A Minhoca Fluorescente
Um monte de baboseira escrita por um monte de baboseiro

abr
29

Algo ultimamente tem me preocupado muito em relação ao futuro de nosso país. E não falo da Copa do Mundo, ou da redução da maioridade penal, ou do crescimento da violência, ou da porra do Marco Feliciano. O problema é bem maior que esse.

Essa história da PEC (Proposta de Emenda Constitucional) que pretende limitar os poderes do Supremo Tribunal Federal é algo que fere de forma grave a Constituição Federal e nosso estado democrático de direito. A existência dos três poderes (Executivo, Legislativo e Judiciário) sempre foi o alicerce da nossa democracia, e estão querendo acabar com isso. Oferecer ao Legislativo o poder de julgar as decisões do Judiciário é colocar os lobos para cuidarem das ovelhas. É a garantia da impunidade, de uma forma legal.

OK, você vai me dizer que essa porcaria aqui é uma festa mesmo, que nada funciona, e que a Justiça nunca foi confiável. Eu posso até concordar em partes, mas o julgamento do caso do Mensalão me fez acreditar em um futuro melhor, sinceramente. Pela primeira vez, vi algo sério e imparcial acontecer na escala do judiciário, sem influências políticas.

Mas foi o primeiro caso ser julgado para os malditos começarem a se mexer. Se você não sabe, José Genoíno e João Paulo Cunha, ambos condenados no caso do Mensalão, fazem parte da CCJ – Comissão de Constituição e Justiça – da Câmara Federal. São esses filhos-da-puta que estão por trás de tudo, por mais que digam que a PEC é de autoria de outro deputado. Está mais do que na cara, só não vê quem não quer.

O mais incrível é que a população totalmente engajada está pouco se fodendo para isso. Parece ser algo sem importância. Enquanto a galera está se mobilizando contra a presença de Marco Feliciano na presidência da Comissão de Direitos Humanos, ninguém está nem aí para o nosso AI-5 do século XXI. Como disse o Maurício Meirelles semana passada, parece que o único problema da nação é a legalização ou não das uniões homoafetivas.

Adendo do Zuza: Aliás, complementando, eu adiciono mais um problema: motoristas embriagados. A polícia está nas ruas, estão investindo milhões de reais na fiscalização com bafômetros, blitz itinerantes, tudo para inibir o consumo de álcool antes de dirigir. Totalmente válido, ao meu ver. Mas é só esse o problema que temos no trânsito?

Enfim, eu acho bom o povo abrir o olho, e não só seguir a opinião dos outros, como búfalos na manada. Parece que a tal onda gay anda afetando a mente até de pessoas mais inteligentes. Agora existe até “Igreja Gay”, porque esse parece ser o assunto de maior importância na nação. Enquanto isso, negligenciam a Constituição Federal e comprometem o nosso futuro. Parabéns, massa de ignorantes.

Ps.: Fico imaginando se eu resolvo criar uma Igreja para Héteros, ou um Restaurante para Héteros, ou um Motel só para Héteros. Serei taxado de homofóbico e sofrerei manifestações e processos na justiça. Mas o contrário é válido, correto?

abr
09

unilever

Mais uma vez, a final da Superliga Feminina de vôlei foi disputada entre a Unilever/Rio de Janeiro e o Sollys/Osasco. Normal. Reflexo do baixo investimento no esporte aqui no LISARB. A disputa polarizada entre as duas cidades durante tanto tempo acontece porque somente esses dois times possuem um orçamento gordo o suficiente para montar grandes estruturas e contar com grandes jogadoras e equipe técnicas. A chegada da Amil no circuito desse ano com o Campinas é uma ponta de esperança. Mas é questão de esperar. Se o time não for campeão em 2 anos, eu posso apostar que a Amil retira o patrocínio rapidinho, assim como fez a Meddley com o time masculino de Campinas, ou os patrocinadores do Vôlei Futuro de Araçatuba. Essa é a triste realidade nacional.

