mundo-perfeito

Mundo perfeito?

Guardo um texto inacabado na minha pasta de rascunhos a mais de 3 anos, se tornou um emaranhado de argumentos inconsistentes devido as minhas próprias incertezas e contradições.

O texto era sobre o ABORTO, e eu defendia o ato como um direito, basicamente por dois aspectos:

1 – a liberdade individual da mulher por ser proprietária do seu corpo e portanto ter o poder de decidir sobre ele;

2 – sobre a questão de reconhecer um embrião como pessoa, e este, por fim, dotado de direitos.

Sim, argumentava em favor da “legalização” do aborto em situações mais “flexíveis”, julgando a moralidade desde ato basicamente sobre os aspectos 1 e 2.

Mas a cada linha, a cada nova ideia e pensamento reflexivo eu me questionava sobre a falta de um ator… algo estava sendo esquecido, percebi que ignorava totalmente a POTÊNCIA DA VIDA HUMANA futura, que tem/terá o DIREITO NATURAL DE VIVER (Direito esse que invalida os 2 aspectos). Por ignorância, convenções e preconceitos, ou por pura distorção sobre o que é a LIBERDADE tratava esta potência apenas como um PUNHADO DE CÉLULAS, um PARASITA, um OVO… e não como um humano!

E foi refletindo sobre a vida humana em formação que mudei de ideia e revi minhas próprias convicções, fiz sem o fanatismo dos “progressistas tolerantes” que não toleram o feto, nem o “fanatismo religioso” que se apega apenas no dogma da própria crença.

 


Retomo agora minha “escalada crítica” sobre o aborto pois o momento é oportuno.

Novamente se discute usar o aborto como política de saúde pública para o combate de uma condição neurológica de microcefalia em bebês, que supostamente é causado pelo vírus Zika transmitido pelo mosquito Aedes aegypti e se alastra por toda a parte.

Essa epidemia alimenta ainda mais a narrativa ABORTISTA – eufemismo para uma política de saúde EUGENISTA – e já domina o debate sem espaço para o contraditório. Mesmo havendo dúvidas médicas e científicas da relação entre o vírus zika e microcefalia, mal se sabe sobre as reais causas do surto, mas a principal recomendação de “especialistas”, “institutos”, “organizações” e qualquer outro formador de opinião é:

…ABORTO É UM DIREITO E DEVE SER LEGALIZADO!

Em outras palavras: Vamos matar seres humanos em formação para evitar que eles nasçam doentes!

A mídia e nas redes sociais a narrativa já está direcionada, sem debate nem imparcialidade. Ouço apenas uma voz, o vento que sopra em uma única direção e apenas uma opinião se torna verdade:

A saúde pública deve garantir o acesso ao aborto, o aborto deve ser legalizado e os países devem rever suas leis!

1) Nesta semana (01/02/2016) o programa RODAVIVA se dedicou a discutir o assunto da epidemia.

Veja: Roda Viva | combate ao Aedes Aegypti – 01/02/2016

O convidado José Guedes (prof. de Medicina da Santa Casa) levantou o assunto, em meio as incertezas ele estava convicto: “O ABORTO COMO ALTERNATIVA DE EVITAR O SOFRIMENTO DA FAMÍLIA E DAS MÃES”.

Ou seja, prevalece a vontade da mãe, e para evitar seu próprio sofrimento interrompe-se a gestação.

2) No canal GLOBONEWS, o programa com ALEXANDRE GARCIA (03/02/2016) levou o professor e pediatra infectologista da UFRJ Edimilson Migowski para debater o assunto. Edimilson Migowski participa de vários programas na Rede Globo, BandNews, SBT entre outras, e sua narrativa segue como verdade.

Veja no vídeo aos 2:50 minutos: GloboNews com Alexandre Garcia

Para o professor o aborto deve ser encarado pelo “contexto social” e é a melhor opção de manter uma família estruturada, pois nesses casos de FILHOS IMPERFEITOS muitos pais abandonam a família e também acontece uma maior demanda de atenção da mãe para este filho imperfeito, com isso os demais filhos tem seu desenvolvimento “ALIJADOS”.

