Uma pitada de sentimentalismo

Publicado: 27 de fevereiro de 2015 por Kzuza em Cotidiano
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Quem sou eu para falar sobre o amor, não é mesmo? Justo eu, esse cara de coração de pedra, que não chora, que não se sensibiliza, que não se comove nem mesmo com o final de Marley e Eu. Faz sentido escrever um post sobre isso?

Eu felizmente tenho observado alguns exemplos de que eu, mesmo não sendo o mais indicado para falar sobre coisas sentimentais, certamente estou longe de ser tampouco o menos recomendado nesse aspecto. Isso porque acabei descobrindo, nessas indas e vindas, que não sou tão egoísta quanto eu achava que fosse. E isso para mim é, antes de tudo, o primeiro passo para se tornar uma pessoa menos ruim.

Na verdade, acredito que às vezes criamos certos bloqueios que nos impedem de enxergar um mundo muito bacana ao nosso redor. Esses bloqueios podem ser de várias origens, desde você estar preso em um relacionamento envenenado e fadado ao fracasso, até ser vítima de algum trauma anterior que lhe impeça de se abrir a novas experiências.

O fato é que, quando nos vemos realmente libertos das amarras que nos prendiam, aprendemos a ser mais leves e mais amorosos. Passamos a enxergar novas oportunidades de ter momentos felizes. Coisas bobas, que antes não tinham importância, tornam-se fundamentais.

Deve ser por isso que vejo tanta gente sofrendo por amores que não se concretizam. Tanta gente reclamando por aí que não existe mais ninguém que preste atualmente. Tanta gente reclamando que ninguém os quer. Mas até que ponto isso realmente é verdade? Ou são somente as amarras que ainda não foram cortadas?

Conheço bastante gente com medo por aí. Medo de sair e conhecer novos lugares e pessoas. Medo de aceitar aquele convite para um passeio no parque. Medo da conversa descompromissada com um desconhecido. Medo da risada e do abraço sincero daquele amigo que você nem mesmo considera tão amigo assim. Medo de se abrir, mesmo que um pouquinho, com aqueles que estão próximos. Enfim, medo de amar. Amor, nem sempre no sentido carnal e sexual, mas no sentido de envolver-se, de trocar experiências, sensações, conversas e gestos.

E tudo isso em nome de quê? Em nome dos pré-conceitos estabelecidos? Em nome de uma auto-defesa, seja lá contra o quê?

Eu sinto que talvez seja melhor ser assim, desse jeitão ogro, mas sem medo das experiências que o mundo e as pessoas podem me oferecer. Nem que seja para quebrar a cara mais para frente. Para sofrer com experiências mal sucedidas. Mas ao menos ter sentido o gosto de experimentar, de viver.


Observação 1 do Zuza: prevejo de antemão comentários engraçadinhos e pejorativos…rs

Observação 2 do Zuza: será que se as relações amorosas fossem regulamentadas e as pessoas tivessem menos possibilidades de se decepcionar, mais gente se arriscaria?

O Controle de Armas é como tentar reduzir o número de bêbados dirigindo tornando mais difícil para as pessoas sóbrias dirigir seus próprios carros.

O Controle de Armas é como tentar reduzir o número de bêbados dirigindo tornando mais difícil para as pessoas sóbrias dirigir seus próprios carros.

Uma discussão recorrente que tenho tido ultimamente com familiares e amigos é a respeito da onda do politicamente correto, que vem avançando sobre nossa sociedade moderna nos últimos anos. A gangue dos cagadores de regras está à solta há muito tempo, suprimindo nosso direito à liberdade de expressão às custas de um tal neo-moralismo, ou sociedade mais justa e sem preconceitos.

Bem, mas será que todos param para pensar até onde o politicamente correto faz mal para nossa sociedade?

Ontem li a coluna de Denis Lerrer Rosenfield no O Globo, cujo título é Moralismo e Ilegalidade. Nele, o autor ressalta pontos muito importantes sobre o assunto, mas o principal deles, ao meu ver, é:

Ocorre uma renúncia à liberdade em função de um bem tido por maior, quando o maior perigo aí reside, a saber, tomar um valor qualquer como se fosse maior do que ao da liberdade.

E é justamente nesse ponto que eu quero tocar.

Há uma patrulha incessante por aí que se diz representante da opinião pública, julgando tudo o que acontece e apontando o dedo para dizer: Isso não pode! Isso é ofensivo!

Opa, mas pera aí, quem foi que disse que você tem o direito de não ser ofendido?

O Sr. Philip Pullman deu uma aula sobre isso. Ao ser questionado por um cara na plateia:

- Sr. Pullman, o título do seu livro (O Bom Homem Jesus e o Salafrário Cristo) parece a mim, como um cristão comum, algo ofensivo. Você chama o filho de deus de salafrário. Isso é uma coisa horrível de se dizer.

Deu como resposta:

- Sim, é uma coisa chocante de se dizer e eu sabia que era. Mas ninguém tem o direito de viver sem ser chocado. Ninguém tem o direito de viver a vida sem ser ofendido. Ninguém é obrigado a ler este livro. Ninguém é obrigado a pegá-lo, abri-lo… E se alguém abrir e ler, não será obrigado a gostar dele. Se você ler e não gostar, você não é obrigado a ficar calado. Você pode me escrever, reclamar e pode escrever à editora. Pode escrever aos jornais e até escrever o seu próprio livro. Você pode fazer todas essas coisas, mas o seus direitos terminam aí. Ninguém tem o direito de me impedir de escrever este livro. Ninguém tem o direito de impedir que ele seja publicado, vendido, comprado ou lido. E isso é tudo que tenho a dizer a respeito desse assunto.

