Eu sempre leio muita baboseira por aí, mas dessa vez o autor se superou. O nome do “jênio”? Daniel Castro.

Caí na armadilha da manchete inocente no portal de notícias: Temendo rejeição conservadora, Globo muda estratégia de Verdades Secretas. Cliquei. E ainda por cima dei um page view grátis para um imbecil.

Cliquei não porque eu me interesse pela Globo, ou porque eu faça a mínima ideia do que seja a tal “Verdades Secretas”. Fui seco porque o termo rejeição conservadora já me cheira, de longe, embuste. E não deu outra. Vamos aos trechos mais bizarros do texto:

O Notícias da TV apurou que a estratégia de comunicação de Verdades Secretas foi adotada após a estreia de Babilônia e levando em consideração que existe uma onda conservadora atrapalhando os avanços da teledramaturgia. Babilônia, nessa linha de pensamento, teria sido vítima de sua proposta progressista, ao mostrar vilões despudorados e casais gays como eles são na vida real.

Quer dizer então que o caro autor acredita que existe uma onda conservadora que atrapalha o progressismo? Mas que coisa mais descabida! Eu diria que existe, na verdade, uma onda progressista que quer passar por cima de valores morais e tradicionais e que, naturalmente, é rejeitada. A população brasileira é, e sempre foi, tradicionalmente conservadora. Não precisa ser muito esperto para perceber isso. A culpa da rejeição, portanto, não é da população, mas sim de uma teledramaturgia que se acha progressista e que, então, percebe que não atende à demanda popular.

Filho de mãe evangélica e amigo de padres, Walcyr Carrasco é um autor preocupado em não dar maus exemplos, que segue a cartilha do folhetim tradicional, conservador em sua essência.

Então o folhetim tradicional é conservador na essência? Não, meu caro, a sociedade em sua maioria é. Aliás, as bases sociais são calcadas em valores tradicionais. Quando isso passa a deixar de acontecer, a própria sociedade começa a ruir. Estamos infelizmente vendo isso nos dias atuais, muito por causa da nossa nova intelligentzia. Mas aí seria difícil demais para você compreender isso.

Ah, só mais uma dica:

Isso é uma ratoeira:

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Isso aqui é uma armadilha para urso:

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A onda dos pais covardes

Publicado: 21 de maio de 2015 por Kzuza em Comportamento
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Acho que Içami Tiba está cada vez mais com os (poucos) cabelos em pé! Se essa geraçãozinha de crianças e adolescentes mal-educados que vemos por aí já nos assusta, imagine para quem trabalha diretamente com eles?

Já ouvi várias teorias sobre o porquê de existirem cada vez mais crianças birrentas.

Há quem diga que hoje elas nascem muito mais espertas que antigamente. Já ouvi dizer: “Ah, mas hoje elas nascem sabendo mexer em tablets, celulares e controles remotos”. Meus ovos! A gente, quando criancinha, só não sabia mexer nisso porque essas coisas não existiam. As crianças não mudaram, o mundo mudou. Manda um pivete desse rodar um pião que eu quero ver. Quantos anos você acha que leva para que os seres evoluam geneticamente a ponto de serem tão diferentes?

Há até quem acredite nas crianças índigo. Eu acho que isso é mero “achismo” e uma procura de explicação para o que não se quer explicar (ou falta de compromisso com a verdade).

Eu tenho uma suspeita, pouco ortodoxa, pouco educada, meio ranzinza. Não sou dono da verdade, mas suspeito que essa geração de criancinhas endemoniadas é fruto de uma única coisa: pais cuzões covardes.

Tenho observado isso durante muito tempo, desde que deixei de ser um adolescente bundão e fui virando homem adulto. Muitos pais se borram de medo dos seus filhos. E sempre com as mesmas desculpas covarde: “Eu não quero traumatizá-lo! Eu não quero judiar dele! Eu não quero deixá-lo triste! Eu não quero que ele ache que eu sou um monstro!”.