Mas voltando à final do campeonato, eu confesso que desde que acompanho vôlei, sempre torci pelo sucesso do time do Osasco. Desde a época em que o time era patrocinado pelo extinto BCN, com jogadores como Marcia Fu e Hilma. Diferentemente do futebol, onde a escolha do time está mais associada à paixão, nesse caso a escolha foi um bocado mais racional. Até por morar na região, era muito mais fácil ir assistir aos jogos. Além disso, acabei me identificando com a forma de trabalho do time, na época comandada por Zé Roberto Guimarães.

Obviamente, sempre torci contra o time carioca nas finais. Não sei o que me incomodava no time comandado por Bernardinho. Não sei se era arrogância do técnico, ou mesmo do time. Ou se eram as frequentes surras que o time dele dava em cima do meu. Mas enfim, nunca simpatizei com o time.

Ano passado, achei sensacional a paulada que o Sollys mandou pra cima da Unilever em pleno Maracanãzinho. Eu odiava a Destinee Hooker, jogadora irresponsável, sem caráter, soberba, mas de uma bola tremenda! Craque, na acepção da palavra!

Mas vai entender o porquê, esse ano meu sentimento pelo time osasquense mudou. Pela primeira vez, torci pelo time da Unilever. Torci para o Bernardinho mostrar novamente que, apesar de tudo, ele é o melhor técnico do mundo. E justiça foi feita.

Talvez tenha sido pela arrogância das jogadoras de Osasco durante o ano. A minha impressão é a de que o título de mundial interclubes mudou a postura das jogadoras. Ou simplesmente revelou a postura delas. Subiram no salto, como diz a gíria. A preocupação exacerbada com a valorização da própria imagem e com a satisfação dos fãs passou por cima do principal: jogar vôlei. Indiscutivelmente melhores tecnicamente que o time carioca, as paulistas caíram. E feio.

Antes do jogo, as imagens diziam tudo. A Sportv acompanhou ambas as equipes antes da partida final. Dentro do ônibus do Osasco, festa completa. Jogadoras com câmeras em mãos, acenando para torcedores, cantando, dançando, como se estivessem antecipando a festa pelo título. “Estou gravando o vídeo do ano, documentando os bastidores do título da Superliga 2012/2013!”, pensava Jaqueline, com sua GoPro em mãos. As jogadoras do time laranja acenavam para as câmeras, mandavam beijinhos. Eram pura festa.

Do outro lado, o time azul, completamente concentrado. Nada de brincadeira, só seriedade. Já sabiam da dureza que seria a partida. Sabiam que não eram páreo tecnicamente, então precisavam de determinação e, por que não, sorte. O foco no jogo foi decisivo. Deu no que deu. Enquanto o time do Sollys já comemorava o título no 3º set, após ter vencido os 2 primeiros, a Unilever mantinha-se focada e determinada, como esteve desde o começo. E Osasco se perdeu.

Bernardo Rezende provou, mais uma vez, que é insuperável. Juntou os cacos de um time tecnicamente inferior e saiu-se vitorioso. Na raça, no trabalho e, principalmente, na humildade. Basta ver os discursos das jogadoras após a vitória: mais humildes e sem brilho do que as jogadoras do Osasco antes mesmo da partida decisiva.

mar
01

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Tenho percebido um movimento crescente de proteção aos animais. Cada vez mais grupos de apoio à causa aparecem por aí. A causa é muito nobre, e todos possuem um papel fundamental na sociedade. São pessoas dispostas à qualquer sacrifício pelo bem-estar animal.

No entanto, tenho 2 pontos a considerar a respeito do assunto.

O primeiro ponto é: até que ponto essa preocupação deve ir? Existe uma paranóia da sociedade moderna me preocupando ultimamente. Estamos cada vez mais “caçando pêlo em ovo” em relação às causas que defendemos. Elaborando teorias da conspiração, tentando enxergar problemas onde antes não existiam. E isso não é exclusividade dessa causa específica, mas vou usá-la como exemplo. Teve gente repudiando uma propaganda da Volkswagen onde o motorista ligava o limpador do párabrisas para se livrar de um gato preto. Choveu gente reclamando. Onde já se viu? Pobres gatos pretos! Li um texto interessante onde uma dessas organizações de proteção aos animais alegava que, anualmente, milhares de gatos pretos eram sacrificados em rituais por estarem associados à má sorte, e que a propaganda voltava a fomentar essa associação. Sinceramente, isso para mim é paranóico! Sério, você acha possível que alguém, vendo a propaganda, passe a ter preconceito contra gatos pretos e passe a assassiná-los? Para mim, quem pensa assim é doente.