Ainda voltando ao assunto passado sobre o atentado terrorista à redação da revista Charlie Hedbo em Paris (já comentado aqui, aqui e aqui), li também essa semana um excelente texto a respeito do assunto aqui. Nele, o autor ressalta:

Sugerir que ofender deve ser inaceitável é corrosivo e letal e não simplesmente para a liberdade de expressão, mas para a democracia. As pessoas têm o direito de dizer o que quiserem desde que não incitem a violência. Outros têm o direito de não querer ouvir ou assistir ou ler. Que usem o controle remoto e cancelem suas assinaturas de jornais. Ninguém tem o direito de ser ouvido. E ninguém tem o direito de não ser ofendido.

O que o papa Francisco está dizendo é que, embora a liberdade de expressão seja fundamental, deveria necessariamente, ser menos livre em uma sociedade plural. Na verdade, é precisamente porque nós vivemos em uma sociedade plural que precisamos ampliar e defender a liberdade de expressão. Em tal sociedade, é inevitável e importante que as pessoas ofendam a sensibilidade dos outros.

Inevitável porque onde diferentes crenças estão profundamente arraigadas, os confrontos não podem ser evitados. Quase por definição tais confrontos expressam o que é viver em uma sociedade diversificada. Sendo assim, eles devem ser resolvidos abertamente, sem hipocrisias, em vez de suprimidos em nome do “respeito” ou da “tolerância”.

Mais do que isso: a ofensa não é apenas inevitável, é essencial. Qualquer tipo de mudança ou progresso social significa ofender algumas sensibilidades. Aceitar que certas coisas não se pode dizer ou tentar silenciá-las, é aceitar que certas coisas não podem ser contestados. Nem melhoradas.

Acontece que, hoje em dia, uma pequena parcela da população é sensível demais a certos assuntos, sentindo-se ofendida ao mínimo sinal de contrariedade às suas opiniões. E é justamente essa parcela que tenta, muitas vezes com sucesso, impor o seu discurso de politicamente correto sobre os demais, colocando seus valores e opiniões acima de qualquer coisa. Quem quer que discorde do que a patrulha dos cagadores de regra diz, é imediatamente julgado como transgressor, fascista e moralmente inferior. Mas será que é isso mesmo?

Vamos ver só um outro exemplo. Agora no carnaval, algumas campanhas publicitárias foram vetadas (ou ameaças de veto) porque, segundo o movimento feminista, vulgarizavam e promoviam à violência à mulher (veja o que a esquerda diz sobre o assunto aqui). A tal campanha da Skol, que gerou mais polêmica por cartazes como “Esqueci o NÃO em casa”, foi suspensa pela própria Ambev porque um grupo de 30 (isso mesmo: trinta!) mulheres reclamaram por se sentirem ofendidas. Pense bem: de todo o público atingido pela campanha, apenas 30 mulheres se manifestaram contra a mesma, dizendo-se representantes de todas as mulheres. Será que é mesmo? Pergunte às mulheres que você conhece e veja quantas delas se sentem ofendidas com esse tipo de coisa. Aposto que a maioria das mulheres que você conhece se sentem bem mais ofendidas com mulheres que expõem seus corpos nus durante os desfiles na avenida.

Agora veja só que hipocrisia. Na mesma época, a Sadia lançou uma nova campanha sobre o seu presunto. Veja o vídeo abaixo:

Agora imagine se o fatiador fosse, ao invés de um homem, uma mulher. Você tem dúvida de que a patrulha dos cagadores de regra não estaria em cima?

O mesmo princípio se aplica a outros assuntos polêmicos, como o homossexualismo, por exemplo. Qualquer coisa que seja dita contra a liberdade sexual dos indivíduos é automaticamente taxada como homofobia. Outro dia escutei de um amigo:

Se você é contra o casamento gay, você é automaticamente homofóbico.

A dificuldade em se criminalizar a homofobia é justamente conseguir tipificar o crime. Hoje em dia, o simples fato de ser contra ou de se não gostar de determinada coisa é imediatamente classificada como “alguma-coisa-fobia” ou “incitação ao ódio”. Mesmo quando seus argumentos se baseiem em estudo científicos ou em seus valores morais ou religiosos. Mesmo que você não agrida ninguém.

Ainda sobre homossexualismo, é tabu na sociedade moderna e politicamente correta levantar alguns pontos polêmicos, como os que podemos ler aqui, aqui e aqui. Mesmo que a maioria dos povos ao redor do mundo recusem a agenda gayzista por razões morais, os cagadores de regra afirmam que você deve aceitar isso como normal, ainda que:

A falácia dos 10 por cento: Estudos indicam que, ao contrário das afirmações inexatas (mas amplamente aceitas) do pesquisador sexual Alfred Kinsey, os homossexuais constituem entre 1 e 3 por cento da população.

Os homossexuais estão sobre-representados nas infrações sexuais infantis: Indivíduos de entre 1 e 3 por cento da população que tem atração sexual pelo mesmo sexo cometem até um terço dos crimes sexuais contra crianças.


Conclusão: Na minha modesta opinião, há uma onda coordenada tentando restringir a liberdade de opinião das pessoas e acabar com valores morais que norteiam a sociedade, classificando isso como um obstáculo para a humanidade ter atingido o ápice de seu desenvolvimento. Utilizam-se de desculpas como o estabelecimento de uma sociedade mais justa e livre de preconceitos para impor opiniões de uma minoria sobre toda a população, como se fossem representantes terrenos de uma divindade maior. Justificam suas atitudes e opiniões como necessárias para uma nova sociedade melhor, sem conseguir de fato medir o quanto isso será, de verdade, possível no futuro.

Ainda creio que estamos tentando remediar os sintomas sem de fato conhecermos a doença. Clamamos por cada vez mais antitérmicos sem descobrir qual a causa da febre. Queremos reduzir a violência praticada por menores de idade reduzindo a maioridade penal. Queremos reduzir o número de mulheres que morrem em clínicas clandestinas liberando o aborto. Queremos mais negros nas universidades criando sistemas de cotas. Queremos menos pobres distribuindo dinheiro dos ricos para eles. Mas o fato é que ninguém se preocupa em realmente acabar (ou ao menos diminuir) com a causa raiz do problema.