Sempre que ouço isso de um pai ou de uma mãe, tenho vontade de responder: CUZÃO! Mas a educação que minha mãe me deu, na base da chinelada, das broncas, dos castigos e das caras de brava não me permite. Porque eu sempre tive limite. Porque lá em casa o bicho pegava quando as coisas não eram feitas do jeito que meus pais queriam.

Ai se eu desafiasse minha mãe! Lembro de ter feito isso uma vez. Eu devia ter uns 10 anos no máximo. Estava no banho, e eu sempre tomei banhos demorados. Todo dia era uma ladainha. Já era a segunda ou terceira vez que ela berrava do lado de fora para eu desligar o chuveiro, e eu soltei algum impropério, reclamando, baixinho para que ela não escutasse. Foi em vão, ela ouviu! Abriu a porta na ombrada e me pegou no tapa ali mesmo, peladão, debaixo do chuveiro.

Hoje em dia, a molecada deita e rola desafiando os pais! E eles não fazem nada! Pelo contrário, sou obrigado a escutar coisas do tipo: “Ah, tá vendo? Ele tem personalidade forte!”. Ou “As crianças adoram nos testar”. Claro que testam! E enquanto não acham o limite, não param.

Já sei, você está pensando: “Claro, Zuza, você fala isso porque não tem filho!”. E eu respondo: “E se você faz isso tudo que eu escrevi, é porque você é um cuzão!”.

Felizmente o mundo ainda tem salvação. Conheço um ou outro casal que ainda consegue, mesmo nessa onda de covardia que assola os pais pelo país, manter as rédeas curtas sem medo de ser feliz. Não temem o que os outros vão dizer. Não temem que o filho se torne revoltado, ou mais burro, ou um assassino em série. Conseguem entender que entre educar (repreendendo, corrigindo, sendo firme) e judiar (maltratando, castigando, humilhando) há uma enooooorme diferença.

Um salve aos pais heróis! Um salve aos pais corajosos!

NBA e o mercado

Publicado: 21 de maio de 2015 por Kzuza em Esporte, liberalismo
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Eu sou um grande fã de basquete e, como não poderia ser diferente, um amante do melhor basquete do mundo: a NBA. Não me lembro exatamente quando foi que comecei a assistir os jogos, mas eu lembro que foi mais ou menos em 97, quando o Tim Duncan ganhou o primeiro título com o Spurs junto com o David Robinson (as chamadas “Torre Gêmeas”). Não à toa eu passei a simpatizar com o time, e é quem eu mais acompanho desde então.

Lembro que no início era difícil acompanhar os jogos. Na TV aberta, acho que só a Bandeirantes transmitia uma ou outra partida. A internet ainda engatinhava aqui no Brasil. Não havia mídia especializada. Apenas o jornal Lance!, que eu me lembro, trazia notícias sobre a liga.

Enfim, o tempo passou, a TV por assinatura chegou lá em casa, a internet evoluiu, e acompanhar a NBA passou a ser algo relativamente tranquilo. Nada parecido com os EUA, onde 3 ou 4 canais transmitem simultaneamente 24 horas de NBA por dia, 7 dias por semana. Lá você pode perfeitamente assistir a um Sacramento Kings x Minnesota Timberwolves, às 16h, de maneira tranquila.

Aqui no Brasil, inicialmente, apenas a ESPN tinha os direitos de transmissão da temporada. Há alguns anos, o canal Space também passou a transmitir alguns jogos. E esse ano, no meio da temporada, para alegria de nós fãs de basquete, a Sportv também entrou na jogada, transmitindo uma quantidade de jogos superior à da ESPN. Para quem assina a Sky, tem também o canal Sports+ (recentemente foi anunciado que o canal irá ser extinto, infelizmente) que transmite uma quantidade absurda de jogos.

Bem, resumidamente, para quem acompanha a liga, esse foi o ano dos sonhos. Só para dar um exemplo, 100% dos jogos de playoffs a partir das semi-finais de conferência foram transmitidos aqui no Brasil, espalhados pelos canais citados anteriormente.

Mas que lição podemos tirar disso?