O segundo ponto é: para mim, tudo sempre foi uma questão de educação. Sinceramente, eu penso que se cada um dos ávidos defensores dos animais pegasse 20% do tempo e da energia que gastam lutando pela causa e usassem em prol da colaboração para um mundo melhor através da educação, em alguns anos eles nem precisariam se aborrecer tanto com a violência contra os pobres animaizinhos. O raciocínio é bem simples. Pessoas boas não cometem maldades. A gente está cada vez mais preocupado em punir do que em educar. Eu acho SIM que a punição é a melhor forma de educação (isso daria um outro texto aqui), mas eu sinceramente acho que não é a única. Se cada revoltado de mouse que usa as redes sociais pra postar mensagens relativas ao assunto levantasse a bunda da cadeira para ir, um sábado por mês, visitar comunidades carentes e oferecer palestras gratuitas a crianças, em algum tempo eles não precisariam mais encher a timeline com tanta baboseira. Não precisaríamos mais nos preocupar com a porra de uma propaganda de carro que faz uma brincadeira com um símbolo de superstição.

Será que eu fui claro?

fev
26

A nova onda agora é apoiar a campanha pelo Metrô 24h em São Paulo.

Eita porra! Já escrevi aqui sobre o efeito manada, não escrevi não?

A idéia é a seguinte: já que tem a Lei Seca e eu não posso beber e dirigir, já que eu gosto de sair à noite, então o governo tem que me dar um transporte decente 24 horas por dia.

Acho que eu perdi o ponto onde essa conversa perdeu o sentido. Vamos lá.

Primeiro ponto: só agora transporte coletivo de qualidade virou a bola-da-vez dos revoltadinhos de mouse? Só por que não dá mais pra encher a cara no boteco à noite e voltar dirigindo pra casa, já que eu posso ser preso e tomar uma multa filha da puta de alta?

Segundo ponto: ninguém está proibindo ninguém de sair à noite dirigindo por aí. Você pode continuar frequentando sua baladinha, seus bares, seu cinema, seu restaurante, a puta que vos pariu! É só não beber, simples assim. É algo do tipo: já que eu não posso roubar um carro porque eu corro o risco de ser preso, então o governo tem que me dar um.

Terceiro ponto: utopia esse lance de achar que o Metrô vai ficar aberto 24 horas por dia, né não? Se você já leu qualquer coisa sobre transporte ferroviário, se já ouviu falar alguma coisa sobre a vida de trabalho no metrô durante a madrugada, ou até se já assistiu um documentário da BBC sobre o metrô londrino, iria saber que isso é impossível. Os trilhos necessitam de manutenção constante. A rede toda necessita de manutenção. Então não me enche o saco com essa porra, por favor!

Bem, agora vamos pra outro chopp e pra outra batata.

Eu concordo que precisamos de transporte público de qualidade. Isso é uma deficiência absurda onde vivemos. Mas isso não é só à noite. E não é só por causa da lei seca. Querer vincular as coisas é que é o problema. Mas a deficiência não é somente no metrô, que fique bem claro.

Se você é morador da cidade de São Paulo, pode contar com linhas de ônibus noturnas, que funcionam 24 horas por dia (algumas informações aqui). Não é a solução ideal, pois falta muito para atender uma cidade tão grande, mas já é um começo. Se você não mora na capital, sinto muito, mas nem o metrô 24 horas iria lhe ajudar.

fev
13

Sei lá, acho até que já está batido comentar isso aqui mais uma vez, mas esse ano tivemos novamente o melhor Carnaval de todos os tempos! E olha que eu nem me refiro à festa em si, na concepção da palavra ou no conceito ao qual nós brasileiros estamos acostumados. Eu simplesmente nem curto mesmo o movimento. Eu gosto mesmo é de ficar sem trabalhar, descansando durante 4 dias.