Ou seja: vamos usar o aborto (Vamos assassinar um futuro indivíduo imperfeito) para evitar o sofrimento familiar, evitar que pais canalhas abandonem suas casas, e evitar que filhos não tenham plena atenção da sua mãe.

Mas ele enfatiza que não é favorável ao aborto, ele só é favorável que a mãe tenha a opção de abortar, COVARDE!

Sem título

Não sou a favor, mas…

3) No mesmo canal o programa DIÁLOGOS entrevistou Dráuzio Varella, um defensor do aborto, mas foi até razoável e não comentou explicitamente sobre o aborto.

4) E por fim, a ONU orienta que os países revisem suas leis e garantam acesso a saúde pública.

Em outras palavras: a ONU orienta que países mudem suas leis para permitir o aborto nos casos de contaminação pelo vírus Zika, veja aqui.

Nesses 4 exemplos fica claro que não há espaço para quem não admite o aborto como primeira opção de saúde pública, e buscar alternativas não entrou na pauta.


Toda essa narrativa torna o debate uma grande mentira e hoje eu NÃO defendo mais de que o ABORTO deve ser legalizado, e principalmente o aborto não deve ser tratado como opção de SAÚDE PÚBLICA!


Ok, e por quê? E nos casos contemplados que temos hoje? (Anencéfalo, risco de vida da mãe e estupro)

Acredito ser da natureza humana evitar o sofrimento e penso que permitir o aborto vai torna-lo uma opção fácil de evitar qualquer anormalidade na gestação, o aborto será uma porta para a idealização da busca pelo filho perfeito.

Pense… quantas pessoas vão arriscar a ter um filho imperfeito?


“Nem todo sofrimento pode e deve ser evitado, assim como nem todo prazer deve ser desejado!”

Essa frase pode ser remetida a Epicuro ou aos escritos bíblicos de Jô 16.33, o que agrada tanto a religiosos quanto ateus!


E estamos falando de casos de problemas de saúde, mas porque não seria para qualquer outra justificativa conveniente para a gestante?

Uma viagem? Uma dieta? Uma briga de casal? Uma frustração amorosa? Uma imposição do parceiro, ou dos avós? Um planejamento profissional? Sexo do feto? Uma polidactilia? Uma deficiência auditiva/visual…? 

… Uma consciência mais frouxa?

Qual o limite para permitir o aborto como OPÇÃO da mãe?

Síndromes, doenças, disfunções, anomalias, deformações ortopédicas, deficiências neurológicas…

São infinitas as possíveis deficiências e imperfeições que a vida nos reserva, e por mais humanos que sejamos seria uma hipocrisia — e uma canalhice — acreditar que vamos aceitar e desejar para nossos filhos condições que não desejamos para nós mesmos!

Minhas próprias experiências de vida me faz pensar que devemos aceitar as incertezas que a vida nos impõe, e é a resiliência que nos faz viver sem o tormento de achar culpados para problemas que não tem explicação.

Algumas coisas na vida são como são… simplesmente porque a vida é assim!

É na batalha que se reconhece os COVARDES, e no sofrimento e dor que se identifica os FRACOS!

Os argumentos usados pelos defensores ao aborto apenas joga a sujeira para debaixo do tapete, além de abrir precedentes eugenistas que fariam Bernard Shaw e Margaret Sanger pularem de alegria dos seus túmulos!

Pais e mães (Sim, mães também!) que abandonam seus filhos e suas famílias o fazem por que são CANALHAS incapazes de aceitar os desafios da vida! Seja por problemas de saúde, por problemas financeiros, por frustrações amorosas, ou por puro egoísmo individual de querer “VIVER EM PLENA LIBERDADE” sem ter o fardo das responsabilidades!

Os avanços médicos, científicos e as pesquisas genéticas antecipam e reparam possíveis problemas genéticos, temos o aconselhamento genético, além de uma rede de solidariedade que apoiam famílias que sofrem com esses problemas, é isso que deve ser debatido!

Penso numa sociedade que prioriza e respeita a vida humana na sua menor minoria, o INDIVÍDUO!

E é para resolver esses conflitos e garantir direitos naturais que o estado deve existir.

Por tanto priorizo a potência da vida que, pelo caminho natural, será um ser humano completo, detentor de direitos inalienáveis e inquestionáveis de VIDA (nascer e libertar-se da sua hospedeira), PROPRIEDADE (seu próprio corpo) e LIBERDADE (desenvolver-se conforme suas potencialidades)!