O basquete já foi o segundo esporte preferido dos brasileiros. Até o fim dos anos 80 e início dos anos 90, só perdia para o futebol. Com o advento do vôlei e a medalha de ouro em Barcelona 92, a coisa começou a mudar de figura. A aposentadoria de grandes jogadores como Marcel, Oscar e Guerrinha acabou por sacramentar a queda do esporte no gosto popular.

No entanto, nos últimos anos, a ascensão de jogadores brasileiros à elite do basquete mundial trouxe de volta o esporte aos holofotes. A eleição de Leandrinho Barbosa como melhor sexto homem da liga na temporada 2006-07 e o título de Tiago Splitter com os Spurs na última temporada são alguns exemplos.

Obviamente, isso atraiu a atenção dos empresários. Não é à toa que muita gente passou a se sentir tentada a transmitir as partidas, tendo em vista o crescente interesse do público. A Sportv é um claro exemplo disso. Além de tudo, a emissora deu uma sorte (???) tremenda por encarar, logo no seu primeiro ano, os melhores playoffs dos últimos anos, com excelentes jogos sendo decididos no último segundo, e séries de disputa chegando muitas vezes ao 6º ou 7º jogos (as finais são disputadas em séries de melhor de 7 partidas: quem vence 4 jogos, passa de fase).

Conclusão: negócio bom para as emissoras (alta audiência = mais anunciantes e mais dinheiro), negócio bom para o público fã da NBA (cada vez mais opções de jogos).

Aí ontem fiz uma pergunta: e se o Estado fosse responsável por regular o que os canais de esporte transmitem?

Tenho uma lista de hipóteses:

  1. Haveria uma cota de partidas nacionais a serem exibidas (mesmo que a qualidade delas fosse péssima, o público não se interessasse e não houvesse anunciantes).
  2. Haveria restrição de horário e do número de partidas de torneios internacionais exibidos na TV, de forma a fomentar o esporte nacional e proteger nosso esporte contra a invasão estrangeira.
  3. O som ambiente das partidas deveria ser cortado, de forma que não se pudesse ouvir gritos da torcida que incitam o ódio.
  4. Jogadores com apelidos pejorativos (como Neguinho, Japa, Baleia, Buiu, Pretinha, etc.) precisariam trocar de alcunha para que a TV pudesse dizer seus “nomes” sem soar como preconceito.

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Essa semana me deparei com algo interessante, de fazer chorar todos os pseudo-intelectuais modernos, amantes da cultura tupiniquim, defensores das nossas tradições mais pobres e bizarras, odiadores de “coxinhas” e do “viralatismo” do povo. A Rua 25 de Março, famosa por ser o centro do comércio popular em São Paulo, foi invadida por Food Trucks! Pois é, a moda gourmet chegou em pleno centro popular!

Tá, vamos lá, não chegam a ser aqueeeeeles Food Trucks que os nacionalistas e amantes da porcaria generalizada adoram criticar. Os carrinhos são mais simples e nem vendem tanta comida diferenciada assim. São apenas lanches um pouco mais caprichados. Um deles conta até com uma geladeira elétrica, alimentada por um gerador à gasolina. Os donos espalham alguns banquinhos para os clientes poderem comer com um pouco mais de conforto. Enfim, no geral, são mais do que os velhos carrinhos de cachorro-quente (estereotipados pelos hot-dogs da novela Amor à Vida), mas ainda menos que os food trucks do Butantã Food Park.

Oras, mas onde quero chegar com isso?

Bem, temos visto ultimamente uma invasão em massa de novidades gastronômicas por aí. Tudo começou com os rodízios de comida japonesa, que rapidamente se espalharam pelas cidades. De uns tempos para cá, percebemos a invasão de brigaderias, cervejas artesanais, wine houses e, recentemente, as tais paletas mexicanas. Comidas e bebidas diferentes, com qualidade superior e preços também superiores (muitas vezes, não na mesma proporção). Os food trucks talvez tenham sido a última dessas novidades.

Mas a pergunta que fica é: o que faz o cidadão pagar tão mais caro por algo que ele já tinha antes?