A arte da desonestidade

Publicado: 18 de fevereiro de 2015 por Kzuza em Comportamento
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frase-se-o-desonesto-soubesse-a-vantagem-de-ser-honesto-ele-seria-honesto-ao-menos-por-desonestidade-socrates-135201Tenho percebido por aí que há muita gente desonesta e desinformada nesse mundo. Eu até compreendo quem de fato não consegue entender o que lê, mas seres ditos alfabetizados deveriam ao menos procurar informar-se um pouco melhor antes de fazer julgamentos pré-moldados em cima de afirmações definidas pelo tal senso comum.

Talvez uma das primeiras coisas a se fazer, antes de sair copiando tudo o que se lê por aí, ou então repetindo tudo o que lhe dizem ser o certo, seria ler o Guia das Falácias, de Stephen Downes. A tradução está em português de Portugal, mas dá para se entender tudo perfeitamente, pois o manual é de bem fácil leitura, com exemplos certeiros. Tenho certeza de que, depois dele, você passará a observar mais atentamente tudo o que você lê e ouve.

A segunda coisa que recomendo a você, caro amigo, é ser um pouco mais honesto com as suas escolhas e seus valores morais. Hoje em dia, isso é muito mais difícil do que ser propriamente honesto na sua concepção mais comum (aquele que não rouba, não faz as coisas escondido, não se corrompe, etc.).

Acredito que o relativismo usado por muita gente hoje em dia é uma ferramenta absurdamente perigosa e que atenta violentamente contra a honestidade moral do nosso povo. Tentar encontrar explicação para tudo, justificando atitudes criminosas através de fatores como o passado sofrido do criminoso ou sua posição social desfavorável, é apenas um exemplo do que estou dizendo. Há uma dificuldade grande em se admitir que o ser humano é, em muitos e muitos casos, mau e cruel. E há também uma repulsa generalizada pelo fracasso alheio. É difícil ter que admitir que alguém falhou, então buscam cada vez mais atenuantes, seja para justificar a causa do ato falho, seja para cuidar para que as consequências das más atitudes não sejam tão duras.

Hoje eu começo a acreditar que pessoas que não tiveram uma educação familiar adequada, especialmente aquelas que não tiveram uma base religiosa, tendem a agir com desonestidade para o resto de suas vidas. Isso porque não carregam consigo o sentimento de culpa por nada. Não gostam de se enxergar como responsáveis pelas suas próprias atitudes, mas sim preferem creditar as consequências delas a um terceiro, seja ele Deus, o Estado, o mercado, o capitalismo, os homens maus, etc.

Confessar-se pecador, ou assumir que errou em suas escolhas na vida, nunca será fácil para ninguém, mas pode ser extremamente libertador. É uma pena que muita gente não pense assim e prefira viver a vida acreditando que:

  • Seria pior se sua escolha fosse outra;
  • Não adiantaria fazer nada de diferente pois Deus quis assim;
  • Não havia outra alternativa.

Também observo esse comportamento relativista em outras situações. Há pessoas que se utilizam de uma probabilidade futura para justificar uma ação criminosa no presente. Algo como: é melhor cagar agora do que aguentar as consequências de problemas que podem ocorrer lá na frente. Vou comentar apenas dois casos:

  1. Na semana passada, quando comentei o péssimo texto sobre o aborto aqui, acompanhei as discussões no blog original para ver até onde vai a insanidade das pessoas. A maior parte dos comentários a favor do aborto, incluindo o da autora do texto, baseavam-se na previsão de um futuro apocalíptico para a mãe e para o bebê caso o aborto não fosse executado. Quase 90% justificavam retirar o embrião/feto/bebê do útero da mãe antes dele vir ao mundo para preveni-lo de uma vida possivelmente ruim. É tipo um Minority Report. Se isso não é brincar de ser Deus, realmente eu não sei mais o que é. (Nota importante do Zuza: o Matheus vai escrever um post sobre aborto ainda onde a discussão deve ser aprofundada; meu comentário aqui foi somente sobre o argumento base usado no texto e nos comentários do post em questão.)
  2. Um vídeo está circulando em portais de notícia hoje, mostrando um rapaz que foi atropelado nesse carnaval em Praia Grande. O garoto atravessou a rua sem olhar para os lados e foi atingido por um carro em alta velocidade, que fugiu sem prestar socorro. O rapaz está internado em estado grave (até o momento da publicação desse post). Não vou entrar na discussão de quem estava certo ou errado no acidente, mas o fato do motorista ter fugido sem prestar socorro caracteriza um crime, previsto no artigo 135 do Código Penal Brasileiro. Li vários comentários em diferentes sites de leitores relativizando a fuga do motorista, pois caso ele parasse para prestar atendimento, poderia ter sido alvo de linchamento e/ou ter seu veículo depredado pelos foliões bêbados que estavam próximos ao local do acidente. Quando é que foi que as pessoas passaram a pensar dessa forma, justificando crimes em nome da possibilidade de algo ruim acontecer no futuro?

Essa crise moral que vemos instaurada hoje na nossa sociedade é extremamente preocupante, ao menos para mim. Até quando vamos esperar?

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Hoje li um texto sobre uma campanha que está rolando nas redes sociais contra a legalização do aborto. O título do texto é Por que não vou postar uma foto da minha barriga em campanha contra o aborto, publicado no blog Casa, Cozinha e Fralda Trocada. A autora é Vanessa Lima, que sequer conheço.

Pronto, apresentações e divulgação de blog feitas, vamos começar a dissecar o texto…

A campanha se diz contra o aborto e pró-vida, mas eu acho que as duas coisas não conversam. Sou sim pró-vida e é justamente por isso que sou a favor da legalização do aborto.