Acredito que todos temos direitos a vida, mesmo que esta vida seja imperfeita!

Afinal, o que é perfeito?

FUI!
Mathias

Adendo 1:

5) No programa SaiaJusta da GNT, o tema também foi sobre o aborto. Adivinhem qual era a opinião das 4 participantes?

A era do “Curtir e Compartilhar”

Publicado: 20 de janeiro de 2016 por Kzuza em Comportamento, Cotidiano
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Há um tempo atrás escrevi esse texto aqui, ó. Queria usar a primeira parte dele (até o vídeo do Clarion) como introdução para esse post de agora.

Tenho reparado, no meu Facebook, a quantidade crescente de posts propagando notícias e histórias falsas. E olha que eu nem sou o cara mais esperto do mundo, e nem de perto o mais inteligente. Porém, o meu olhar crítico para alguns detalhes me permite sacar, logo de cara, quando um post é falso.

O principal motivo dessa propagação de posts falsos está na necessidade dos indivíduos modernos em se fazerem notados. É a vontade de compartilhar e ter um post curtido. É a necessidade de expor a sua opinião, de se mostrar indignado com alguma situação ruim, ou admirado com um fato bom.

O problema disso é que, nem sempre, a opinião é baseada em fatos; ou nem sempre a situação ruim é verdadeira; ou nem sempre o fato relatado realmente ocorreu.

Eu não acho, sinceramente, que as pessoas que compartilham essas coisas falsas façam isso de má fé. Mas também não acredito que elas estejam de fato interessadas em checar se as informações são verídicas ou não. Já cansei de ler a frase: “Não sei se é verdade ou não, mas achei por bem compartilhar”. O tempo gasto para digitar a frase é o quase o mesmo gasto, em tempos de Google, para checar as informações.

De qualquer forma, eu vou colocar algumas dicas aqui valiosas para que você identifique, rapidamente, se algum texto é verdadeiro ou não, antes de sair compartilhando por aí:

  1. Verifique se há uma fonte confiável e conhecida. Se o texto estiver publicado em um blog qualquer (WordPress, Blogspot, etc.), verifique se o mesmo faz referência a uma fonte concreta. Senão, esqueça.
  2. Verifique sempre a autoria do texto. Procure informações sobre o autor. É fácil identificar se foi ele mesmo quem escreveu o texto.
  3. Procure palavras-chave no seu texto que denunciem um possível hoax (boato): ATENÇÃO!; DIVULGUE AO MAIOR NÚMERO DE PESSOAS POSSÍVEL!; NÃO SEI ONDE ACONTECEU, MAS…; OS ENVOLVIDOS NÃO PODEM SER IDENTIFICADOS; OS ENVOLVIDOS PREFEREM SE MANTER ANÔNIMOS; EU ESTAVA LÁ, FOI LINDO!; A ANS E A ANVISA (ou qualquer outros órgãos regulamentadores) JÁ RECONHECERAM…; etc. As chances do seu texto ser falso são gigantes!
  4. Cuidado com as fanfics. Hoje em dia elas estão amplamente espalhadas por aí.
  5. Procure acompanhar os excelentes sites do Sensacionalista, Joselito Müller e Piauí Herald. São mestres na arte de criar notícias falsas engraçadas e que parecem reais, embora hoje enfrentem uma concorrência brava do mundo real. Se você não é bom de sacar ironia, muito provavelmente já compartilhou algum texto deles achando ser verdadeiro.
  6. Quanto maior o número de termos técnicos e específicos do texto, usados para chocar, maiores as chances do texto ser falso.
  7. E se o seu texto analisado passar por todos os testes anteriores, mesmo assim cheque sua autenticidade no site E-Farsas. Os caras são praticamente infalíveis!

E por favor: resista à tentação do compartilhar!


Em tempo:

  • Suzane von Richtofen não está em liberdade condicional e nem é presidente de comissão nenhuma na Câmara;
  • A foto do bebê dentro da bolsa de líquido amniótico que não estourou é verdadeira, mas a história da mãe com HIV é falsa;
  • Nem Dilma e nem Alckmin aumentaram o valor do Auxílio Reclusão;
  • Ladrões não estão dando chaveiros de brinde em postos de gasolina para rastrear seu carro.