Muita gente vai argumentar: porque são trouxas! Porque são “modinha”! Porque querem ter status! Porque querem postar nas redes sociais fotos com o rosto lambuzado de chocolate belga! Porque são coxinhas!

Olha, vou dizer, conheço um monte de gente assim, que se enquadra justamente em quase todos os argumentos do parágrafo anterior. No Facebook, então, tem um monte! Mas será que somente esse tipo de gente sustenta todo esse movimento gourmet? Será que somente o fator “moda” sustenta esse modelo? Eu até acredito que um ou outro tipo de novidade seja mesmo questão de moda e que se acabe rapidamente (lembra-se do Frozen Yogurt?), mas será que tudo é assim?

Eu prefiro pensar diferente. Eu acredito que, em vários aspectos, nossos gostos vêm mudando porque estamos tendo cada vez mais acesso à produtos de qualidade superior. As experiências sensoriais que adquirimos expandem o nosso cérebro e, invariavelmente, o ensinam sabores diferentes, cheiros diferentes, experiências visuais diferentes. E tudo o que é superior em qualidade é inconscientemente reconhecido, por mais que a gente tente negar. Às vezes tendemos a negar a superioridade de pessoas ou de coisas com as quais não estamos habituados simplesmente por inveja, ou orgulho próprio, ou medo, ou incerteza, ou posicionamento político, ou por ene outros fatores. Mas isso é consciente, é ato pensado, pois inconscientemente sabemos o que é bom ou ruim. Por exemplo: ninguém precisou te ensinar que o cheiro do café é melhor do que o cheiro da buchada de bode.

Olavo de Carvalho escreveu assim no seu artigo Desprezo Afetado:

[…] o maior obstáculo à formação superior da inteligência não está em fatores de ordem econômica, social, racial ou familiar, mas de ordem moral. Está naquilo que os gregos chamavam apeirokalia: a falta de experiência das coisas mais belas. A alma que, desde tenra idade, não seja exposta à visão de exemplos concretos de beleza natural, artística, intelectual, espiritual e moral, torna-se incapaz de conceber qualquer realidade mais alta que o topo das suas percepções corriqueiras. Como o sapo do fundo do poço, se lhe perguntamos: “Que é o céu?”, responde: “É um buraquinho no teto da minha casa.”

Esse é o mal crônico da cultura nacional, sempre devota do irrelevante e cheia de despeito por tudo o que esteja acima da sua precária capacidade de compreensão.

Engana-se, portanto, quem acredita que somente “riquinhos” gastam mais dinheiro com comida e bebida gourmet simplesmente porque querem aparecer e ter status. Qualquer um consegue reconhecer qualidade superior em algum produto. A diferença é quem está disposto a pagar e o quanto está disposto a pagar por isso (e aí já é uma questão de mercado).


Observação final: O mesmo conceito se aplica a outros produtos culturais existentes, como música e esportes, por exemplo. Se você acha, por exemplo, que o futebol europeu tem crescido no gosto popular do brasileiro somente porque nós somos “modinha” ou porque somos “vira-latas”, acredito que você tenha um problema sério de percepção. A qualidade dos eventos e dos jogadores por lá é incomparável em relação à nossa. Mas por que isso então só começou a ganhar destaque agora, nas últimas décadas? Muito simples: hoje, cada vez mais gente tem acesso. Quanto mais gente conhece o que é superior, mais isso ganha destaque.

Ps.: Eu adoro futebol de várzea e o futebol brasileiro como um todo, mas isso não me deixa louco o suficiente para acreditar que isso aqui é melhor do que lá fora. Emoção é uma coisa, qualidade é outra.

Quem está preparado?

Publicado: 5 de maio de 2015 por Kzuza em educação, Trabalho
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Nas últimas semanas andei discutindo com alguns amigos e lendo alguns artigos a respeito da queda de produtividade dos profissionais de TI. Trabalho há 17 anos com desenvolvimento de software e posso afirmar que tenho visto, nesse período, uma redução constante na produtividade dos profissionais com quem trabalho. Percebo que, apesar dos avanços observados em relação a metodologias de desenvolvimento e ferramentas de produtividade nas últimas décadas, isso não tem chegado a impulsionar a qualidade de software e a velocidade das entregas nas mesmas proporções. Mas por quê?