Eu juro que eu poderia ter parado de ler o texto aqui pois já previa o que viria a seguir, mas ainda assim insisti em continuar lendo para ver onde ela iria chegar. Isso porque esse é um caso clássico de duplipensamento (como explicou George Orwell), ou da tal paralaxe cognitiva que o Matheus já mencionou em seu último post. Mas vamos seguir adiante…

Quando dizemos “pró-vida”, estamos falando da vida de quem? Só do bebê? E a vida da mãe? Não conta? O bebê precisa sobreviver e a mulher que se dane. E se esse bebê sobreviver, que tipo de vida ele vai ter? Tudo bem se uma mulher entrar numa clínica num fundo de garagem e ser tratada como uma carne de terceira em um açougue de quinta?

Bem, acredito que quando nos dizemos “pró-vida”, somos pró-qualquer-vida. Ou pró-todas-as-vidas. Certo? Seguindo esse conceito básico, sem muitas delongas, todas as vidas devem ser defendidas por quem se declara pró-vida. Faz sentido? Todas!

Eu explico: eu sou contra o aborto em mim, mas, por uma questão de saúde pública, sou a favor da legalização para quem, por algum motivo (e podem existir vários, diversos, alguns até que a gente nunca imaginou) escolhe esse caminho. Não conheço as histórias de todas as mulheres que fizeram, fazem e farão essa opção. Então, simplesmente não dá para julgar.

Não entendi por que o aborto seria uma questão de saúde pública. Será que a autora acredita que o nosso maravilhoso sistema de saúde pública é comprometido, de alguma forma, por que mães não conseguem realizar abortos desejados, simplesmente por que isso não é legalizado?

Outra coisa bem complicada…. esse conceito de “não conheço todas as histórias, então não dá para julgar” é extremamente perigosa. Quer dizer então que, se não conhecemos a história de um assassino em série, por exemplo, não podemos julgar se o que ele fez é certo ou errado? Seguindo essa lógica brilhante, então se um homem enfia a porrada na cara da sua mulher, não dá para julgar se é certo ou errado por que não conhecemos a história do casal?

Quantos pais abortam e ninguém fala nada? É que o aborto do pai é mais fácil e livre de julgamentos. Ele simplesmente vai embora, some e nunca mais olha na cara daquela mulher, com a qual ele gerou um filho. Pronto, abortou. Não vai ser mais pai. A criança e a mulher morreram para ele. Ainda é capaz de receber tapinhas nas costas e ouvir elogios: “Fez bem, amigo, saiu na hora certa”.

Era óbvio que, depois de tantos posicionamentos de esquerda apresentados até o momento, não poderia faltar um argumento feminista. E aqui o encontramos. Veja bem quando ela usa a expressão “morreram para ele”, para equiparar um comportamento imoral (e vergonhoso, e covarde, e blábláblá) do homem com a decisão da mulher de acabar com a vida do seu filho (e aí sim ele estaria morto de verdade) por seja qual lá for o motivo.

Não fiz nenhuma pesquisa, mas não tenho medo de afirmar, mesmo assim, que, pelo menos 9 (se não 10) entre 10 mulheres, que já realizaram um aborto sofreram – e ainda sofrem, ainda que tenha sido há muito tempo – por isso. Ninguém é a favor do aborto dessa maneira, como apontam os tais pró-vida/contra aborto. Ninguém acha legal ou acorda de manhã pensando: “Nossa, que dia maravilhoso. Quer saber? Acho que vou ali fazer um aborto” ou então “Ah, dane-se. Não vou usar camisinha. Daqui a alguns meses faço um aborto e pronto”. É uma decisão trágica, desesperadora e que marca para sempre a vida da mulher.

Oras, mas se você é a favor da legalização do aborto, você automaticamente é a favor do aborto nas condições em que você mencionou, onde o aborto é premeditado. Afirmar que isso não existe é, no mínimo, pretensioso demais. É uma armadilha perigosa, assim como quem acha que a distribuição de Bolsa Família não vai fazer com que ninguém tenha vontade de deixar de trabalhar.

A diferença é que algumas delas vão de óculos-escuros a clínicas chiques e entregam cheques gordos a recepcionistas bem arrumadas e com brincos de pérolas nos bairros mais ricos das grandes metrópoles. Outras, se submetem aos açougueiros, que mencionei acima. E essas últimas, infelizmente, de maioria negra e pobre, se deitam nestas macas sujas e nunca mais se levantam.

Essa foi a cereja do bolo do discurso esquerdista até aqui. O tal discurso das minorias. Dispensa maiores comentários.

Sou contra o aborto, sim, em mim. Por isso não faço. E se você é contra o aborto também, que ótimo: simplesmente não faça também. Mas sou a favor da legalização do aborto, porque sei que as mulheres que decidem fazer, vão fazer de qualquer maneira. Que pelo menos elas possam fazer isso de maneira segura, sem arriscar a própria vida. Que existam menos Jandiras, menos Cláudias, menos Marias e menos Antônias. Afinal, somos ou não somos a favor da vida?

O último parágrafo do texto é a coroação da paralaxe cognitiva. É extremamente bacana alguém ser contra algo para si próprio, mas a favor disso para todos os demais. Não me espantaria se ela declarasse o contrário em outras situações também, algo como: “Sou a favor de eu poder andar na contramão porque estou atrasada, mas sou contra os outros fazerem isso”. Não consigo entender gente que pensa assim. Pensa só se a frase fosse: “Mas sou a favor da legalização das drogas/assassinatos/estupros, porque sei que as pessoas que decidem fazer, vão fazer de qualquer maneira”. Consegue imaginar o barulho que isso daria?