Pelo 19º (é isso?) ano consecutivo, conseguimos passar o Carnaval em família. Tá, vai lá, eu fiquei de fora em um ano, mas a turma é a mesma durante todo esse tempo, com uma ou outra substituição. Esse ano quase fiquei de fora novamente, mas tudo conspirou ao meu favor e, aos 45 minutos do segundo tempo, fui escalado para o jogo. Graças a Deus.

Eu sinto mesmo é que esse tempo junto de tanta gente boa serve pra renovar as energias para um próximo ano que se inicia (já ouviu aquele papo que o ano no Brasil só começa após o Carnaval?). E além disso, esse ano eu ainda me senti com as esperanças em um mundo melhor (ou pelo menos igual) renovadas. Como a família é muito grande, contamos com pelo menos umas 4 gerações diferentes lá. Quando eu e meus pais começamos a ir, eu fazia parte da geração mais nova. Hoje existem pelo menos 2 gerações depois da minha. E é nesses “moleques” que eu aposto minhas fichas.

São eles, filhos e filhas dos meus primos, a minha fonte de renovação. Meus primos sempre foram os meus melhores amigos. Mesmo que a gente não se fale todos os dias. Meus avós plantaram uma semente nos seus filhos que se propagou por todas as demais gerações. E hoje a gente colhe isso. Os meninos e meninas de hoje são o espelho do que são seus pais. Porque, sinceramente, na geração deles, não são mais os laços sanguíneos que os mantêm unidos e amigos uns dos outros. Já houve tanta mistura no caminho, que hoje dá até para considerar que eles são meio-primos, por assim dizer (na concepção do que seria um “parente”). No entanto, o respeito e a consideração entre eles supera tudo isso.

Assim, eu acho que dá sim pra dizer que a gente é mais do que família. Eu já escrevi isso daqui ano passado. E dá pra acreditar sim que a foto abaixo, ideia do Alberto, possa se repetir por muitos outros anos.

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fev
06

Cara ‘presidenta’ Dilma,

Primeiramente, desculpe-me por colocar o ‘presidenta’ entre aspas. Talvez os leitores do blog pudessem achar que eu cometi um erro ortográfico, e iria pegar mal para o meu lado. Mas como a senhora faz questão de ser chamada assim, não sou eu que irei contrariá-la. Acredito que desde a sua época de ‘estudanta’, quando você ainda era uma ‘adolescenta’, a senhora sempre tenha sido digna de respeito.

Deixe-me apresentar: meu nome é Renato Netto de Matos, tenho 31 anos, sou casado, não tenho filhos, atualmente faço um curso de MBA em Gestão Estratégica de Tecnologia da Informação, moro em São Caetano do Sul – SP, e sou Coordenador de Projetos na área de Tecnologia da Informação.

Não sou filiado a nenhum partido político. Aliás, tratando-se de política, infelizmente sou como a maioria dos brasileiros: não tenho lá minhas convicções muito bem definidas. Assumo. Mas em diversos outros pontos, sou diferente da maioria da nossa população. Não sei se devia me gabar por isso, mas tenho consciência que sou. Tenho uma renda mensal muito acima da média nacional, o que não quer dizer lá muita coisa, considerando a nossa ainda triste situação. Tenho ciência que o seu governo tem dado continuidade ao excelente trabalho feito no governo anterior na luta contra a pobreza, mas vamos concordar que o trabalho é longo e estamos muito longe do ideal. Além disso, também faço parte da minoria do país que possui curso superior completo. Também tenho ciência do vosso trabalho árduo nessa área, e reconheço os avanços, mas o cenário ainda é desfavorável para o nosso lado. Mas o mais importante, ‘presidenta’, é deixar claro que, mesmo com toda essa minha apresentação ainda superficial, eu não sou ignorante. Não sou um analfabeto funcional. Cursei boas escolas e tive um apoio enorme dentro de casa, o que me permitiu desenvolver um intelecto acima da média nacional. Veja bem, ‘presidenta’, isso não quer dizer que eu seja um gênio. Estou falando da média nacional. Isso apenas quer dizer que eu consigo discernir as informações que chegam até mim diariamente, interpretá-las e fazer o meu julgamento. Sem que ninguém precise me dizer como pensar, ou no que acreditar. Fantástico isso, não? Nesse ponto, acho que somos parecidos.