Conversando com um amigo meu, gerente de um grande banco, mas de uma área não relacionada diretamente à TI chegamos a um primeiro indício, o qual acredito ser o principal fator: as pessoas não se preparam para aquilo que querem ser.

Uma amiga minha, psicóloga, afirmou que essa é uma característica presente na tal Geração Y. Realmente, devo concordar com ela. Principalmente a geração mais nova, na qual eu também me incluo, possui esse tipo de pressa em “chegar lá” rapidamente, numa velocidade maior do que aquela que consegue aprender e se capacitar. Isso vem se acentuando cada vez mais, e para mim é cada vez mais claro entre jovens de 20 e poucos anos.

Vejamos um exemplo. Há alguns anos atrás, fui professor do ensino médio em uma escola particular. Era um curso profissionalizante de Informática, com duração de 3 anos e aulas aos sábados, que era quando eu lecionava. Essa era, na época, a “vantagem competitiva” do colégio, pois as demais escolas conceituadas da região ofereciam o mesmo curso no período de 4 anos (como foi o meu caso, na época na Fundação Bradesco). No entanto, ao término do meu segundo ano como professor, a escola modificou sua grade curricular para oferecer o mesmo curso em 3 anos, mas sem aulas aos sábados. Isso porque um outro colégio da região fez a mesma coisa e passou a ser, então, uma ameaça. Não é necessário ser muito esperto para concluir que a qualidade do curso piorou com essa redução na carga horária. Menos aulas = menos conteúdo. Mas afinal, quem liga, já que o MEC aprova?

Outro exemplo: na minha época, cursos de faculdade tinham no mínimo 4 anos de duração. E olha que eu nem estou falando de tanto tempo assim. Mas de uns tempos para cá, o MEC passou a reconhecer cursos tecnólogos com 2 anos de duração, que apesar da metade da duração, possuem teoricamente o mesmo valor de qualquer outro curso superior.

Ou seja, se há 10 anos atrás, um adolescente de 18 anos estava se preparando para iniciar uma faculdade, hoje é perfeitamente que um mesmo adolescente já esteja formado em um colégio técnico profissionalizante e com um diploma de curso superior, reconhecidos pelo MEC. Na cabeça do infeliz, ele já está pronto para dominar o mundo, muito embora o seu conhecimento adquirido seja pífio.

Não é raro ver, nas empresas, jovens recém-saídos de um programa de estágio sentirem-se mestres na arte de desenvolvimento de software. Com 1 ou 2 anos de experiência, já julgam-se seniores e almejam salários astronômicos. Outro dia entrevistei um candidato que estava há 4 meses desempregado. Jovem, cerca de 23 anos, com apenas 2 anos de experiência em desenvolvimento Java em pequenas consultorias de fundo de quintal. Pretensão salarial: R$ 6.500, contratação CLT. Surgiu uma dúvida: como será que ele julga o valor que traz a uma empresa com o trabalho que realiza com o conhecimento que possui?

O fato é que estamos enfrentando uma crise intelectual gigante (e acho que isso não se restringe somente à área de TI). O conhecimento é cada vez menos valorizado, totalmente subestimado. Diplomas e certificados passam a ter um valor muito maior, como se fosse possível alguém carimbar um pedaço de papel e, automaticamente, transformar um cidadão em mestre.

Há um outro fator também intrigante: o tempo de experiência de um profissional de TI está sendo, ao meu ver, completamente sub-julgado. Explico melhor. Há muita gente considerando o tempo de experiência (seja na área, seja na empresa) como fator primordial para determinação de uma promoção ou aumento salarial. A senioridade do profissional está sendo associada somente aos seus fios de cabelo branco. Pois bem, vamos lá: eu já conheci inúmeros moleques que, com 2 ou 3 anos de experiência, são seniores no que fazem, ao mesmo tempo em que conheci inúmeros senhores com mais de 20 anos de área que não valem um tostão furado. Mas qual a diferença entre os dois casos? A diferença é que esses moleques sabiam o que queriam e se capacitaram para aquilo, através de cursos, palestras e mesmo auto-didática, enquanto os mais velhos sentavam a bunda na cadeira e achavam que apenas seus fios de cabelo branco (ou a falta deles) seriam suficientes para colocá-los como intocáveis.

