A Minhoca Fluorescente
Um monte de baboseira escrita por um monte de baboseiro

jan
26

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Ano passado foi o tal do Bom Senso FC. Um grupo de futebolistas que pedem mudanças drásticas no calendário do futebol brasileiro devido ao grande número de jogos, entre outras coisas.

Essa semana foram os jogadores de vôlei revoltados porque a final da Copa Brasil de vôlei masculino não foi transmitida para o estado de SP, preterida pela final da Copa SP de futebol junior.

Basicamente, os esportistas estão dizendo algo como “Rede Globo, sua desgraçada! Valoriza mais o nosso esporte! Atenda às nossas vontades!”. Sim, porque a emissora carioca é, querendo você ou não, quem manda nesse país, em todos os sentidos.

O que mais me intriga nessa história toda é ver que os verdadeiros beneficiados pela emissora são os que estão reclamando por aí. Sim, porque ambos os esportes só existem no nosso país porque a emissora é quem mais injeta dinheiro nos clubes de ambos os esportes. Infelizmente o esporte depende muito mais da TV do que o contrário. Não vejo ninguém reclamando que os clubes nunca conseguiram montar um modelo de negócio que sobreviva independente dos direitos de transmissão dos eventos.

Sinceramente, será que os atletas sentem que possuem um poder de barganha maior do que o da TV? Chora menos quem pode mais. Eu reconheço todos os seus feitos como atletas profissionais, mas chega uma hora que esse tipo de reclamação me parece coisa de gente mimadinha. Jogadores de futebol com salários astronômicos revoltados por jogar 2 vezes por semana? Será que alguém se habilita a reduzir seus salários?

Também acho uma vergonha o que a Rede Globo faz, em todos os sentidos, e não somente nos esportes. E por isso mesmo eu simplesmente a ignoro. Mas se ela fosse responsável por pagar o meu salário, eu simplesmente me recolheria e aceitaria suas decisões. Ou mudava de emprego. Que tal?

jan
26

Todo final de ano os nossos políticos resolvem nos presentear com alguma surpresinha de última hora, que sempre vem a causar revolta no povo que pensa. Seja um aumento salarial dos nossos parlamentares, seja a criação de um novo imposto, tudo sempre aparece nos últimos dias do ano, quando nós sempre achávamos que tudo já tinha sido resolvido durante o ano todo.

Esse ano, o Ministério da Fazenda anunciou o aumento da alíquota de IOF para cartões pré-pagos no exterior, de modestos 0,34% para 6,34%. Basicamente, eles multiplicaram a alíquota atual por mais de 17 vezes (são 1764% de aumento, para ser mais exato) e enfiaram isso goela abaixo do contribuinte, com a justificativa de que essa é a mesma alíquota utilizada para compras com cartão de crédito no exterior, visando diminuir a utilização de um meio de pagamento em detrimento a outro.

Bem, para os mais entendidos, a real é que o brasileiro têm gastado cada vez mais no exterior e o governo estava doidinho pra morder algo desse montante todo.

Basicamente, esse aumento de imposto afeta mais a nova classe média (na qual eu me incluo), que hoje tem muito mais facilidade de viajar ao exterior do que tinha antigamente. Essa mesma classe média é o povo que mais utiliza a internet e, consequentemente, as redes sociais hoje em dia. Não é de se estranhar que choveram reclamações na semana passada com mais essa manobra do governo.

Eu não vou chover no molhado aqui.

Minha única bronca nisso tudo é perceber como nossos políticos são BURROS. Aliás, são BURROS pra CARALHO!!! E quem paga por essa burrice somos nós, contribuintes, para contribuir com os BURROS que, para piorar, são FILHOS DA PUTA. Sim, porque o BURRO só, por definição, não é maldoso. Mas esses ainda são FILHOS DA PUTA, e aí sim passam a me incomodar.

Será que alguém já se perguntou por que estamos gastando tanto dinheiro no exterior? Não é preciso ser muito esperto para notar que estamos, nós brasileiros, ganhando mais do que ganhávamos antes. Temos um poder econômico maior. Mas os BURROS não tentam entender porque as nossas DILMAS estão sendo transformadas em OBAMAS e sendo gastas lá fora. Não tentam encontrar um meio de manter essas DILMAS dentro de nossas fronteiras, gastas com nossos produtos, feitos nas nossas empresas, gerando riqueza para o nosso país.