Desculpa aí se você já foi enganado com alguma dessas histórias… ¯\_(ツ)_/¯

 

O mundo precisa de silêncio

Publicado: 19 de janeiro de 2016 por Kzuza em Cotidiano
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Sou de descendência italiana. Naturalmente, falo bastante e, confesso, em um volume acima da média. Necessito estar sempre me policiando. Se há algo que eu não gosto é de incomodar as pessoas.

No entanto, há uma coisa importante nesse aspecto. Há uma diferença grande entre a esfera privada e a esfera pública. Uma coisa é você estar em casa, ou na casa de parentes e amigos próximos, em uma reunião privada de pessoas, em um grupo restrito. Outra coisa bem diferente é você estar em um ambiente público, cercado de pessoas que não fazem necessariamente parte do seu grupo. No primeiro cenário, meu grau de ponderação é bem menor que no segundo.

Eu fico impressionado como, em dias atuais, as pessoas perderam a referência do espaço em que se encontram e, assim, acabam agindo de maneira igual tanto no privado quanto no público.

Já escrevi várias vezes aqui nesse espaço sobre a questão do respeito. Hoje em dia, talvez esse seja o ingrediente mais em falta na sociedade.

É incrível como as pessoas não conseguem mais se manterem reservadas em um ambiente aberto, cheio de gente, em uma cidade como São Paulo. Não há, definitivamente, o espaço para o silêncio, para a discrição. Seja no transporte público, em um restaurante, na empresa, ou mesmo em um hospital, a moderação está em falta. É a conversa constante no celular, em volume estratosférico, de fazer corar até um cara como eu. É a conversa sobre assuntos íntimos (e às vezes indiscretos, nojentos e estúpidos) com o colega do lado, sem parar. São as gargalhadas histéricas. É o vídeo recebido no grupo do Whatsapp exibido no celular em alto volume. É a gravação daquela mensagem de voz para seu amigo que não pode esperar até você chegar no carro.

Será que ninguém se pergunta se está incomodando os demais ao redor? Será que ninguém se pergunta se mais alguém está interessado no assunto da conversa, além de si mesmo e da pessoa do outro lado (ou mesmo se a outra pessoa está interessada)? Será que ninguém se pergunta se aquela ligação não pode aguardar até estarmos em um ambiente privado e tranquilo?

Devíamos dar mais valor ao silêncio, aos momentos de introspecção. Por que não aproveitar aquele momento em que não se tem nada para fazer e ler um livro? Ou estudar um assunto novo, interessante? Ou mesmo, se nada disso lhe interessar, que tal aproveitar seu tempo simplesmente para não incomodar quem está ao seu redor?


Texto inteiramente dedicado a uma das poucas leitoras assíduas desse espaço, minha amiga Luciana Garcia. Adorei a dica!

 

O ano da renovação

Publicado: 18 de dezembro de 2015 por Kzuza em Cotidiano
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2015 caminha para o seu fim e há quem  diga que ele vai embora sem deixar saudades. Realmente, não me lembro de um ano com tanta gente mal por aí. Há um clima de insatisfação e falta de perspectiva tomando o meu círculo familiar e de amizades. Isso me entristece bastante.

Mas acho que se olharmos para trás, há sim muita coisa boa para lembrarmos, apesar de todas as dificuldades passadas. Falo isso de forma bastante pessoal, mas creio que se cada um fizer isso, haverá ao menos uma dezena de motivos bons ao longo desse ano que nos fazem crer em um mundo melhor para 2016.

Foi meu primeiro ano (quase) inteiro morando sozinho. Confesso que relutei muito em voltar para São Caetano, mas hoje tenho certeza de que fiz a coisa certa. Foi certamente um ano de muito aprendizado e de muita responsabilidade.

Também conheci o Chile, que há muito tinha vontade de conhecer. Minha primeira viagem sozinho, e que me encheu de histórias para contar (especialmente pelo meu primeiro terremoto!). Reencontrei dois grandes amigos de muito tempo e pude descobrir que não é só Carapicuíba que é lotada de gente feia.