Pô, mas peraí, então você é contra o aborto, Zuza? Sinceramente, não tenho uma opinião final fechada a respeito do assunto. Ainda tenho uma série de dúvidas e considerações que preciso esclarecer antes de tomar qualquer posicionamento. Mas sou muito a favor de uma discussão honesta e clara, com argumentos coerentes (sejam eles contra ou a favor do aborto).

Tenho uma tendência a ser contra o aborto, por valores cristãos, assim como sou contra a pena de morte. Concordo com a autora quando ela diz que “o buraco é mais embaixo”, então não quero me limitar só a isso nesse momento. Por isso, para emitir qualquer opinião a respeito eu preciso me informar e ser coerente. Sair despejando um monte de frases pré-moldadas e discursos prontos de esquerda por aí não ajudam em nada nesse debate.


Atualização brilhante do Mathias:

A lógica falaciosa na criação de argumentos da autora:

A) Sou a favor da legalização do aborto.

B) Todas as mulheres sofrem quando fazem um aborto.

Logo:

C) Sou a favor de legalizar que todas as mulheres sofram com o aborto.

Spotify e eu: um caso de amor!

Publicado: 13 de fevereiro de 2015 por Kzuza em Música
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Em meados do ano passado um primo me apresentou ao Spotify, aplicativo de música no celular. Se você não conhece, creio que deveria conhecer. Foi através dele que conheci uma dezena de artistas novos dos quais eu nunca havia ouvido falar. Para minha surpresa, muita coisa boa foi encontrada. Eu, como viciado em música que sou, não poderia deixar de compartilhar com os amigos algumas boas descobertas feitas. Sei que gosto é como cu, cada um tem o seu; mas sinceramente acho que você devia ouvir pelo menos uma ou outra banda mencionada aqui. Irá valer à pena! (Nem que seja para ver como eu tenho mau gosto musical….rs)


Blues Pills

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Disparado a melhor banda que conheci através do aplicativo. A banda sueca, liderada por essa delicinha loira chamada Elin Larsson, é considerada por alguns críticos como o “Novo Led Zeppelin”. O vocal da loira é poderosíssimo, quase uma mistura entre Janis Joplin e Adelle. O guitarrista francês Dorian Sorriaux, de apenas 18 anos, é um caso à parte e toca como poucos. Enfim, é uma banda obrigatória para se ter na playlist.

Dica de música: High Class Woman.


Kadavar

kadavar

Trio alemão, de Berlim, que toca um rock clássico de primeira qualidade. A sonoridade dos caras é poderosa e remete muito às bandas do início da década de 70, especialmente Black Sabbath. Mandatório para qualquer amante de rock ‘n roll.

Dica de música: Doomsday Machine


Horisont

horisont

É o Black Sabbath da Suécia. Tá bom, vai, acho que seria demais restringir os caras só a isso. O vocal é extremamente versátil e furioso. A sonoridade é limpa, sem muitos recursos nem frescura. É róque, na pureza do estilo. Detalhe: os caras têm um monte de música cantada em sueco mesmo (ô língua esquisita!).

Dica de música: Writing on the Wall


Skinny Molly

skinny molly

Banda do ex-guitarrista do Lynyrd Skynyrd Mike Estes. Southern rock de primeira qualidade, com uma pegada bem cravada. Minha dica fica para você ir direto para o disco Haywire Riot, que é um petardo!

Dica de música: Too Bad to be True


Vdelli

vdelli

Um baita de um féladaputa de um guitarrista e vocalista australiano. Um baita vozeirão associado a uma sonoridade limpinha e leve. Rock farofão mesmo, daqueles para ouvir a qualquer hora, mas o cara é realmente muito bom.

Dica de música: Condescending Lies


Orchid

Orchid-band

Banda californiana de heavy metal, com uma influência grande de bandas clássicas como Black Sabbath, UDO, Motorhead… Algumas músicas chegam a ter um som bem sombrio. O primeiro disco dos caras, Unicorn, deve entrar na discografia básica de muito roqueiro por aí. É bem parecido com o Horisont, mencionado aqui antes, com a diferença que a voz do vocalista lembra muito o Ozzy Osbourne no começo da carreira, em discos como o Vol.4.

Dica de música: Masters Of It All


Pentagram

pentagram

Essa talvez seja mais manjada de muitos amigos roqueiros meus, eu é que não conhecia mesmo. Formada na década de 80 na Virginia, nos Estados Unidos, é considerada junto com o Black Sabbath, uma das precursoras do Doom Metal. Banda pra macho, não pra garotinhos.

Dica de música: Dying World


Cry of Love

Cry.Of.LoveBanda de american rock, formada na Carolina do Norte. Os caras têm somente 2 discos, cada um com um vocalista diferente, mas ambos são muito bons. A sonoridade é muito parecida com Black Crowes (o primeiro vocalista canta igualzinho o Chris Robinson).

Dica de música: Highway Jones


Screamin’ Cheetah Wheelies

screaming

Banda de southern rock de Nashville. Precisa dizer mais alguma coisa ou já bateu uma vontade de ouvir? O som dos caras é um rock bem atenuado com umas levadas bem divertidas. Vale à pena! Ah, o vocalista se parece muito com o Bob Seger, que é um cara que eu gosto pacas!

Dica de música: Shakin’ The Blues


Spiders

spiders

Banda de rock sueca, mas diferentemente das apresentadas anteriormente aqui, muito mais leve. Se eu tivesse que explicar aqui o som deles, eu resumiria em uma palavra: Blondie. Pois é, o som deles é muito parecido com a banda americana de Deborah Harry.

Dica de música: Mad Dog


Vista Chino

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Bem, talvez a partir daqui minha lista comece a ficar mais duvidosa para você, caro amigo, pois a sonoridade muda bastante. Mas de qualquer forma, eu achei essas bandas dignas de apreciação. O Vista Chino é uma banda americana de um disco só, acabando depois disso, mas vale à pena. O som é bem psicodélico, com guitarras e vocais distorcidos, mas muito agradável.