E aí eu pergunto: por que nossos governantes têm tanto medo de desenvolver o país? Estamos fadados ao fracasso eterno. Ninguém quer ser grande. Ser grande é precisar assumir responsabilidades. É ter trabalho. E isso é uma coisa da qual brasileiro nenhum gosta…

dez
23

Eu sempre achei estranho pessoas terem como ídolos certas celebridades. Acho legal admirar o trabalho que alguém faz bem feito, mas idolatrar “personalidades” para mim beira o ridículo. Não consigo entender se é falta de amor próprio, ou falta de ter o que fazer.

Leia-se “idolatrar” por passar dias dormindo em uma barraca à espera de um show de um cantor, ou enviar cartas de amor para uma celebridade, ou ser frenético(a), ou colocar seu trabalho ou relacionamento pessoal em jogo por um terceiro que está cagando para sua existência, entre outros. Tudo isso para mim é estranho.

Eu, graças a Deus, nunca precisei disso. Isso porque meus ídolos sempre estiveram muito próximos. Dentro da minha casa. Porque eu não idolatro ninguém pelo trabalho ou pelas habilidades profissionais que possuem. Meus ídolos simplesmente nasceram assim, com dons divinos. Esses caras sim mereceriam pôsteres e cartas de amor. Mereceriam aparecer na TV para que todos soubessem como eles são bons. E vão merecer homenagens póstumas quando não estiverem mais entre nós. E sim, merecerão fãs clubes ao redor do mundo, porque eles sim são dignos.

Quisera eu ser tão inteligente quanto meu pai. Ou ter tanto amor pela vida quanto a minha mãe. Ou ser tão determinado e destemido quanto minha irmã. Ou ser um cara tão bondoso quanto foi meu avô Laerte, ou meu tio Carlão, ou meu primo Luiz Carlos (não conheci meu avô Antônio, mas pelo que consta, sua alma vive dentro desses dois últimos mencionados). Ou ser tão carinhoso quanto meu primo Luis Cláudio. Ou me importar tanto com os outros, a ponto de ser um espelho e um porto seguro para os que estão ao seu redor, como é o Luiz Antonio. Ou ter metade da sabedoria e tranquilidade da minha madrinha Maria do Rosário. Ou ter um pouquinho só do carisma da Lurdão, ou dos meus primos Fernanda e Diego. Ou ser tão engraçado quanto meu tio Juca e minha prima Carol. Ou ser tão atencioso quanto minha tia Carmo. Ou um dia poder construir famílias tão unidas como a da minha tia Eliana e do meu primo Alberto. Ou ser tão ávido por conhecimento como é o Carlos Ricardo. Ou ser tão lúcido e consciente como é a tia Ângela. Ou tratar tão bem as pessoas como faz minha prima Ana Paula.

Enfim, cada um tem um pouquinho a me ensinar. Talvez eles nem saibam o quanto são importantes para mim. Mas seus ídolos também não sabem. A diferença é que os meus estão ao meu lado para o que der e vier, por toda a minha vida. E isso faz deles diferentes.

dez
21

Estava aqui pensando que ainda não escrevi nada sobre esse ano que se encerra, como tradicionalmente faço há alguns anos. A correria desse final de ano não tem me deixado pensar muito bem nas coisas, não tenho lembrado de muitos compromissos e dívidas que tenho… enfim, está sendo uma época bem turbulenta. Não gosto muito de escrever quando estou influenciado por fortes emoções, ainda mais na minha tradicional retrospectiva. Mas ainda assim me sinto nessa “dívida moral” com meus amigos.

E até que 2013 foi um ano recheado de ótimas surpresas. Muitas conquistas pessoais, graças a Deus. Consegui 2 férias e 2 viagens sensacionais num mesmo ano, o que é cada vez mais raro nesse mundo workaholic onde vivemos.