Trabalhei como nunca na empresa, conduzi o projeto mais difícil de toda a minha vida, conquistei um espaço bacana e, principalmente, consegui não estragar uma grande amizade de longas datas com a minha mais nova cliente.

Descobri também que uma grande amizade era capaz de se transformar em um relacionamento para lá de gostoso. Que a gente combinava muito mais do que podia imaginar, apesar de sermos tão diferentes. E que cada momento junto acabaria se tornando algo tão sensacional.

Enfim, são as pequenas coisas que me fazem ainda acreditar que o mundo é bacana, apesar de Dilmas Roussefs, atentados terroristas, crises econômicas e políticas, e títulos do Curintcha.

Desejo a todos meus amigos e familiares um novo ano melhor que esse que se encerra. Um ano de união. Acho que é isso que mais precisamos. E que todos tenhamos saúde e determinação para enfrentar o que mais tiver por vir em 2016. Que nossas cervejas estejam cada vez mais geladas e que meu tricolor não passe tanto vexame.

Sobre o ENEM

Publicado: 27 de outubro de 2015 por Kzuza em educação
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Ah, nosso glorioso sistema de educação, sempre nos mostrando que as previsões para o futuro do nosso país são cada dia piores.

Quando eu vejo as discussões acerca do Exame Nacional do Ensino Médio, realizado no último final de semana, tenho sérios momentos de reflexão tentando imaginar para onde é que estamos caminhando. Prevejo um futuro negro, infelizmente, pois não consigo enxergar avanço algum no que tange a uma das principais bases de uma sociedade digna: a educação.

Com exceção a poucas mentes iluminadas às quais tenho grande prazer em ter acesso, como Leandro Narloch e Alexandre Borges, basicamente as discussões são polarizadas entre feministas frustradas e conservadores intolerantes. As primeiras louvando os temas abordados pela prova, os segundos revoltados com a abordagem de temas de esquerda na prova.

Eu, no entanto, acho que houve uma sacada genial dos organizadores do exame de modo a criar justamente esse tipo de discussão irracional e desviar as atenções do que realmente está em jogo. Devo tirar o chapéu para a esquerda. Nesse cenário de guerra ideológica, eles são mestres.

Veja bem, não há mal nenhum em citar um texto de Simone de Beauvoir e pedir aos alunos associá-lo a um movimento social. Da mesma forma, não haveria mal nenhum em citar uma fala de Hitler e pedir aos alunos associá-la ao movimento nazista. Isso não faz do examinador um feminista, assim como não o faria nazista. São conceitos históricos, oras bolas! É óbvio que devem ser abordados.

Também não há mal nenhum em colocar como tema de redação a violência contra a mulher. Oras, todos sabemos que esse é um assunto de extrema relevância e em pauta desde que a sociedade acordou em relação a assuntos que até então eram tabu.

Esses fatos isolados não caracterizam a tal doutrinação ideológica que tanto estão dizendo por aí.

O que pouca gente vê, ou vê e não se importa, é a ausência de outros temas em toda a grade curricular e, consequentemente, em exames como esse. Um exame sobre temas atuais como se propõe a ser, por exemplo, deveria citar aspectos relacionados à atual crise institucional pela qual nosso país passa. Também não lembro de ter visto, ao longo de toda minha formação educacional, nenhum tipo de referência a autores de direita, como Mises, Hayek ou Thomas Sowell.

Um sistema educacional que aborda apenas um ponto de vista jamais formará cidadãos com pensamento crítico. Não é de se espantar que pioramos nossa posição no ranking mundial de educação a cada nova avaliação. Não oferecemos aos estudantes a opção de analisar, de pesquisar, nem mesmo de ter contato com autores que pensam diferente dos autores tradicionais de esquerda, tão adorados por Paulo Freire e seus discípulos comandantes da educação no país.

Não obstante a abordagem ideológica unilateral do exame, o que já seria um motivo para deixar qualquer um espantado, a prova ainda apresentou erros técnicos que, propositalmente ou não, fazem-me pensar sobre a seriedade desse país. Você pode entendê-los melhor aqui:

Dessa forma, caros amigos, temei-vos. E vejam que o problema mencionado por mim aqui não diz respeito ao viés das ideias disseminadas pelo nosso sistema de ensino, mas sim da unilateralidade. Se quisermos realmente uma sociedade pensante, crítica e pluralizada (a esquerda adora esse termo), temos ao menos que possibilitar a todos conhecerem um segundo lado da história. Caso contrário, é sim doutrinação pura, independente da nobreza do tema.