Apesar da carta parecer um pouco irônica até aqui, quero deixar claro que a intenção não é essa.

Eu não sou um desses revoltadinhos da internet que costumam aparecer por aí. Aqueles que querem queimar vivos os governantes da nação (embora eu confesse que às vezes me sinto tentato a isso). O vosso partido político, ‘presidenta’, hoje virou o alvo favorito dos críticos anônimos. Sim, aqueles, donos de blogs, ou que adoram fazer piadinha nos seus perfis do Facebook. O PT virou o mordomo da vez: é o culpado por tudo. Sei que a senhora e seus amigos de partido devem achar que esses críticos aí são simpatizantes dos seus principais adversários políticos, os tucanos. São os direitistas. Sabe, durante um tempo eu também achei isso, mas cheguei à outra conclusão. O divertido, para esses daí, é jogar pedra em quem quer que seja. Hoje são vocês que estão na vitrine, amanhã serão outros, fiquem tranquilos.

Eu sou diferente. Eu votei no Lula quando ele foi eleito pela primeira vez. Acabei me decepcionando e não votei nele na segunda. E também não votei na senhora (embora eu seja um dos maiores torcedores para que a senhora seja a melhor ‘presidenta’ que nosso país já teve, alcançando um sucesso enorme). Mas devo dizer que isso não tem nada a ver com o vosso partido, ‘presidenta’. Só para dar um exemplo, nas últimas eleições para prefeito, ajudei a eleger um companheiro do PT para a prefeitura de Carapicuíba, cidade da Grande São Paulo onde voto até hoje. Foi onde eu fui criado, e é onde meus pais ainda moram. Como já disse, não sou um cara de convicções políticas muito bem definidas. Mas até aí, ‘presidenta’, convenhamos que até mesmo os partidos políticos de hoje também não estão muito bem definidos, não é mesmo?

Além disso, devo-lhe dizer outra coisa que me diferencia da maioria do povo do nosso país. Eu sou moderado. Tentando exemplificar, eu sou o cara que não enxerga o país nem como as propagandas do governo e a senhora dizem por aí, nem como a revista Veja e os revoltados do Facebook tentam pregar. Eu sou o meio-termo. Como paulista, devo admitir que temos a tendência a julgar a situação do país somente pelo que está diante dos nossos olhos. A senhora sabe tão bem quanto eu que as coisas não são bem assim. Nosso país é enorme e as diferenças são tão grandes quanto a nossa extensão territorial. Mas eu tenho ciência do progresso que tivemos nos últimos 10 anos, eu não sou cego. Tem gente que prefere não enxergar. Talvez seja difícil assumir que, apesar dos inúmeros erros, vocês acertaram em muita coisa. Não vou me estender aqui, pois isso basta.

Mas por que eu estou escrevendo tudo isso para a senhora? Qual a minha intenção? Eu explico. Achei interessante me apresentar antes, para que a senhora saiba que as respostas esperadas por mim devem ser sérias e sinceras. Se eu esperasse respostas marketeiras, bonitinhas e ilusórias, eu não me daria ao trabalho de escrever aqui. Eu já dei uma olhada nos sites oficiais, acompanho as propagandas do governo, mas até agora nada satisfez à minha curiosidade chata. Eu estou em busca somente da verdade, embora eu tenha a certeza de que nunca irei encontrá-la. Eu queria notícias imparciais. Queria fatos. Mas hoje em dia isso aqui no Brasil é tão difícil quanto na época da ditadura, não é mesmo?

Enfim, ‘presidenta’, o que eu queria mesmo era apenas uma ajuda. Uma ajuda para entender alguns simples assuntos:

1 – Qual a real posição da nossa ‘presidenta’ e da cúpula do Partido dos Trabalhadores (afinal, em um país tão grande, a senhora não pode governar sozinha) em relação ao assunto do Mensalão? Se, conforme vi algumas afirmações de vocês na mídia, o esquema não existiu e estamos cometendo uma grande injustiça contra os (até o momento) condenados no processo, devo acreditar que o mais alto escalão da Justiça Brasileira está sendo comandado por incompetentes? Em uma linguagem mais simples: ainda devo acreditar na justiça em nosso país, já que os (teoricamente) mais competentes do país julgaram culpados um grande grupo de inocentes?