Muitos novos bebês chegaram ao mundo (aliás, diga-se de passagem, o mundo acabará em bebês!). Muitos amigos sendo agraciados com novos pimpolhos. E isso é bom, pois cada criança que chega ao mundo faz com que minhas esperanças em um mundo melhor se renovem. Não sei porquê, mas sempre espero o melhor.

Assisti ao último show que faltava na minha lista. Mesmo com um som de bosta, o Black Sabbath é surpreendente.

A Dani e o Douglas casaram e fomos padrinhos! Finalmente! Parecia que não chegava nunca!

Tomei gosto pelo ciclismo. Até que enfim um exercício físico que me agradou, além do tradicional levantamento de copo.

Decidimos botar em prática um plano de ter filhos (embora a Dona Juliana insista em querer mudar de ideia).

Enfim, nossa vida não pára nunca e passamos cada dia mais a buscar novidades para não viver na monotonia. E é isso que eu desejo para todos vocês, meus amigos de sempre. Desejo que todos estejamos sempre nos reinventando, buscando o novo, experimentando, fracassando (por que não?) e aprendendo novas lições. Reclamem menos e façam mais, mudem mais. O mundo precisa disso.

Que o seu Natal seja maravilhoso e que o ano de 2014 seja, como sempre, o melhor ano de nossas vidas.

out
23

Beagle
Caráleo, deu o que falar essa história dos beagles do Instituto Royal em São Roque, heim?

Acho inadmissível que mesmo após tanto avanço científico ainda se usem animais como cobaias em experimentos. Pelo que pude me informar, atualmente existem outros métodos que possibilitam pesquisas sem envolver animais. É uma estupidez a legislação brasileira ainda permitir que esses maus-tratos continuem.

Mas uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa (já diria o velho poeta)!

O que mais me preocupa nessa história toda é o apoio incondicional aos ativistas que invadiram o lugar e resgataram os pobres bichinhos (os quais, aliás, são os únicos a se foderam nisso tudo, desde o começo). É indiscutível a importância da luta desses caras. Sem eles, a situação dos animais podia ser muito pior. Então por que o apoio incondicional à essa luta me preocupa? Eu explico.

Eu apoio a justiça incondicionalmente, por isso desaprovo a vingança. Ou justiça pelas próprias mãos, como quiserem chamar.

A justiça pelas próprias mãos, em larga escala, é similar à anarquia (ausência de governo). Sim, se formos julgar o mundo de acordo com os nossos conceitos, sem que haja alguém para nos dizer o que pode ou não pode, não precisamos mais de governo. E isso pouca gente entende.

Vou dar um exemplo. Sou totalmente contra igrejas OBRIGAREM seus fiéis a contribuírem com o dízimo. Existem centenas de igrejas evangélicas que possuem essa prática. Mesmo a católica utiliza-se disso, talvez de uma forma mais velada. Infelizmente as leis do nosso país permitem isso. E pior: instituições religiosas são isentas de tributação. Ou seja, o dinheiro ROUBADO (mas legalmente) do povo serve para o enriquecimento dos seus pastores e bispos (embora ninguém vá admitir isso).

Então, seguindo a mesma lógica, eu posso invadir a casa do bispo Macedo, por exemplo, e retirar tudo o que tem lá para devolver ao povo?

O assunto dos animais é extremamente delicado porque isso hoje virou tão polêmico quanto futebol, polícia e religião. No Brasil, hoje, se você não apoia incondicionalmente a causa, você é um ser abominável. Ou seja: se eu não sou radical, estou fodido. Mas ainda assim prefiro ser ponderado nesse caso.