Como sempre o prefeito de SP pensando nos mais pobres.

Publicado: 8 de outubro de 2015 por Mathias em Política, Trabalho
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http://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/2015/10/1691622-licenca-para-motorista-do-uber-pode-chegar-a-r-60-mil-em-sp.shtml

uberaHR0cDovL3d3dy5jbGlja2dyYXRpcy5jb20uYnIvZm90b3MtaW1hZ2Vucy92ZXJzdXMvYUhSMGNEb3ZMMk5oY25SbFlteGhibU5vWldodlltSnBaWE11Wm1sc1pYTXVkMjl5WkhCeVpYTnpMbU52YlM4eU1ERXpMekEyTDNabGNuTjFjeTV3Ym1jJ

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JENIAL!!

Bastava um Smarthphone, uma CNH com EAR e um automóvel de 40, 50, 60 mil com seguro, que qualquer indivíduo poderia ter a iniciativa de buscar seu próprio sustento transportando quem queira ser transportado.

Mas parece que o prefeitoRegulando Malddad” e a prefeitura de SP, a extrema esquerda PTista institucionalizadora do roubo legalizado via coerção, decidiu dificultar e criar algumas regras/normas do que estava funcionando bem até agora.

O que era sinônimo de liberdade e iniciativa, agora terá “regras” e será “regulado”, tudo em nome do bem coletivo e claro, pensando nos mais pobres!

A idéia é:

Cobrar R$60.000,00, Limitar em apenas 5000 autorizações e fazer mais algumas exigências estúpidas, como obrigar algum equipamento que mostre um mapa (sic).

Brilhante!!!

Os mais pobres agradecem, agora quem estava pensando em trocar de carro e se enquadrar nas poucas exigências do UBER pode esquecer… o custo dobrou! Como um passe de mágica!!

Como toda intervenção estatal fode com os mais pobres. Mas logo vem alguma justificativa dizendo que esta “arrecadação” (ROUBO) servirá para algum programa social para cuidar das pessoas desempregadas que, um dia, tentam sair da dependência estatal, algumas delas, talvez, até cogitaram trabalhar no UBER.

Enquanto isso as cooperativas (Máfia e Monopólio) continuam estorquindo motoristas sonhadores em busca do seu próprio alvará.

Quais são as causas da violência?

Publicado: 6 de outubro de 2015 por Kzuza em violência
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Entrei em um debate ontem que me fez pensar muito a respeito do assunto, então decidi escrever um post aqui para tentar esclarecer um pouco a minha linha de raciocínio.

O post original era de um amigo falando sobre violência, e argumentando que, para ele, a principal causa da violência em nosso país era a desigualdade social. Eu então disse que para mim, a principal causa era a impunidade, oriunda de uma polícia mal preparada e de uma justiça falha. Mas foi a resposta dele que me fez pensar:

Será que a polícia Suíça é extremamente eficiente, ou dado aos altíssimos níveis sociais, ela nem tem tanto trabalho assim?

Essas perguntas que seguem a máxima da Tostines (“Vende mais porque é fresquinho ou é fresquinho porque vende mais?”) sempre dão um nó na minha cabeça.

Eu realmente acho que, nesse caso específico, as duas afirmações são verdadeiras: a polícia (e a justiça) suíça devem ser extremamente eficientes; e devido aos altíssimos níveis sociais, ela nem tem tanto trabalho assim. A questão maior nesse caso, ao meu ver, é estabelecer a relação de causalidade entre as coisas. Seriam a polícia e a justiça eficientes porque elas não tem muito trabalho, ou porque o país tem altíssimos níveis sociais?

É muito difícil separar as coisas porque tudo caminha junto. Afinal, tanto a polícia quanto a justiça de um país são comandadas por pessoas que fazem parte da população desse mesmo país. Elas são fruto de uma formação social, que vem dos valores culturais e da educação disponível para esses cidadãos ao longo de suas vidas. Ninguém nasce juiz, advogado, policial, delegado ou detetive.