2 – Atualmente, a Petrobrás é a 5ª maior empresa de energia do mundo. O governo tem anunciado por aí que finalmente somos um país autossuficiente em petróleo. Então eu gostaria de entender por que ainda pagamos tão caro pelo combustível? Veja bem, estou analisando somente o lado do consumidor comum, que é justamente quem mais sente no bolso essa carga. Mas enfim, quais são as razões básicas para pagarmos mais caro por um litro de gasolina, por exemplo, do que nosso país vizinho, a Argentina, que importa o petróleo bruto da nossa Petrobrás?

3 – Em relação à crise energética, negada veementemente pelo governo, pela qual estamos passando (ou prestes a passar), tenho outras dúvidas. O governo conseguiu uma redução generosa nas tarifas de energia elétrica no último mês. Eu sou muito grato a isso, vou economizar bastante. Vai dar para bancar a diferença, pois vou passar a gastar mais com gasolina para o meu carro. De novo, estou olhando só o meu lado. Como disse, não sou um completo idiota. Analisando pelo âmbito nacional, muito mais pessoas e empresas serão beneficiadas com a redução das tarifas de energia do que prejudicadas com o aumento do combustível. As dúvidas:
3.1 – Sobre aquela história lá que durante anos as empresas de energia elétrica cobraram mais do que deviam dos consumidores, sei que isso ainda está em trânsito na justiça do nosso país. O TCU já ‘tirou o dele da reta’ (desculpe-me pela linguagem usada), mas ainda tem gente de bem recorrendo. Minha dúvida é: qual a relação entre a redução nas tarifas de energia com o valor cobrado indevidamente durante anos e anos? Digo, se por acaso a justiça decidir pelo ressarcimento dos consumidores, isso não afetará o preço da energia novamente para cima, correto?
3.2 – Existe alguma ação prevista pelo governo para fiscalizar e exigir que as empresas repassem a redução do custo de produção ao preço final dos seus produtos? Pergunto isso porque me lembro muito bem quando a CPMF foi extinta. Havia uma cobrança enorme dos industriais brasileiros pelo fim do imposto, pois o mesmo onerava demais a produção e, no fim das contas, o preço dos produtos continuou o mesmo.

4 – O último tópico é sobre o assunto que julgo o mais importante. Eu gostaria de saber qual o real trabalho do Ministério da Educação em prol da melhoria da qualidade de ensino no nosso país? Esse é o assunto que mais me preocupa, ‘presidenta’. E falo muito sério. Isso me deixa em pânico. Não precisa me explicar sobre o ENEM, ou sobre o PROUNI. Eu os conheço muito bem. Eu queria saber o que de fato é feito com os resultados do ENEM. Quais são as medidas tomadas. Quanto ao PROUNI, eu sinceramente tenho pavor desse programa. Assim como o SISU (não quanto à sua forma, mas ao seu objetivo). Colocar cada vez mais gente na universidade em um país com a educação básica e fundamental que temos é a mesma coisa que darmos armas aos macacos. Criamos uma falsa ilusão de que somos um país de excelentes acadêmicos, o que é muito pior do que reconhecermos nossa falência. Eu queria que a senhora me explicasse quais são os planos para revertermos o nosso quadro de piora e passarmos a melhorar a qualidade da nossa educação. Esse tópico daria um texto enorme, mas como já escrevi bastante, vou parar por aqui.

Enfim, tudo isso na verdade é uma baita brincadeira. Porque eu sei que a senhora, que deveria ser a destinatária dessa carta, nunca irá ler a mensagem. E também sei que, caso alguém se dê ao trabalho de responder às minhas dúvidas, terei somente respostas vagas e políticas. Não alimento falsas esperanças. Mas enfim, foi um belo exercício escrever isso aqui. Tentei sintatizar minhas principais preocupações, mas elas são muito maiores que essas.