Até porque, meu camarada, eu aposto o dedo mindinho do pé da minha irmã como a maior parte desse povo que está apoiando a “justiça pelas próprias mãos” que foi feita no Instituto Royal, estaria pouco se fodendo se os animais fossem ratos de laboratório. Digo mais. No conforto de seus lares, estarão nesse final de semana saboreando um delicioso churrasco. Ou então comendo claras de ovos (fonte de proteína) que foram botados por galinhas marombadas manipuladas geneticamente apenas para isso. Ou tomando um delicioso leitinho extraído de vacas leiteiras tratadas à base de anabolizantes (ou outras drogas quaisquer) que as fazem produzir x vezes mais que uma vaca normal. Ou não vêem a hora de chegar o Natal para encher o bucho de Chester, que nada mais é que um frango depois de muita academia, criado somente para o abate e lucro dos empresários do agronegócio.

jul
10

Ok, esse espaço aqui não foi criado para isso, mas decidi usá-lo para expor algumas opiniões minhas (nada científicas) a respeito da minha área de atuação profissional. Peço desculpas aos leitores habituais do blog.

Trabalho há 15 anos com prestação de serviços de desenvolvimento de software. Já trabalhei em 5 consultorias diferentes, sendo as extintas CPM, Politec e EDS, além da Fujitsu e BRQ. Atuei para diversos clientes diferentes, sempre de grande porte, entre eles Bradesco, Itaú, General Motors, Toyota, Unibanco e Caixa Econômica Federal. Como desenvolvedor, sempre atuei com Mainframe (Cobol/CICS/IMS/DB2). Como gerente de projetos, com diversas tecnologias: o mesmo Mainframe, SAP, Java e .Net.

Durante todos esses anos, vários enigmas dessa área tão turbulenta da chamada T.I. me instigaram a pensar sobre uma questão central: estamos sendo eficazes?

Até hoje, fico indignado com a quantidade de dinheiro gasto nesse nosso mundo para produzir o que eu chamo de fumaça. Eu, assim como você que trabalha na mesma área, já cansei de trabalhar demais para criar nada. Horas e horas de esforço, noites e finais de semana perdidos, fios de cabelo branco, gastrites e úlceras. Tudo isso para produzir NADA. Ou melhor: FUMAÇA. Quantas vezes você não passou por isso?

Eu explico melhor. Se você trabalha com isso, já pensou no tanto de coisa que você faz e que não é, propriamente, desenvolvimento de software? Inclua nesse balaio também o tanto de projetos propriamente de desenvolvimento de software que você fez, mas que não foram de fato implementados em um ambiente produtivo. Se formos colocar isso em um papel, eu posso apostar que passei mais de 50% desses meus 15 anos fazendo FUMAÇA. Em outras palavras, eu recebi mais dinheiro pra trabalhar e não produzir nada do que propriamente para produzir algo de concreto.

Vivemos hoje em uma era onde os clientes (compradores de serviço de TI), consultorias e seus funcionários estão vidrados em siglas que solucionem seus problemas. Nunca falou-se tanto em PMP, COBIT, ITIL, CMM-I, FPA, blábláblá… Estamos querendo encontrar fórmulas que tragam a maturidade da engenharia civil para a nossa engenharia de software. O problema reside no fato de que pouca gente consegue entender a diferença entre ambas, uma exata, e outra social e humana.

A tal era da informação, na qual estamos vivendo, modificou totalmente o ambiente organizacional. As empresas modernas exigem cada vez mais flexibilidade e agilidade em todos os seus processos e departamentos. O tempo está cada vez mais curto e requer decisões rápidas. E o que eu observo na área de desenvolvimento de software é que estamos nadando na contramão dessas necessidades.

Basicamente, saímos de um processo de desenvolvimento que passava pelo famoso “papel de pão” do analista de sistemas para um programador, e passamos para um processo de engenharia que envolve dezenas de áreas e papéis diferentes, documentações exageradas e aprovações diversas. Ou seja, enquanto a tendência das organizações modernas é desburocratizar seus processos, estamos fazendo exatamente o contrário. Quer dizer, vamos produzir mais FUMAÇA.

Sim, metodologias ágeis como o SCRUM estão por aí para tentar nos levar de volta aos anos 80, mas isso ainda é um paradigma enorme em grandes organizações. Quem tem mais dinheiro, quem compra mais TI, ainda está preso nas siglas.