Dica de música: Adara


Black Moth

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Bandinha marota inglesa de doom metal, com vocal feminino. O som é bem psicodélico também, mas muito bacana. Chega a ser bem sombrio em alguns momentos, mas a pegada é sempre forte.

Dica de música: Banished But Blameless


Purson

purson

Outra bandinha inglesa com vocal feminino, mas bem mais psicodélica que o Black Moth. O som parece ser bem antigo, até pela mixagem dos álbuns, mas a banda é novinha em folha. Eu particularmente gostei bastante!

Dica de música: Tragic Catastrophe

Acabei de ler um texto do empresário João Luiz Mauad publicado no O Globo em Julho de 2013, onde ele explica porque o Passe Livre não é direito. Eu particularmente sou fã dos textos do João, também sempre publicados no site do Instituto Liberal. Ele tem uma clareza de raciocínio que pouca gente nesse mundo tem.

Mas as lições que o texto deixa nem tanto dizem respeito ao Passe Livre somente, mas sim abrem uma discussão muito mais profunda acerca do que acreditamos ser nossos direitos. Infelizmente, a mentalidade geral instaurada na nossa sociedade brasileira é a de que temos cada vez mais direitos, e cada vez menos obrigações. Há uma confusão mental que atormenta os cidadãos comuns, em sua maioria: NÃO CONFIO EM POLÍTICOS versus O ESTADO DEVERIA FAZER MAIS POR NÓS.

Vamos a alguns trechos importantes do texto:

[…] o exercício de um direito legítimo não pode requerer que outros sejam forçados a agir para garanti-lo, mas somente que se abstenham de interferir para cessá-lo.

O meu direito de ir e vir não exige que os demais me forneçam o transporte, mas, pura e simplesmente, que não impeçam o meu deslocamento. O meu direito à vida não requer que ninguém a mantenha – além de mim mesmo, com os recursos do meu próprio trabalho -, mas apenas que os demais não atentem contra ela.

Isso é uma coisa que muita gente não concorda, simplesmente pelo fato de não entender. Mas o autor explica na sequência:

Assim como transporte não é um direito, também não o são coisas como moradia, alimentação, emprego, assistência médica, lazer e outras que impliquem ações positivas de terceiros para satisfazê-las. Muita gente, por conta da importância desses bens e serviços para qualquer indivíduo, passou a considerá-los direitos essenciais da pessoa humana . Entretanto, o seu fornecimento necessita dos esforços e capitais de terceiros, e nenhum código de ética que se preze será capaz de dar fundamento moral ao fato de que alguém possa beneficiar-se compulsoriamente do trabalho, do capital, do talento ou da energia dos outros, a troco de nada, ainda que leis nesse sentido sejam impostas pela maioria. O altruísmo é uma virtude desejável em qualquer sociedade, mas não existe caridade com o chapéu alheio.

O primeiro argumento que está na ponta da língua de muita gente é: Mas eu pago impostos, então deveria ter direito a isso tudo! Eu não sei em que momento da vida alguém inseriu nas nossas mentes esse conceito, mas ele é extremamente danoso. Veja só a armadilha enorme que caímos com essa linha de raciocínio: a partir do momento em que eu considero esse argumento como verdade, estarei sempre exigindo que o meu dinheiro confiscado pelo Estado (sim, confisco, porque ninguém paga impostos de boa vontade) seja utilizado por ele da melhor maneira possível. Vou sempre clamar por serviços públicos de primeira qualidade e que nunca faltem recursos para nada. Ou seja, mesmo não confiando em políticos, mesmo sabendo da incapacidade que o Estado tem de gerir serviços públicos, eu continuo apostando minhas fichas nele. Seja no partido A ou no partido B, no vermelho ou no azul, estamos sempre esperando que eles resolvam as coisas com o dinheiro que pegam de nós.

E se alguém lhe propusesse o contrário? E se alguém parasse de tomar o seu dinheiro de você e dissesse: se vira! Será que isso seria bem aceito por você? Como assim eu terei que pagar para ter acesso a saúde, educação e transporte? Oras, mas não é justamente isso que você já faz hoje?

Poxa, Zuza, mas então você não acha que o Estado é necessário? Você é um anarquista? Não, não é bem assim. Eu prefiro a definição do Mauad:

A existência do Estado só se justifica como resultado da delegação de poderes pelos cidadãos. Como só podemos transferir poderes de que dispomos e como só é lícito o uso da força em legítima defesa, os poderes legítimos do Estado estariam restritos à defesa da nossa integridade física, liberdade e propriedades.

Isso é brilhante! Em uma democracia, como essa na qual vivemos, nós é que escolhemos nossos representantes. Como eles são representantes, eles devem ter apenas os poderes que nós temos. Isso não faz sentido para você? Por qual motivo você acredita que o Estado deva ter um poder supremo? Realmente você acredita que alguém é capaz de entender todas as necessidades e desejos de todos, tratando-lhes como iguais?


Enfim, escrevi esse texto meio como um desabafo. Estou cansado de ver discussões por aí sobre a atual situação política brasileira. Há uma polarização entre PT e PSDB que está fugindo do bom senso. As pessoas discutem sobre “ah, mas o A é pior que B”. Elas vibram com escapadas e presepadas do partido adversário. Casos de insucesso do partido adversário são comemorados e usados como justificativa pelos casos de insucesso do seu partido preferido.

“A mídia golpista”. “A BLOSTA”. “Queremos o impeachment”. “O impeachment não resolve nada porque quem assume é o Michel Temer e não o Aécio”. “O Alckmin deixou o estado de SP sem água”. “A Dilma mentiu nas eleições”. “O preço da gasolina subiu por causa da Dilma”. “FHC foi pior que Lula”.