Um grande abraço. E continuo torcendo pela senhora e por quem quer que esteja no poder, mas só porque gosto muito de viver aqui.

jan
18

ego
Durante minha carreira profissional, eu me deparei com várias pessoas que compartilhavam uma característica: elas se superestimavam. Invariavelmente, nenhuma delas obteve sucesso profissional. Engano seu achar que sucesso profissional significa somente grana no bolso, porque isso algumas delas até conseguiram, e bastante. Mas atingir o sucesso, pra mim, é acima de tudo, adquirir o respeito e o reconhecimento por parte dos seus colegas de trabalho e de profissão, independente do seu cargo.

Pessoas com o ego inflado tendem a acreditar que são infalíveis, ou inatingíveis. Ou pior: acreditam que ninguém consegue ser melhor que elas. O problema disso tudo é que o mundo não é feito somente de idiotas. Sim, eles são a maioria, mas ali, misturados com eles, estão aqueles que comem quietos. Saber reconhecê-los é uma baita qualidade e que pouca gente tem. Não reconhecer os bons é tão ruim quanto reconhecer um idiota como bom.

Além de superestimar sua própria capacidade, alguns ainda conseguem a proeza de, no conjunto da obra, subestimar os demais. Acreditar que os outros só fazem besteira, que não sabem trabalhar bem, ou que não estão à sua altura, é um equívoco tremendo. Se você começa a achar que ninguém presta, é bom começar a prestar atenção. Talvez seja você o problema.

E isso não tem nada a ver com segurança. Sentir-se seguro com o que faz não tem absolutamente nada a ver com a soberba. Isso se chama autoconfiança.

dez
19

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Resolvi me apressar para escrever minha tradicional mensagem de final de ano aos amigos, já que o final do mundo está agendado para essa sexta-feira, dia 21/Dez/2012.

O ano acaba dando sinais de que realmente estou ficando velho. Minha saúde e disposição não são mais as mesmas de quando comecei a escrever essas baboseiras. Começo a sentir dores e cansaços que não me abalavam antes. E também fico cada dia mais chato e ranzinza. Não quero nem ver quando estiver com 50 anos, se eu chegar lá.

E apesar de tudo, eu continuo sempre vendo as coisas da melhor ótica possível. E acho ainda que 2012 foi o melhor ano da minha vida, como também acho que 2013 também será. Nós fazemos as coisas estarem bem, através das nossas ações e pensamentos. Não que as coisas tenham sido fáceis nesse ano, mas certamente tudo que aconteceu de positivo supera as derrotas e os tombos que tivemos.

Não dá para fechar o ano sem lembrar dos perrengues que passamos. Nossa família sofreu um baque tremendo com a internação da minha avó. Papai passou por péssimos bocados. Carregou nas costas um peso tremendo. Esvaziar a casa em que eles foram criados e onde nós, netos, passamos toda nossa infância, foi bem difícil para todos. Ela não tinha mais condições de ficar lá sem cuidados especiais, e uma parte de nossas vidas se foi junto com ela para a clínica. Acho que ninguém imaginava que o Alzheimer seria tão duro.

Mas prender-se a isso somente seria condenar 2012 a ser um ano tão ruim como teria sido 2002 ou 2007, considerando-se somente as perdas do meu avô e da minha avó. Mas o jogo continua, a vida continua, e graças a Deus várias outras coisas boas aconteceram.

Gordinha voltou a trabalhar. Voltei à Europa, agora com a mulher da minha vida. Conhecemos a Turquia antes mesmo de Salve Jorge ser rodada por lá. Papai superou tudo o que aconteceu e, aos 57 anos, pasmem, formou-se em Direito, com louvor. Minha irmã também se formou. De novo. A Livia nasceu. Eu voltei a estudar depois de 6 anos. E vovó, graças a Deus, hoje está super bem cuidada. Apesar de tudo, fazem o melhor possível por ela.

Enfim, o que fica de lição desse ano que vai se esgotando é que a vida sempre tem dois lados: o bom e o ruim. Vence aquele que você alimenta. E é justamente isso que eu desejo a todos vocês, amigos, para esse Natal e para o ano que inicia. Desejo que você saiba reconhecer e valorize as glórias que você recebe. Que tenha forças suficientes para superar seus problemas, mas que eles, após superados, façam somente parte do seu passado. Espero também que 2013 seja o melhor ano da sua vida novamente. Todos precisamos andar para frente. Sermos melhores e mais felizes a cada dia. A mudança é algo inevitável, então que todos mudemos para melhor.