Enfim, o que tenho observado é que cada vez temos mais processos e metodologias cada vez mais engessadas que vão de encontro aos objetivos organizacionais. E o que nós, profissionais de TI, fazemos, tendo em vista os prazos que nunca mudam (lembram-se da agilidade necessária nas empresas modernas)? Vivemos nos reinventando. Procurando soluções (ou, porque não, o “jeitinho brasileiro”) para entregarmos o tão sonhado produto final, o software, e depois nos preocuparmos em nos adequar aos processos. Todo aquele monte de documentos que precisamos gerar, processos de Change Request, peer-reviews, checklists de qualidade… Tudo isso serve de que? Sinceramente, eu acredito que os únicos objetivos disso tudo são garantir qualidade final e tentar dar uma forma de engenharia ao nosso dia-a-dia de trabalho, e nunca garantir agilidade e flexibilidade. E digo mais: falham em 50% dos objetivos previstos. Sim, porque apesar de termos uma forma, ainda assim não garantimos a qualidade do produto.

A qualidade, ao meu ver, não é garantida por processos, mas pela capacitação profissional. Esses 15 anos me mostraram que, quanto mais perto de um processo artesanal de engenharia de software, melhores os resultados obtidos. Quanto mais processos e documentos, menos qualidade e, pior, maior o grau de insatisfação de todos os envolvidos no trabalho. Há uma supervalorização dos meios, sem o foco no objetivo final. Isso cria, na minha visão, resultados cada vez menos significativos do trabalho realizado por nós.

Acredito que há um investimento exagerado em soluções mágicas que possam suprir à má capacitação dos nossos profissionais. Os tais PMOs e processos do CMM-I proliferam-se nas consultorias com o objetivo de fazer maus gerentes de projetos e maus analistas e desenvolvedores trabalharem direito. O que pouca gente percebe é que não fazemos um trabalho braçal, típico das indústrias, onde uma linha de produção sobrevive apenas de profissionais cumpridores de instruções de trabalho predeterminadas. Desestimulamos os nossos profissionais a pensar, numa visão taylorista de mais de um século atrás.

Enfim, não acredito que essa seja uma visão apocalíptica. Vejo uma luz no final do túnel, pois ainda somos uma ciência completamente nova, de apenas algumas décadas de existência. Somente penso que estamos seguindo uma linha de pensamento contrária das demais.

jul
09

Nossa, isso aqui estava uma poeira só. Há quanto tempo eu não escrevia, né? Muita gente veio me cobrar por isso. Gente que sequer eu sabia que lia as baboseiras que eu escrevo aqui. Interessante isso, e extremamente motivador. Por isso resolvi voltar a postar.

Passaram as manifestações populares e eu nem escrevi nada a respeito. Pensei muito, mas não escrevi. Até porque, nessa era da informação, é muito difícil ter opinião sobre tudo (vide o excelente texto do Flavio Gomes aqui). Mas me diverti bastante e achei bacana o povo ir às ruas contra o aumento no preço do transporte público. Fez muito nego soberbo ficar com o cu na mão, como o governador Geraldo Alckmin, que revogou o aumento no preço dos pedágios paulistas, já antevendo uma outra onda de manifestações.

Enfim, no embalo dos gritos contra o aumento da tarifa, muita gente veio às ruas para gritar também, de uma forma totalmente desorganizada, com tudo o que estava entalado na garganta. Show de bola! Como ficou marcado pelo bordão, O GIGANTE ACORDOU! De uma hora pra outra, todo mundo começou a discutir política. No trabalho, no busão, nas instituições de ensino, na mídia, a política virou a bola da vez! E toca apedrejar Dilma, Haddad, Alckmin e todo aquele monte de deputado filho da puta corrupto da porra! Isso aí! Abaixo o governo!

Eita, é aí que eu fiquei meio confuso!

Tá certo, galera, eu acho que se eles estão lá porque a gente elegeu, estamos cobertos de razão de cobrar os caras para resolver esse monte de problemas que cansamos de ver por aí. Não precisa ser politizado, muito menos bem educado, pra ver o tanto de merda espalhada por aí. Nada funciona direito nesse país, não é mesmo? Então bora protestar!

O problema maior, no entanto, é que eu vejo a galera transferindo a responsabilidade pra classe política por tudo o que acontece aqui. E é aí que a gente se esquece de olhar para o próprio rabo, ou para o rabo alheio que não é do Governo.