Para mim são todas discussões vazias que levam somente a um destino: o clamor por um salvador da pátria. Seja ele social democrata, seja ele petista (ou pior, em último caso, como querem alguns amigos que certamente não sabem o que dizem, uma socialista).

Paremos com a discussão partidária atual, que somente nos leva para a esquerda. Isso não acarretará mudanças profundas, que é justamente o que precisamos. Passemos a discutir o modelo, então assim conseguiremos andar em direção a um futuro significativamente melhor, mais justo e mais livre. Fica a dica.

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Recebi, assim como muitos amigos, um texto do blog “mdmente.wordpress.com” sobre “Porque deixar o mercado de TI”. Recomendo ler o texto original e depois continuar aqui.

Pois é… não sei quem escreveu, e isso pouco importa, mas depois de ler concordei apenas com um único argumento: “Baixa qualidade de profissionais na área de TI”.

PONTO FINAL, o resto é pura verborragia, autocomiseração e ressentimento com os rumos de uma trajetória profissional.

O texto é repleto de hipocrisia, apelo vitimista, retórica anticapitalista e a panfletagem ideológica marxista de que a história da civilização é baseada na luta de classes – o velho chavão do “oprimido x opressor”.


Vejamos o que diz o texto:

…o mercado de TI está cheio de preguiçosos, aproveitadores e pessoas que pouquíssimo sabem sobre o que fazem…

Verdade, e este é o único argumento do qual concordo, mas mesmo nessa questão vocês acham que isso é um problema exclusivo da área de TI?

Infelizmente é uma regra geral do mercado brasileiro, com algumas exceções, e qualquer RH pode confirmar a dificuldade em recrutar pessoas comprometidas e capacitadas, e o problema aumenta se falarmos de profissões que exigem maior grau de especialização.

Portanto ao sair da área de TI vai se deparar com o mesmo problema.

Leia um noticiário e comprove que a qualidade jornalística passa longe das redações, procure um mecânico que não seja aproveitador, um professor dominando o que diz, um médico que se mantenha atualizado, um pedreiro que saiba chapiscar uma parede, uma doméstica comprometida, uma atendente que seja eficiente, um funcionário público que não seja preguiçoso ou uma empresa com serviços de qualidade… não é fácil!

A partir daí começa o MIMIMI:

Já começamos com algumas acusações:

…é um antro de desesperados por dinheiro que farão qualquer coisa para ganhar cada vez mais e fazer cada vez menos…

Mas… opa mano… peraí! Deixa eu relembrar alguns trechos do texto:

… No momento em que escrevo esse post, passo por uma síndrome de abstinência… Só que não fui eu quem decidiu parar de fumar… a grana simplesmente acabou. O que acontecia todo final de mês, passou a acontecer no meio…

… Outro ponto que me deixa profundamente triste é o fato de que precisamos mendigar por aumento salarial…

… desenvolve quase que de graça projetos que custariam outros milhões, possui o menor salário da equipe e que talvez (com muita sorte) receba um agradecimento verbal.

E destilando um pouco de ressentimento e inveja:

… não posso dizer que sou mal pago (Hã!?)mas pessoas que mal sabem o que estão fazendo costumam ganhar o dobro ou o triplo do que ganho
… De um ponto de vista social, não posso dizer que sou mal pago

Agora para deixar Raulzito orgulhoso, vamos “desdizer aquilo tudo que eu lhe disse antes”:

… Quando entrei no mercado de TI, o fiz por prazer. Não fui atrás do dinheiro, fui atrás de prazer… diversão… tudo o que eu queria era paz e prosperidade
… É hora de mudar… hora de viver. É hora de construir uma vida ao lado de pessoas que prefiram a evolução ao enriquecimento.


joaokleber

PARA PARA PARA PARA… já deu!!

Um caso de paralaxe cognitiva, um afastamento entre o eixo da construção teórica e a experiência real do indivíduo, ou seja, acredita-se na teoria mesmo confrontando-se com uma realidade diferente – fala no que acredita ser a realidade mesmo vivenciando algo totalmente oposto.

“Escolhi meu trabalho por prazer, diversão e não por dinheiro” x “Ganho pouco e estou sem dinheiro”

“As pessoas só pensam em dinheiro” x “Quero reconhecimento com aumento salarial”

E agora um pouco do “Acuse-os do que você faz, xingue-os do que você é”:

(Acusação):

…Por fim, o maior problema de TI é a exacerbação do ego...

(Exacerbação do ego):

conheço a fundo pelo menos outros 20 sistemas operacionais.
eu já era capaz de programar em qualquer linguagem que me aparecesse na frente… bastava ler rapidamente o guia de referência de comandos e funções que eu me adaptava instantaneamente ao estilo de programação que a linguagem exigia...

Se seu amigo de baia ou seu superior é um bosta que não sabe o que faz e ganha mais do que você, cabe a você correr atrás do seu, mostrar seu diferencial, dizer que seu trabalho vale mais do que recebe. Mas se isso é mendigar amigão, fique esperando sentado por um aumento espontâneo trimestralmente.

No blog há vários comentários sobre o marketing pessoal, sobre uma possível postura profissional introspectiva. Utilize da mesma autopromoção que faz no artigo para galgar uma posição mais alta na carreira profissional e o reconhecimento considerado merecido, ainda mais com “pessoas que mal sabem o que estão fazendo ocupando esta posição e ganhando o dobro ou o triplo”.