Forte abraço a todos!

nov
19

Tem tanta gente reclamando nas redes sociais que eu fico me perguntando: Será que tudo está uma merda mesmo como a gente acha?

Nego reclama que o país é uma merda, que não temos futuro, que temos um governo corrupto e cheio de filho da puta, que os serviços públicos são péssimos, blábláblá, blábláblá. Será que é pra tanto?

Você já procurou comparar como as coisas são hoje e como eram há 20 anos atrás? Não falo para você ir longe. Observe a sua família, o seu trabalho, o seu dia-a-dia. Já reparou o quanto evoluímos nesse período?

Tem muita gente reclamando de coisas que nem sabem como funcionam. Um exemplo. Outro dia estava conversando com uma tia da minha esposa que estava dizendo o quanto ela e a mãe dela são bem atendidas no SUS – Sistema Único de Saúde. Elas não possuem convênio médico, então apelam para a rede pública. E são super bem atendidas. Confirmei isso com uma tia minha, já idosa, que passa pela mesma situação. Uma prima também confirmou. Precisou de atendimento para o filho dela dia desses e disse que foi super bem atendida em uma AMA.

Já a gente, que tem convênio, vira e mexe toma chá de cadeira em consultórios com médicos incompetentes, e fica meses esperando uma consulta porque “a agenda do doutor está lotada”. Então eu pergunto: será que o atendimento público é tão ruim assim?

Na minha época de infância/adolescência, eu não me lembro de tanta gente viajando mundo a fora. Hoje, esse mesmo povo que reclama no Facebook de “como as coisas estão caras” está gastando os tubos na terra do tio Sam em suas férias na Disney, ou desfilando nos seus carros 0 km.

Nego reclama do trânsito em SP, mas não pega um metrô ou um ônibus nem fodendo. Ah, porque o transporte público é uma bosta. Vai, concordo que não é de primeiro mundo, que falha em não conseguir atender de uma forma adequada toda nossa população, mas eu pergunto: você já tentou?

Felizmente, temos um investimento cada vez maior em educação no país. Mas não adianta querer que as coisas se resolvam em 2 ou 3 anos. São investimentos ao longo prazo. Assim como no transporte público. A gente espera que tudo se resolva do dia para a noite, mas as coisas demoram a acontecer.

Já reparou que não falamos mais tanto em desemprego?

Então, às vezes eu acho que exageramos demais. Não estou dizendo que vivemos no melhor lugar do mundo ou que tudo está maravilhoso, mas será que é tão difícil assim enxergarmos coisas boas por aí? Dói?

nov
19

Você é daquele tipo que se faz de coitado? Que acha que o mundo conspira contra você? Ô coitado!

Outro dia fiquei pensando: cara, ou eu sou muito ingênuo e otário, ou realmente eu sou um cara muito feliz e rodeado de gente que me quer bem, inclusive o cara lá de cima. Não é possível. As coisas dão tão certo pra mim mesmo, ou sou eu que me contento com qualquer bosta?

Sério, cada vez vejo mais pessoas sofrendo e se fazendo de vítimas. São os injustiçados. Aqueles que são injustiçados nas empresas nas quais trabalham por não receber aumento de salário, “apesar de fazer tudo direitinho”. Aqueles que estão sempre reclamando de pessoas falsas e invejosas que os rodeiam. Ou os que são perseguidos pelos chefes.

A maioria dessas pessoas possui um tipo de comportamento que eu acho interessante. Estão sempre preocupadas em “provar” algo para alguém. Preocupam-se em se mostrar independentes, bem resolvidas, ou super competentes. Ou os 3 juntos. Acho que isso tudo serve para tentar mostrar o quanto estão incomodadas com aquilo que elas acham que está ocorrendo ao seu redor, como uma onda de azar, ou olho-gordo dos invejosos, etc.

Tem gente que perde tanto tempo reclamando de que nada dá certo, ou de como as coisas estão ruins, que acabam não tendo tempo para fazer as coisas darem certo.

Sério, será que a vida é tão complicada ou é a gente que complica demais?

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