se de passagem) tatua na barriga de seu tutor, que a havia estuprado, a frase: “Eu sou um porco sádico, pervertido e estuprador”.

Como tudo é polarizado hoje em dia e pouca gente se dá o trabalho de pensar racionalmente sobre o assunto, imediatamente surgem dois grupos de pessoas nas redes sociais: um primeiro, com dó do garoto pela tortura que sofreu (contando inclusive com uma vaquinha para arrecadar fundos para apagar a tatuagem do rapaz); e um segundo, o grupo do ‘bandido bom é bandido morto’ ou do ‘fez por merecer’.

Enfim, tanto o primeiro como o segundo grupo são facilmente identificados como sentimentalistas exacerbados. No primeiro grupo, a emoção mais aflorada é a compaixão; no segundo, a ira. O problema é que, em ambos os casos, todos se identificam de forma muito semelhante ao torturador que tatuou a frase na testa do ladrãozinho. Todos são incapazes de controlar suas emoções (ou, no mínimo, sentem prazer em não o fazer) e raciocinar de forma lógica a respeito do ocorrido.

Essa falta de discernimento e a abnegação da busca pela verdade e pela justiça são resultados de uma enorme corrente de pensamento que domina a nossa sociedade atual. Há inúmeras teorias para explicar o porquê de termos chegado a esse ponto, mas não cabe a mim discuti-las nesse post, até porque invariavelmente o assunto recairá sobre a política, tema o qual eu já desisti de comentar. No entanto, cabe a mim tentar abrir os olhos do caro leitor para uma realidade: estamos todos tomados de fortes emoções, mesmo que as minhas contradigam as suas, e não estamos sendo capazes de domá-las para atuar sob domínio da razão.

Já mencionei aqui e aqui o livro “Podres de Mimados” do Dalrymple, onde ele explica muito bem tudo isso. Volto a recomendar a leitura.

Mas voltando ao caso que originou este post, acho que nunca a frase “um erro não justifica o outro” fez tanto sentido. O problema é que, na ânsia de se tomar partido e expor sua opinião, a maioria das pessoas acaba por absolver um dos dois infratores. Em uma batalha verborrágica para se identificar qual dos dois crimes é mais grave (e onde a vitória só é possível em caso de derrota absoluta por nocaute do lado oposto), os tais debatedores acabam por instaurar uma cortina de fumaça que cobre o real problema exposto pela situação.

O fato é que em um país onde o mínimo não funciona corretamente, as pessoas decidem então resolver as coisas por conta própria, já que tudo parece terra de ninguém. Quando eu digo o mínimo, eu me refiro à garantia que os cidadãos precisam ter de não terem sua propriedade (física, intelectual ou material) agredidas ou invadidas por outrem; e caso isso venha a ocorrer, que haja um julgamento justo daqueles que infringiram o pacto de não mexer naquilo que não é seu.

Parece-me bastante razoável que quando princípios morais básicos são observados minimamente em uma sociedade, tanto o número de infrações quanto o número de julgamentos injustos tendem a cair consideravelmente. Mas então o que leva uma sociedade a observar esses princípios? Em primeiro lugar, eu acredito: exemplos. Nada é mais capaz de influenciar o comportamento das demais pessoas ao seu redor do que um bom exemplo. Seja na sua família, seja no seu emprego, seja na sua vizinhança. Bons exemplos advêm de instituições (ou organizações) sociais que sobrevivem ao longo da história, aprendendo e evoluindo, formando a base do que conhecemos hoje como civilização. Essas instituições, goste você ou não, são basicamente a família e a igreja.

Seria irracional dizer que indivíduos criados em uma base familiar sólida e com base em ensinamentos religiosos seriam incapazes de cometer atrocidades. No entanto, a realidade mostra que a possibilidade de isso acontecer nesse grupo de pessoas são bem menores do que nos casos onde ou a família, ou a igreja (quando não os dois) não fazem parte da vida dos indivíduos.

O problema é que há muito tempo essas instituições que são base da nossa civilização (imperfeita, diga-se de passagem, mas em uma evolução geométrica) têm sido marginalizadas e hostilizadas, em um movimento cada vez maior que prega o abandono a instituições e valores tradicionais. Com a ausência cada vez maior da presença dessas instituições, há uma transferência subsequente dos poderes de decisão entre certo e errado, entre o que pode ou não pode para outras entidades. O que se vê por aqui, em terras tupiniquins, é justamente que esse poder acaba então caindo no colo de quem está menos preparado para isso.

Com uma justiça extremamente lenta e falha, aliada à uma população que não possui nenhuma âncora de valores morais, não é de se espantar que tenhamos índices de criminalidade já altíssimos e em curva de ascensão. Os mais de 60 mil homicídios por ano colocam o Brasil na liderança do ranking de assassinatos per capita no mundo.

No lado oposto dessa moeda, também não é de se espantar que se cresça o número de justiceiros como o tal tatuador do nosso caso. Não são raros os casos de bandidos capturados pela população que são amarrados a postes, torturados e espancados. Falta também a essa gente, assim como aos primeiros, uma boa dose de valores morais, mesmo que levantem a bandeira da luta contra o mal com uma mão, enquanto com a outra fazem a sua “justiça”.

Portanto, independente de qual lado você adotou nessa história, você não está nem um pouco preocupado com a solução do problema. Você simplesmente está externalizando suas emoções mais afloradas. Está querendo apenas “lutar contra o que está errado”, mesmo que esteja olhando apenas para o sintoma e não para a doença. Enquanto você não entender isso, seu Facebook será apenas um muro das lamentações. Sua vida será apenas uma eterna tentativa de se fazer o bem, mesmo que os resultados sejam sempre trágicos. Para um lado ou para o outro.