Veja bem, não estou dizendo que somente a aplicação acadêmica é suficiente para transformar gatinhos em leões, mas ela é fundamental. E essa capacitação não vem somente através de certificados emitidos por órgãos competentes, mas sim de dedicação interna. Isso, associado à experiência prática e, não menos importante, a mentores competentes que podem direcionar suas carreiras profissionais, certamente cria ótimos profissionais. Isso serve para qualquer área.


Ps.: Li um artigo científico excelente (original em inglês aqui) onde o autor aponta que o fator principal em um processo de desenvolvimento de software são as pessoas, e não a metodologia ou a tecnologia envolvidas. Isso serve para comprovar o que escrevi acima. Enquanto tivermos maus profissionais, incapacitados, não adianta adotarmos metodologias modernas tampouco ferramentas de produtividade.

Outro dia vi no noticiário, junto com a minha mãe, uma reportagem sobre um jogador de futebol que havia sofrido insultos racistas pela internet.  No caso, Jemerson, jogador do Atlético MG, deu a resposta mais inteligente que já vi em um caso como esse:

É inacreditável que hoje em dia ainda exista alguém com um pensamento tão pequeno. Gostaria, do fundo do coração, que as pessoas tomassem esses comentários … do @lucasaraujo4930 como exemplo do que não fazer. Dê educação aos seus filhos e, independentemente de qualquer coisa, os ensinem a ter tolerância com as diferenças. Sejam elas ideológicas, políticas, sexuais, religiosas, raciais ou simplesmente com aquele que torce pra um time de futebol diferente do dele. Tudo isso pq, na verdade, a grande diferença que pode existir entre uma pessoa e outra é o respeito. Tem gente que tem, e tem gente que não tem. Questão de base, família, valores e educação, coisa que lá em Jeremoabo, mesmo com toda limitação, meus pais me deram com sobra. Da senzala, já ficamos livres há quase 130 anos. Mas parece que nunca vamos nos livrar da imbecilidade de alguns. Aqui é PRETO. E aqui tb é BRANCO. Pq aqui é Galo, …! #tmjTINGA #tmjAROUCA #tmjDANIELALVES #tmjPESSOASDEBEM que diariamente sofrem com essa babaquice. No mais, não deem moral pra esse zé roela, que só quer aparecer.

E por que eu acho a resposta inteligente? Porque o jogador, ao contrário de muitos “estudiosos” e “especialistas” que aparecem por aí diariamente na mídia, conseguiu tocar no cerne da questão. Ele foi direto no problema. Atacou diretamente a doença, e não o sintoma. Veja só, novamente:

Tudo isso pq, na verdade, a grande diferença que pode existir entre uma pessoa e outra é o respeito.

Deu para entender, ou quer que eu desenhe?

Há um axioma central dos liberais chamado Princípio da Não-Agressão. Você já ouviu falar nele? Há um texto bem bacana a respeito disso aqui ó! Em linhas gerais, muitos liberais acreditam que essa é a única lei que precisa ser respeitada em uma sociedade.

Mas do que se trata o PNA? Bem, ele diz que nenhum indivíduo ou grupo de indivíduos pode iniciar uma agressão contra um inocente.

O texto do link anterior ainda explica o que é considerado agressão:

“Agressão” é definida como o uso, ou ameaça de uso, da violência física contra a pessoa ou propriedade de qualquer outro indivíduo.

Alguns de vocês provavelmente não irão concordar com a definição acima, dizendo que existem outros tipos de violência além da física, como por exemplo, a violência verbal. A diferença básica é que um insulto proferido por alguém é relativo, pois o alvo da ofensa pode ou não se sentir agredido. Já uma violência física é sempre uma violência física, e por isso existe a definição acima.