Vamos aos culpados por tanto desgosto, depois de mais uma fase de desdizer o que se disse:

…Não preciso nem dizer que ainda existe o problema da necessidade de um culpado

Culpado 1:

Os empresários nessa área não estão preocupados com as pessoas…

Culpado 2:

… Num universo paralelo isso talvez faça algum sentido, mas seguindo a tal da meritocracia… essas pessoas nem mesmo deveriam estar ocupando seus cargos…

Culpado 3:

…O ponto mais triste de todos é que o mercado todo é assim…

Culpado 4:

…E já que percebi que estou no lugar errado, é hora de partir em busca do lugar certo, um lugar onde as pessoas valorizem a vontade de ajudar e que o dinheiro não interfira nas decisões. É hora de mudar… hora de viver. É hora de construir uma vida ao lado de pessoas que prefiram a evolução ao enriquecimento

Ora, decida-se entre o prazer, o altruísmo ou o dinheiro que te sustenta!
Assuma o capitalista que há em você ou vire um hippie-regueiro, nômade ou ermitão… Sei lá, trabalhe com voluntarismo, não vão faltar propostas de desafios computacionais ao bel-prazer!


Agora eu pergunto:

Qual o problema de ser recompensado por um trabalho honesto?

Buscamos por uma recompensa ao oferecer o nosso trabalho. Fazemos bem ao todo quando oferecemos algo em benefício próprio. E é justamente a liberdade das trocas voluntárias (ou livre mercado) que transformaram o mundo que temos hoje.

“Não é da benevolência do açougueiro, do cervejeiro e do padeiro que esperamos o nosso jantar, mas da consideração que ele têm pelos próprios interesses. Apelamos não à humanidade, mas ao amor-próprio, e nunca falamos de nossas necessidades, mas das vantagens que eles podem obter.” Adam Smith

Quando alguém realiza um troca voluntária do seu “esforço” intelectual ou braçal por uma quantia de dinheiro é porque avalia que o dinheiro vale mais que seu esforço, e quem lhe dá dinheiro também avalia que aquele serviço ou produto, resultado do esforço de alguém, vale mais do que o dinheiro dado. É uma troca sem perdas, com os dois agentes satisfeitos, pois cada indivíduo dá valor as coisas subjetivamente.

Temos a liberdade de recusar, de fazer uma contra-proposta, escolher, procurar outra oferta ou não fazer nada. Só a democracia nos garante tais direitos, e o liberalismo proporciona essa “tal de liberdade” para a livre empresa e livre iniciativa com o mínimo de coerção do estado (Laissez faire!!).

Qual o problema com o dinheiro?

“O dinheiro é um instrumento de troca, que só pode existir quando há bens produzidos e homens capazes de produzi-los. O dinheiro é a forma material do princípio de que os homens que querem negociar uns com os outros precisam trocar um valor por outro. O dinheiro não é o instrumento dos pidões, que pedem produtos por meio de lágrimas, nem dos saqueadores, que os levam à força. O dinheiro só se torna possível através dos homens que produzem.” Ayn Rand

Agora pare e pense sobre quantas quantas vezes você barganhou na compra de um veículo, na aquisição de um imóvel ou num orçamento de pintor, mecânico, pedreiro, diarista, técnicos ou na compra de móveis nas Lojas Marabraz cujo vendedor ganha comissão?

Acha que o vendedor, o comissionado ou o prestador de serviço que se barganha se sente explorado, lesado, “mendigado”?


Nesse outro texto, do mesmo blog, temos o “desprazer” de conhecer a visão de mundo onde o dinheiro é a origem de todo o mal do mundo, baseado na estrutura no materialismo histórico.

Um panfleto oportunista de propaganda utópica sobre a reorganização da nossa sociedade, mais um “pensador” que quer viver num mundo cuti-cuti ursinhos-carinhosos, sem dinheiro, sem inveja, sem ganância, mas vale lembrar que no primeiro parágrafo reclama que o baixo salário o deixou sem cigarros!

Na boa mano, sério que esse ideal comunista e anticapitalista ainda persiste hoje em dia? Um esquerdista vive sob profunda depressão religiosa-ético-moral e estrutural, vive integralmente sob a imagem móvel de um futuro hipotético tão improvável quanto o funcionamento de um moto-contínuo e da alquimia, uma teoria que ignora e contraria todos os aspectos da natureza, condição e da ação humana! Isso já foi refuta sob todos os aspectos, seja ele econômico, humano ou social.

Miséria, terror, escravidão e morte é outra verdade irrefutável da outra alternativa ao capitalismo, o socialismo (Ou talvez Anarquista[?]).

Foi o sistema capitalista que permitiu uma vida mais confortável para milhões de seres humanos, fato de uma simples observação honesta. Hoje uma pessoa muito pobre tem mais acesso a bens do que um rei do século XV, e milhões de pessoas puderam sair da miséria predominante no mundo por milênios.


Vamos imaginar hipoteticamente, que num futuro próximo, no seu próprio consultório de psicanálise seja necessário contratar uma atendente.

Qual valor ($, abraço, agradecimento, sacos de arroz, um boi de corte, voluntarismo, comida, coerção, chantagem) o dr. deve oferecer para a funcionária? Quanto será justo? O que seria o reconhecimento do trabalho desta pessoa? Ou deve-se esperar que ela trabalhe alegremente por amor ao atendimento de clientes em seu consultório?

Quem sabe talvez usar de coerção para que ela trabalhe voluntariamente!

Bom, eu acho que $ é a melhor opção!

Está aí um cenário que pode levar alguém que não acredita no dinheiro a se afundar numa depressão profunda.


Por fim, todo o texto sob a pretensão de externar uma insatisfação profissional na área de TI com um mínimo de verdade, foi usado de embuste para atrair leitores ao pensamento marxista e anticapitalista que tanto se polariza hoje em dia.

Eu não caio mais nessa, e acho importante identificarmos tais engodos, pois esse pensamento é anti-humano, vangloria as intenções sem se preocupar com as ações e resultados, prolifera nas redes sociais e nas universidades como um pensamento virtuoso, mas que ignora tudo que foi conquistado em nome de uma teoria fracassada, que não se sustenta em experiência, que não se fez realidade em nenhuma de suas tentativas.

PS: Pare de fumar…

FUI!