Vi muito neguinho vibrando por aí porque agora a corrupção é crime hediondo. Puta que pariu! Da hora, né? É. Agora só falta condenar e prender alguém por corrupção, não é mesmo? Já viu alguém condenado por corrupção, mas que tinha pego uma pena branda só porque não era hediondo? Ninguém condena ninguém, esse é o problema! Não é o fato de ser hediondo ou não. Aliás, nego nem sabe mesmo porque isso agora é bom ou não. Sabe por que? Porque todo brasileiro é corrupto. Inclusive eu e você. A corrupção não acontece só na esfera política ou pública. Surrupiar dinheiro privado alheio também é crime, camarada. “Gato-net”, atestados falsos para faltar ao trabalho, usar o tempo em que a empresa te paga para TRABALHAR para fazer coisas pessoais, tudo isso também são formas de corrupção.

Outra coisa esquisita é achar que o problema reside só na esfera política. Meu camarada, vou te falar, o câncer já está espalhado por esse Brasilzão aí. Está incrustado na cultura do brasileiro, e infelizmente não há muito o que se fazer sobre isso, a menos mudanças radicais de atitude, bem diferentes dessas manifestações feitas por aí. Vou dar alguns exemplos.

- O estacionamento do shopping Eldorado, em São Paulo, custa R$10 por um período de 4 horas. Ou seja, os caras te cobram (e caro!) para você ir lá gastar dinheiro com eles. E você paga.
- A Tickets4Fun cobra uma taxa de conveniência de 20% em cima de qualquer ingresso, cujos preços já são absurdamente altos. E mais uma taxa de entrega. Se não quiser pagar a taxa, basta se deslocar a um único ponto de venda, localizado no extremo da Zona Sul, de uma cidade com mais de 1.500 km² e de dificílimo acesso. E você paga.
- Assistir a um filme em um cinema, comer uma pipoca e tomar um refrigerante (sem incluir o estacionamento) não sai por menos de R$60, se você for SOZINHO. E você paga.
- Um automóvel novo nacional, descontados todos os impostos, custa o dobro do mesmo veículo em países com economia do tamanho da nossa. E você paga.

Ou seja, o governo não está sozinho nessa jogada, caro amigo. O problema todo reside na cultura do brasileiro. O povo que gosta de tirar vantagem em tudo. O povo que gosta de se aproveitar dos otários.

Sair às ruas é extremamente válido e empolgante. Mas gritar desordenadamente e contra causas pequenas é a mesma coisa que tomar um xarope contra a tosse quando se tem um câncer no pulmão. É tentar aliviar os sintomas de uma doença que não tem cura. Continuo achando, como sempre achei, que falta cérebro para boa parte desse povo.

abr
29

Algo ultimamente tem me preocupado muito em relação ao futuro de nosso país. E não falo da Copa do Mundo, ou da redução da maioridade penal, ou do crescimento da violência, ou da porra do Marco Feliciano. O problema é bem maior que esse.

Essa história da PEC (Proposta de Emenda Constitucional) que pretende limitar os poderes do Supremo Tribunal Federal é algo que fere de forma grave a Constituição Federal e nosso estado democrático de direito. A existência dos três poderes (Executivo, Legislativo e Judiciário) sempre foi o alicerce da nossa democracia, e estão querendo acabar com isso. Oferecer ao Legislativo o poder de julgar as decisões do Judiciário é colocar os lobos para cuidarem das ovelhas. É a garantia da impunidade, de uma forma legal.

OK, você vai me dizer que essa porcaria aqui é uma festa mesmo, que nada funciona, e que a Justiça nunca foi confiável. Eu posso até concordar em partes, mas o julgamento do caso do Mensalão me fez acreditar em um futuro melhor, sinceramente. Pela primeira vez, vi algo sério e imparcial acontecer na escala do judiciário, sem influências políticas.

Mas foi o primeiro caso ser julgado para os malditos começarem a se mexer. Se você não sabe, José Genoíno e João Paulo Cunha, ambos condenados no caso do Mensalão, fazem parte da CCJ – Comissão de Constituição e Justiça – da Câmara Federal. São esses filhos-da-puta que estão por trás de tudo, por mais que digam que a PEC é de autoria de outro deputado. Está mais do que na cara, só não vê quem não quer.