No entanto, eu prefiro estender ainda o meu entendimento. Nenhum tipo de violência (e aqui nesse caso também incluo a violência verbal – através de palavras ou gestos) pode ser admitido contra alguém por conta de suas características natas. É completamente intolerável e indefensável atentar contra alguém, independente dos meios, por conta de uma característica natural que acompanha a pessoa desde o nascimento. Cometer um ato de violência contra alguém somente por conta da sua cor de pele, cabelo ou olhos, ou pelo seu local de nascimento, é totalmente imoral e injustificável.

Dessa forma, enquanto um monte de gente quer colocar na sua cabeça que o problema é a violência contra homossexuais, ou contra negros, ou contra mulheres, é melhor você entender que isso é só o sintoma. A doença se chama falta de respeito.

Muitos grupos das chamadas “minorias” reivindicam direitos e leis que os protejam contra a violência de terceiros, embora não entendam que o problema central não está no que esses grupos representam, mas sim na formação de caráter do agressor. Ele, o agressor, não comete o ato violento porque a vítima é mulher, ou negro, ou homossexual, ou o que quer que seja. Ele simplesmente não possui respeito pelo agredido. Ele nunca vai entender o que é o Princípio da Não-Agressão.

Então, se entendemos assim qual é de fato o problema, fica mais fácil identificar a causa do mesmo e, assim, propor soluções de verdade, ao invés de simplesmente criar medidas paliativas. Digo isso porque o problema é geral, e não somente concentrado nesse ou naquele grupo. E é aí que o Jemerson acertou mais uma vez:

Dê educação aos seus filhos e, independentemente de qualquer coisa, os ensinem a ter tolerância com as diferenças.

A ausência de valores morais e, principalmente, de uma educação voltada a Deus nas famílias brasileiras é a coisa que mais me preocupa no país em que vivemos. Muita coisa tem colaborado para isso nos últimos anos (isso daria um post enorme aqui). enquanto não nos sensibilizarmos com isso e acreditarmos que esse é o primeiro passo a ser dado em direção a uma sociedade melhor, continuaremos fadados ao fracasso.

Interesse próprio não é egoísmo

Publicado: 22 de abril de 2015 por Kzuza em Economia, liberalismo
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kardecLi um texto hoje de Gary Galles, para o Instituto Ludwig von Mises Brasil, com o título Individualismo e interesse próprio não são egoísmo.

Você deve ler o texto inteiro, mas para ajudar eu extraí alguns trechos que achei muito inteligentes:

Quando Madre Teresa, por exemplo, utilizou seu Prêmio Nobel para construir um hospital para leprosos, ela estava agindo de acordo com seu interesse próprio, pois tais recursos foram utilizados para efetuar algo com o qual ela se importava. Mas ela não agiu de maneira egoísta.

O que pouca gente entende é que os seres humanos são, em sua maioria, muito mais sensíveis às mazelas dos demais espontaneamente do que quando forçados a isso. O que quero dizer é que as pessoas se prontificam muito mais a ajudar as demais de forma espontânea do que quando são forçadas a isso por algum motivo.

[Adam Smith] conclui que “restringir nossas emoções egoístas e satisfazer as emoções benevolentes é o que constitui a perfeição da natureza humana.” Em outras palavras, nosso interesse individual inclui o aprofundamento da nossa natureza benevolente.

É basicamente o que disse Allan Kardec na citação incluída no início desse texto.

Os ataques vêm de pessoas que pensam que suas preferências subjetivas deveriam se sobrepor às preferências dos proprietários e da maneira como estes controlam suas propriedades.  Para essas pessoas, os proprietários e suas respectivas propriedades devem ser, por meio da coerção do estado, domados, subjugados e forçados a se adaptar a essa visão redistributivista do mundo.  A intenção desses pretensos reformadores é simplesmente impor, à força, suas preferências sobre terceiros.

Ao agirem assim, eles paradoxalmente não parecem perceber que tal comportamento é a exata definição da ganância que eles tanto criticam.

Essa é uma conclusão perfeita, mas que machuca muita gente. Não é nada fácil para muita gente aceitar isso.