Bem, então eu entendo que baixos índices sociais influenciam a sociedade como um todo: não somente bandidos, mas também cidadãos de bem. Ou seja, uma polícia mal preparada, corrupta em muitos casos, também é fruto de um ambiente social desfavorável.

Outro ponto importante no qual fiquei pensando é: se nos últimos anos houve uma melhora significativa nos níveis de desigualdade social no país (a maior bandeira levantada pelo atual governo federal), deveríamos ter então também uma redução significativa nos índices de criminalidade. Quer dizer, isso partindo da premissa de que a desigualdade social é a principal causa dos índices de violência.

Vejamos: o índice de Gini, que é um dos principais indicadores de desigualdade, vêm caindo sistematicamente nos últimos anos.

gini

Por outro lado, o número de homicídios no país não tem diminuído, pelo contrário.

homicidios

Ou seja, aparentemente uma coisa não tem assim tanto impacto sobre outra. Portanto, desconfio que a desigualdade não é uma doença, e sim o sintoma de algo grave acontecendo.

Mas eu também devo reconhecer que, pensando melhor, eu talvez não esteja certo quando disse que a impunidade é a principal causa da violência no país. Ela também é um sintoma.

A doença principal é, ao meu ver, o repúdio que temos a quem quer ganhar dinheiro honestamente, trabalhando. O cara quer empreender, a burocracia não permite. Aí o nego vira camelô, e a polícia toma a mercadoria dele (vi isso ontem e hoje no centro de São Paulo, e isso me disse muita coisa). O jovem quer trabalhar mas a legislação não permite. O estudante quer começar a trabalhar, mas a burocracia dificulta e encarece tanto o jovem profissional que a barreira para sua entrada no mercado de trabalho se torna instransponível. O pequeno empresário quer expandir seu negócio, mas o capitalismo de compadres praticado pelo governo federal com seus grandes amigos empresários dificulta a sua empreitada. Enfim, eu poderia ficar por linhas e linhas aqui dando exemplos. Mas o que eu quero dizer é:

Em um país onde se é tão difícil ganhar dinheiro honestamente (e quando você o faz, o governo lhe toma metade), e onde as punições para quem infringe as leis não são lá essas coisas, não me espanta tanta gente escolher o caminho errado.


Houve quem questionasse, nesse mesmo debate, que:

Não há nem metade dessa ‘impunidade’ que as manchetes sensacionalistas adoram propagar. Quando se entra em um curso de direito, o tapa na cara é imediato, a vida real é completamente diferente do que a mídia e as conversas de fila de banco nos dizem.

De maneira proposital, resolvi alfinetar com uma resposta mostrando uma reportagem do G1 sobre o assunto. Fui imediatamente massacrado, como já podia esperar. “Vir com uma matéria do G1 para provar que eu estou errada?”. E também: “não espero que saiba a diferença entre a polícia e o judiciário”. Bastou isso para saber qual o rumo que o debate tomaria, então eu me poupei de responder.

No entanto, cabem alguns comentários:

  • Quando eu disse impunidade (segundo o dicionário: estado de impune; falta de punição, de castigo), não me restringi ao culpado pela mesma. Se um assassino comete um crime e não é punido, ele foi impune. That’s all.
  • A matéria do G1 foi proposital, justamente para saber se o importante eram os fatos ou as fontes.
  • Uma pesquisa rápida no Google mostra que existem vários estudos a respeito da quantidade de crimes de homicídio solucionados no Brasil (aqui, aqui, aqui ou aqui). Quem confirma isso é a Associação Brasileira de Criminalística, ou outras publicações como o Mapa da Violência.
  • Eu acho sinceramente que a parte da realidade que consigo observar em todo o universo é microscópica. Não consigo ter a real compreensão da realidade apenas pelo que eu observo ou ouço de relatos de amigos (ou de fila de banco, como foi o exemplo citado).
  • Eu nunca vi uma cobra cascavel. Nunca fui atacado por uma cobra cascavel. Não tenho um conhecido sequer que tenha tido contato com uma cobra cascavel. Tenho amigos biólogos que nunca viram uma cobra cascavel. Mas eu sei que elas existem e são muito perigosas. O simples fato de eu nunca ter tido contato com algo não muda a realidade dos fatos.