O mais incrível é que a população totalmente engajada está pouco se fodendo para isso. Parece ser algo sem importância. Enquanto a galera está se mobilizando contra a presença de Marco Feliciano na presidência da Comissão de Direitos Humanos, ninguém está nem aí para o nosso AI-5 do século XXI. Como disse o Maurício Meirelles semana passada, parece que o único problema da nação é a legalização ou não das uniões homoafetivas.

Adendo do Zuza: Aliás, complementando, eu adiciono mais um problema: motoristas embriagados. A polícia está nas ruas, estão investindo milhões de reais na fiscalização com bafômetros, blitz itinerantes, tudo para inibir o consumo de álcool antes de dirigir. Totalmente válido, ao meu ver. Mas é só esse o problema que temos no trânsito?

Enfim, eu acho bom o povo abrir o olho, e não só seguir a opinião dos outros, como búfalos na manada. Parece que a tal onda gay anda afetando a mente até de pessoas mais inteligentes. Agora existe até “Igreja Gay”, porque esse parece ser o assunto de maior importância na nação. Enquanto isso, negligenciam a Constituição Federal e comprometem o nosso futuro. Parabéns, massa de ignorantes.

Ps.: Fico imaginando se eu resolvo criar uma Igreja para Héteros, ou um Restaurante para Héteros, ou um Motel só para Héteros. Serei taxado de homofóbico e sofrerei manifestações e processos na justiça. Mas o contrário é válido, correto?

abr
09

unilever

Mais uma vez, a final da Superliga Feminina de vôlei foi disputada entre a Unilever/Rio de Janeiro e o Sollys/Osasco. Normal. Reflexo do baixo investimento no esporte aqui no LISARB. A disputa polarizada entre as duas cidades durante tanto tempo acontece porque somente esses dois times possuem um orçamento gordo o suficiente para montar grandes estruturas e contar com grandes jogadoras e equipe técnicas. A chegada da Amil no circuito desse ano com o Campinas é uma ponta de esperança. Mas é questão de esperar. Se o time não for campeão em 2 anos, eu posso apostar que a Amil retira o patrocínio rapidinho, assim como fez a Meddley com o time masculino de Campinas, ou os patrocinadores do Vôlei Futuro de Araçatuba. Essa é a triste realidade nacional.

Mas voltando à final do campeonato, eu confesso que desde que acompanho vôlei, sempre torci pelo sucesso do time do Osasco. Desde a época em que o time era patrocinado pelo extinto BCN, com jogadores como Marcia Fu e Hilma. Diferentemente do futebol, onde a escolha do time está mais associada à paixão, nesse caso a escolha foi um bocado mais racional. Até por morar na região, era muito mais fácil ir assistir aos jogos. Além disso, acabei me identificando com a forma de trabalho do time, na época comandada por Zé Roberto Guimarães.

Obviamente, sempre torci contra o time carioca nas finais. Não sei o que me incomodava no time comandado por Bernardinho. Não sei se era arrogância do técnico, ou mesmo do time. Ou se eram as frequentes surras que o time dele dava em cima do meu. Mas enfim, nunca simpatizei com o time.

Ano passado, achei sensacional a paulada que o Sollys mandou pra cima da Unilever em pleno Maracanãzinho. Eu odiava a Destinee Hooker, jogadora irresponsável, sem caráter, soberba, mas de uma bola tremenda! Craque, na acepção da palavra!

Mas vai entender o porquê, esse ano meu sentimento pelo time osasquense mudou. Pela primeira vez, torci pelo time da Unilever. Torci para o Bernardinho mostrar novamente que, apesar de tudo, ele é o melhor técnico do mundo. E justiça foi feita.

Talvez tenha sido pela arrogância das jogadoras de Osasco durante o ano. A minha impressão é a de que o título de mundial interclubes mudou a postura das jogadoras. Ou simplesmente revelou a postura delas. Subiram no salto, como diz a gíria. A preocupação exacerbada com a valorização da própria imagem e com a satisfação dos fãs passou por cima do principal: jogar vôlei. Indiscutivelmente melhores tecnicamente que o time carioca, as paulistas caíram. E feio.

Antes do jogo, as imagens diziam tudo. A Sportv acompanhou ambas as equipes antes da partida final. Dentro do ônibus do Osasco, festa completa. Jogadoras com câmeras em mãos, acenando para torcedores, cantando, dançando, como se estivessem antecipando a festa pelo título. “Estou gravando o vídeo do ano, documentando os bastidores do título da Superliga 2012/2013!”, pensava Jaqueline, com sua GoPro em mãos. As jogadoras do time laranja acenavam para as câmeras, mandavam beijinhos. Eram pura festa.

Do outro lado, o time azul, completamente concentrado. Nada de brincadeira, só seriedade. Já sabiam da dureza que seria a partida. Sabiam que não eram páreo tecnicamente, então precisavam de determinação e, por que não, sorte. O foco no jogo foi decisivo. Deu no que deu. Enquanto o time do Sollys já comemorava o título no 3º set, após ter vencido os 2 primeiros, a Unilever mantinha-se focada e determinada, como esteve desde o começo. E Osasco se perdeu.

Bernardo Rezende provou, mais uma vez, que é insuperável. Juntou os cacos de um time tecnicamente inferior e saiu-se vitorioso. Na raça, no trabalho e, principalmente, na humildade. Basta ver os discursos das jogadoras após a vitória: mais humildes e sem brilho do que as jogadoras do Osasco antes mesmo da partida decisiva.

mar
01

protetor2

Tenho percebido um movimento crescente de proteção aos animais. Cada vez mais grupos de apoio à causa aparecem por aí. A causa é muito nobre, e todos possuem um papel fundamental na sociedade. São pessoas dispostas à qualquer sacrifício pelo bem-estar animal.

No entanto, tenho 2 pontos a considerar a respeito do assunto.

O primeiro ponto é: até que ponto essa preocupação deve ir? Existe uma paranóia da sociedade moderna me preocupando ultimamente. Estamos cada vez mais “caçando pêlo em ovo” em relação às causas que defendemos. Elaborando teorias da conspiração, tentando enxergar problemas onde antes não existiam. E isso não é exclusividade dessa causa específica, mas vou usá-la como exemplo. Teve gente repudiando uma propaganda da Volkswagen onde o motorista ligava o limpador do párabrisas para se livrar de um gato preto. Choveu gente reclamando. Onde já se viu? Pobres gatos pretos! Li um texto interessante onde uma dessas organizações de proteção aos animais alegava que, anualmente, milhares de gatos pretos eram sacrificados em rituais por estarem associados à má sorte, e que a propaganda voltava a fomentar essa associação. Sinceramente, isso para mim é paranóico! Sério, você acha possível que alguém, vendo a propaganda, passe a ter preconceito contra gatos pretos e passe a assassiná-los? Para mim, quem pensa assim é doente.

O segundo ponto é: para mim, tudo sempre foi uma questão de educação. Sinceramente, eu penso que se cada um dos ávidos defensores dos animais pegasse 20% do tempo e da energia que gastam lutando pela causa e usassem em prol da colaboração para um mundo melhor através da educação, em alguns anos eles nem precisariam se aborrecer tanto com a violência contra os pobres animaizinhos. O raciocínio é bem simples. Pessoas boas não cometem maldades. A gente está cada vez mais preocupado em punir do que em educar. Eu acho SIM que a punição é a melhor forma de educação (isso daria um outro texto aqui), mas eu sinceramente acho que não é a única. Se cada revoltado de mouse que usa as redes sociais pra postar mensagens relativas ao assunto levantasse a bunda da cadeira para ir, um sábado por mês, visitar comunidades carentes e oferecer palestras gratuitas a crianças, em algum tempo eles não precisariam mais encher a timeline com tanta baboseira. Não precisaríamos mais nos preocupar com a porra de uma propaganda de carro que faz uma brincadeira com um símbolo de superstição.

Será que eu fui claro?

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